O Aspirina inicia actividade em periodo insonso no que á cultura nacional diz respeito.
Não é coisa propositada. Há cerca de duas semanas a RTP resolveu agitar as hostes com o lançamento do concurso sobre o maior Português de sempre. Reajo com surpresa: “Sempre não é tempo a mais?”. Dizem que não, e apoiada reflexão confirma o boato.
Busca rápida pela história (no sentido lato do termo) encontra pouca gente que tenha feito a diferença e para desgraça de todos nós, a maioria está toda morta e enterrada, o que se percebe pois aqui e no mundo é quase sempre assim.
Vejo o resultado da eleição em Inglaterra, França e Alemanha e em qualquer um dos casos o vencedor não se encontrava disponível para opinar sobre a conquista, e porquê? Porque o que une Churchill, de Gaulle e Adenauer, para além das acções distintas no intervalo de tempo que antecedeu, durou e seguiu a segunda guerra é o facto de se encontrarem todos falecidos.
Por cá o evento é importante pelo despertar das sensibilidades, ouvem-se as vozes que discordam da eligiblidade de desportistas (na Holanda Eddie Mercx foi 3º na votação) e mais perigoso, ouvem-se alguns preocupantes silêncios quanto a figuras já distantes da história recente. Discordo. A hipótese de se ter um barómetro nada viciado sobre a posição cultural dos portugueses em relação á sua história e ás suas gentes perdeu-se com a não inclusão de Salazar na primeira lista de sugestões, mas por outro lado talvez se venha a ganhar algo com isso. Duvido que a publicidade a que teve direito impeça que o homem figure nos 10 finais que terão direito a documentário de uma hora produzido pela estação pública. E por isso pulo de alegria. Já estou farto de ter de andar pelo canal história para ver se encontro testemunhos documentados e ilustrados sobre a pessoa. A ver vamos se a oportunidade de usar o arquivo para proveito sensato das consciências é para aproveitar.



