Odisseia pela Blogosfera Prescrita – #8 Blasfémias

Blasfemias
Que fique claro, não sou propriamente um amante da reflexão politica expressa de forma descarada, acredito que o pudor nesse tipo de intervenção se deve manter, desde a esfera jornalistica até á própria blogosfera, no entanto não deixo de frequentar o Blasfémias.

Opinião curta, em formato simples. O layout é péssimo mas não é por esse diapasão que alinham os autores, há uma interpretação directa do conteúdo que se usa e arruma de forma clara, e num país onde a pergunta para a próxima consulta popular sobre a interrupção voluntária da gravidez é o bicho grotesco que é, bem podem haver espaços assim que facilitem, enfim, a compreensão popular.

Muitas Blasfémias, n’A Blasfémia.

Gato Fedorento – Série Lopes da Silva (Edição Armada em Toda Boa )

Gato Fedorento  Série Lopes da Silva

O quarteto com (alguma) piada volta a editar em DVD os episódios passados na televisão, desta vez ao serviço da RTP, com mais dinheiro para produção, o que resultou em perda de alguma genuinidade mas nem assim desanimou os fanáticos do género.

Do mitico sketch sobre a agência publicitária de Chelas ao Primo Zé Carlos, é uma série mais composta, talvez menos instintiva. Compensado a domesticação do gato, a coisa torna-se mais familiar e ao mesmo tempo mais apetecível.

E o Natal à porta…

E quem não se lembra da agência publicitária de Chelas, fica o registo mais ousado do pacote:

Teatro Circo de Braga – In the Maybe World, Lisa Germano

Lisa Germano

Teatro Circo de Braga – Braga – dias 29 e 30 de Novembro, pelas 22h

Lisa Germando apresenta o álbum «In the Maybe World», editado em 2006, depois de colaborações ao vivo e em estúdio, com músicos tão importantes como David Bowie, Iggy Pop, U2 e Johnny Marr (ex-Smiths).

A cantora americana, que nasceu numa numerosa família de músicos, compôs a primeira música aos 7 anos – uma ópera ao piano de 15 minutos, mas a carreira arrancou quando foi convidada por John Mellancamp para tocar violino no álbum “Lonesome Jubilee”, em 1987. Durante 6 anos, Lisa Germano, acompanhou o músico em tournée, até que em 1991 descobre a própria voz e lança, por sua conta, o primeiro álbum a solo – “On the Way Down from the Moon Palace”. O sucesso foi imediato e apesar do convite de grandes editoras, a cantora optou por assinar pela mítica 4AD the Ivo Watts-Russel, onde reeditou o álbum de estreia. Em 1993 lançou “Happiness”, álbum que a consagrou como uma das mais belas vozes americanas.

Porque há coisas que mudam… e de que maneira!

Bento XVI

Recordo a infância e reconheço que as gerações contemporâneas que conheceram João Paulo II foram umas afortunadas.

Havia na postura e no trato de Karol Wojtyla uma sinceridade e uma pureza quase angelicais, que ao contrário do que possam dizer, não foi fruto da idade. Foi talvez um dos maiores exemplos de correcção e dignidade, mesmo quando a saúde lhe roubava, manifestamente, a vida.

Dos Enclaves do Vaticano costuma dizer-se que quem entra Papa sai Cardeal, abençoado Joseph Ratzinger que contrariou a lógica, e, acrescento eu, violou principio fundamental que se não deve ignorar quando se trata de tradições, é que ainda há as que devem ser o que em tempos foram.

Dificilmente as consciências católicas poderiam admitir um Papa que estaria à partida excluído por… “sugestão”, mas não foi assim, fez-se a votação e à terceira foi mesmo eleito o homem que chegara ao Vaticano apelidado de “Papa” e que historicamente, foi com esse titulo que por lá ficou.

Poderiam as circunstâncias insólitas em que a sua ascensão se produziu serem suficientes para um olhar de esguelha em direcção a qualquer acção do Papa, pois Ratzinger foi mais longe, assumiu postura disparatada e resolveu, de forma muito discreta (no seu país natal) passar em discurso um manuscrito de 1391 que expressava o ponto de vista do imperador Bizantino  Manuel II Paleologus  sobre algumas particularidades tipicas do Islão, como  a guerra santa ou a conversão sagrada, no caso, o Papa escolheu alertar a consciência humana para a passagem:
“Mostrem-me o que trouxe Muhammad de novo, e aí verão coisas más e inumanas, como a sua autoridade de espalhar a fé que apregoa através da ponta da sua espada”

Impecável.

