
Recordo a infância e reconheço que as gerações contemporâneas que conheceram João Paulo II foram umas afortunadas.
Havia na postura e no trato de Karol Wojtyla uma sinceridade e uma pureza quase angelicais, que ao contrário do que possam dizer, não foi fruto da idade. Foi talvez um dos maiores exemplos de correcção e dignidade, mesmo quando a saúde lhe roubava, manifestamente, a vida.
Dos Enclaves do Vaticano costuma dizer-se que quem entra Papa sai Cardeal, abençoado Joseph Ratzinger que contrariou a lógica, e, acrescento eu, violou principio fundamental que se não deve ignorar quando se trata de tradições, é que ainda há as que devem ser o que em tempos foram.
Dificilmente as consciências católicas poderiam admitir um Papa que estaria à partida excluído por… “sugestão”, mas não foi assim, fez-se a votação e à terceira foi mesmo eleito o homem que chegara ao Vaticano apelidado de “Papa” e que historicamente, foi com esse titulo que por lá ficou.
Poderiam as circunstâncias insólitas em que a sua ascensão se produziu serem suficientes para um olhar de esguelha em direcção a qualquer acção do Papa, pois Ratzinger foi mais longe, assumiu postura disparatada e resolveu, de forma muito discreta (no seu país natal) passar em discurso um manuscrito de 1391 que expressava o ponto de vista do imperador Bizantino Manuel II Paleologus sobre algumas particularidades tipicas do Islão, como a guerra santa ou a conversão sagrada, no caso, o Papa escolheu alertar a consciência humana para a passagem:
“Mostrem-me o que trouxe Muhammad de novo, e aí verão coisas más e inumanas, como a sua autoridade de espalhar a fé que apregoa através da ponta da sua espada”
Impecável.
Décadas de esforço e progresso interpretadas por João Paulo II, sobretudo o progresso, das viagens ás regiões indigenas à célebre passagem pelo muro das lamentações, onde pediu perdão pelos pecados da igreja.
Ratzinger não sabe pedir perdão pelos seus próprios pecados. Hoje pela Turquia cheira a século XVI, sucessivas regressões que as religiões teimam em fazer acontecer. Uma pena..
Há coisas que quando mudam, não deveriam voltar a mudar.