Aspirina Light

Mario Cesariny - Sobre o fim das coisas

November 27th, 2006 · No Comments

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Mario Cesariny

Há anos que não ouvia falar de Cesariny na televisão e confesso que nunca foi coisa que me incomodasse. É normal num país que consome o mínimo e o desagradável existir este desuso em relação ás figuras que constituem, em si, exemplo.

Depois o óbvio, foram pessoas como Mario Cesariny que iniciaram a oportunidade de avistar, em tempos idos, uma revolução, ou por outra, um espirito de alteração ao estado do país, ouvindo-se uma voz que era teimosa, expressa na arte e reflectida numa atitude de contraponto a um contexto social e politico que lhe desagradava, cá entre nós é atitude quase reprovável, porque há coisas que não se permitem a gente das artes, mas assim o fez Cesariny, ele que com António Pedro, José-Augusto França, Cândido Costa Pinto, Marcelino Vespeira, João Moniz Pereira e Alexandre O’Neill fundou o Grupo Surrealista de Lisboa, fê-lo à distância, a partir de Paris, onde nas suas palavras “Tudo o que se visse, a Lisboa seria antítese”.

Figura comentada e elogiada por Salvador Dali, sobretudo no dominio da pintura, na técnina do “Cadáver Esquisito”, que consistia na elaboração de uma obra em cadeia por quatro pessoas, num processo continuo, em que cada um dava seguimento, em tempo real, à criatividade do anterior, sendo-lhe dado a descobrir apenas um pouco do que o outro tinha feito.

Hoje passa em nota introdutória dos telejornais, passa em nota de rodapé, e assim se faz o suficiente pela arte portuguesa.

Recordo o festival recente aquando do trágico falecimento de um jovem protagonista nos Morangos com Açucar, recebeu então um total de 9 horas de televisão. A Cesariny 9 minutos são muitos.

Admirável país, este.

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