Décadas de esforço e progresso interpretadas por João Paulo II, sobretudo o progresso, das viagens ás regiões indigenas à célebre passagem pelo muro das lamentações, onde pediu perdão pelos pecados da igreja.

Ratzinger não sabe pedir perdão pelos seus próprios pecados. Hoje pela Turquia cheira a século XVI, sucessivas regressões que as religiões teimam em fazer acontecer. Uma pena..

Há coisas que quando mudam, não deveriam voltar a mudar.

João Paulo II No Muro Das Lamentações


Estreias da Semana – Borat e Por Água Abaixo

Um dos filmes do ano, já por aqui se falou na masterpiece de humor protagonizada pelo fabuloso Sacha Baron Cohen, fez muito boa gente resistir à tentação dos Divx porque ainda existem produções que justificam o preço do bilhete, e finalmente, chega a Portugal, Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan (92% no RottenTomatoes para uma comédia de baixo custo, magnifico), infelizmente rouba protagonismo ao vizinho de baixo, “Por Água Abaixo”, dos produtores do aclamado Shrek e que merece destaque a conselho de Nuno Markl, que faz a voz do Spike, um daqueles mauzões que não são, o seu segundo nome é Maria e vive com a mãe, não é a personagem principal mas pelas criticas no RottenTomatoes (78% com selo de qualidade, nada mau para uma animação) é das mais divertidas!

Primeiro Trailer divulgado para Borat (O oficial já aqui foi publicado):

Flushed Away – Por Água Abaixo:

Triumph – O Regresso

Andei à procura do video com legendas mas parece que não está disponivel, assim sendo aqui fica como prometido, para mim o melhor sketch do famigerado Triumph, à porta do julgamento do Michael Jackson, e se acharam que o cão acabou com o ego dos fãs de Star Wars, veja-se a aniquilação aos Jackson Wacko’s !

Mario Cesariny – Sobre o fim das coisas

Mario Cesariny

Há anos que não ouvia falar de Cesariny na televisão e confesso que nunca foi coisa que me incomodasse. É normal num país que consome o mínimo e o desagradável existir este desuso em relação ás figuras que constituem, em si, exemplo.

Depois o óbvio, foram pessoas como Mario Cesariny que iniciaram a oportunidade de avistar, em tempos idos, uma revolução, ou por outra, um espirito de alteração ao estado do país, ouvindo-se uma voz que era teimosa, expressa na arte e reflectida numa atitude de contraponto a um contexto social e politico que lhe desagradava, cá entre nós é atitude quase reprovável, porque há coisas que não se permitem a gente das artes, mas assim o fez Cesariny, ele que com António Pedro, José-Augusto França, Cândido Costa Pinto, Marcelino Vespeira, João Moniz Pereira e Alexandre O’Neill fundou o Grupo Surrealista de Lisboa, fê-lo à distância, a partir de Paris, onde nas suas palavras “Tudo o que se visse, a Lisboa seria antítese”.

Figura comentada e elogiada por Salvador Dali, sobretudo no dominio da pintura, na técnina do “Cadáver Esquisito”, que consistia na elaboração de uma obra em cadeia por quatro pessoas, num processo continuo, em que cada um dava seguimento, em tempo real, à criatividade do anterior, sendo-lhe dado a descobrir apenas um pouco do que o outro tinha feito.

Hoje passa em nota introdutória dos telejornais, passa em nota de rodapé, e assim se faz o suficiente pela arte portuguesa.

Recordo o festival recente aquando do trágico falecimento de um jovem protagonista nos Morangos com Açucar, recebeu então um total de 9 horas de televisão. A Cesariny 9 minutos são muitos.

Admirável país, este.

Yolanda Soares – Music Box, Fado em Concerto

Yolanda Soares

Notável o primeiro trabalho desta menina que nasceu bailarina mas cuja influência familiar a fez mudar de faixa para o mundo da musica, do canto.

O trabalho, que é o primeiro, revela-se uma adorável descoberta, de influências distintas, resultando assim em obra musical de qualidade superior.

Fado em Concerto constitui também exemplo extraordinário de busca pela produção. Gravação em orquestra feita na República Checa, 5 vozes liricas, guitarra portuguesa, cravo, piano, sintetizador, e bateria. A escrita, musical e poética, pertence a Yolanda, a quem pertence também parte da direcção musical. E com tantoempenho resulta em arte. Bela.