Fim-de-semana tranquilo leva-me ás tímidas pegadas de dinossauro na magnífica serra de Aire e Candeeiros.
O porquê de ser um lugar em esquecimento rapidamente se entende.
À chegada, descampado silencioso deixa antever as ausências que por ali se podem sentir, e não me refiro aos répteis gigantes que por ali em tempos passaram e cujo testemunho para a humanidade reside em pegadas cravadas numa bacia de calcário sedimentada, refiro-me à ausência de pessoas. Não de mim nem dos outros, nem da criançada que segundo consta faz rumarias ao lugar em ritmo simpático, agradeça-se ás escolas pelas iniciativas, que também a mim, no meu tempo, me levaram a lugares onde acabei sempre por regressar. Refiro-me à ausência de cuidado na recepção ás pessoas. Na falta de acolhimento. Gritante.
O bilhete de fim-de-semana faz-se cobrar por 1 euro. É barato, esperava mais. No contexto que se segue percebo o baixo custo da coisa. Passa um pequeno filme em sala claustrofóbica que não é um auditório porque não há razão para se investir nessas coisas (embora a 100 quilómetros se tenha feito construir um belíssimo estádio para o Euro que faz anualmente pouco mais de 30 mil visitas). O vídeo é bem português, as palavras dos estudiosos são abafadas pelo som ambiente da serra, a barriguinha saliente por entre o roçado casaco de cabedal do senhor meio fanhoso que nos narra a historia da sedimentação comprova que estamos na presença de obra cinematográfica de custo inferior a qualquer produção de série B. Duas crianças na sala não aguentam mais de dois minutos até se levantarem da cadeira e param apenas quando por milagre lá surge uma imagem tridimensional de um grande dinossauro a caminhar pela serra em tempos outros, que perante a precariedade da situação que nos é oferecida pela gestão do espaço, quase se podem considerar contemporâneos do simpático senhor que continua a opinar sobre granito e rochas afins.
Findo o espectáculo, o grupo reúne-se cá fora como que à espera de qualquer coisa que se sabia estar a faltar, um guia.
Pois não existe guia, ao fim de um par de minutos, uma das três jovens assalariadas do ministério resolve avisar que a visita é por própria conta e, acrescento eu, risco. Um quilómetro a pé por entre um caminho para… dinossauros, onde os guias disponíveis são cartazes informativos que sabemos conhecer de algum lado, mais precisamente do vídeo que antecedeu o percurso.
As pegadas lá estão, valem a visita e valem a oportunidade do deslumbre sobre a paisagem edílica de uma das serras mais ricas da Europa, mas o serviço ao cliente, contribuinte, é miserável.
E é justa a referencia ao contribuinte. Consta que o “Galinha”, anterior dono da pedreira que dá o nome ao recinto, vive hoje descansado sobre a indemnização a que teve direito pela expropriação dos terrenos
Imaginem que quando o lugar ainda era pedreira, o Galinha disponibilizava visitas guiadas ás gentes das terras próximas que lhe aturavam o barulho da actividade.
Que venda também a ideia, o estado poderia dar-lhe bom uso.




