Archive for December, 2006

Dois meses de existência

O aspirina leva dois meses de vida e perto de 3 mil visitas, um número que me deixa muito surpreendido e com o ego blogistico em alta.

Lançar um blog onde se comentam livros, filmes, se recomendam peças de teatro ou, mais recentemente, se opina sobre arquitectura, é, acredito eu, atitude feita com base na expectativa de se tornar num projecto familiar, restrito. Não foi o que aconteceu, existem já muitos blogs amigos que guardam este canto como referência, a consideração deixa-me tremendamente agradecido.

A todos, dos esporádicos visitantes do famigerado Há vida em Markl, à companhia amiga da Marta de Noutra Vida ou do Indigente Andrajoso. Do apoio do Blasfémias, Ant et Post e Rua da Judiaria, à motivação extra de ter como visitantes, o paulo da Bisca ou o Bruno do Portal Pimba. E a todos os outros também que ajudam a manter toda a motivação.

Para 2007 o projecto não muda, a publicação passará a ser efectivamente diária numa base a iniciar na primeira semana de Janeiro e eventualmente surgirá aqui e ali um apoio extra para que todos continuem aqui, como sempre, a sentirem-se em casa.

Que as loucuras da passagem de ano nos ajudem a encarar o fim de 2006 como o melhor lançamento possível de 2007 (e meu Deus, como eu Não acredito nisto).

Um Bom ano.

Transformers, o segundo trailer

Prenda de natal da Dreamworks, o segundo trailer de Transformers, aquela que será uma obra prima sem sombra de dúvida, a dupla de sonho formada por Michael Bay e Steven Spielberg só pode resultar em dignidade absoluta nesta dificil adaptação do fenómeno dos anos oitenta. Worldwide premiere a 4 de julho, sete penosos meses…

 

 

Somos nós!

Its You!

Foi no verão de 2005 que conheci o YouTube, na altura com um layout diferente daquilo que hoje se nos apresenta, mas o sistema pouco diferente era do que se conhece hoje. Era fácil perceber que a coisa teria sucesso imediato, mas confesso que tamanho reconhecimento global me pareceu verdadeiramente improvável.

O sucesso de um sitio web como o “Tube” acontece em parte pela falta de tempo e de vontade de nos sentarmos em frente ao televisor, ali tudo nos é apresentado conforme se queira. Uma espécie de personal broadcast fácil e intuitivo onde se encontra quase de tudo, acerca de quase tudo.

Por cá será eventualmente a melhor oportunidade para acompanhar os melhores sketches do Gato Fedorento, do Herman, da Revolta dos Pasteis de nata, as gaffes em directo de apresentadores de noticiários, do inesquecível momento de raiva de um pivot na antiga Ntv à mais desagradável intervenção no Opinião Pública da Sic Noticias, do já aqui publicado primeiro episódio da saudosa Rua Sésamo ao adepto do Coijo na Liga dos Ultimos, figura que constitui hoje um verdadeiro lugar comum no linguajar dos jovens lusos, o YouTube é assim um pedaço fundamental da cultura do mundo.

Ainda não leva dois anos de existência e já sucede a Bill e Melinda Gates (e a Bono também) como figura do ano na capa da Times, foi adquirido pelo Google por 1.65 biliões de US dólares e chega diáriamente a milhões de consumidores, para uma empresa que começou com 3 empregados num sótão em Fevereiro de 2005, o estatuto é verdadeiramente impressionante.

Todos lhe podemos aceder, todos por ali podemos publicar as nossas manias, os nossos desabafos, as nossas bandas sonoras mas acima de tudo os nossos momentos de humor, é por isso que é especial.

E assim merecemos o titulo, a personalidade do ano somos nós. Bem feito!

E o depois…

Com a notável capacidade que temos em enterrar eventos quando ainda se encontram mornos…

A desculpa faz-se acompanhar normalmente pelo argumento da proximidade com a passagem de ano, que acaba por ser muitas vezes a unica forma de salvar o ano, que de tão pobre e penoso culmina em bebedeira aguda que não só não permite esquecer o ano velho, como nos introduz com o pé esquerdo (ou na maior parte dos casos, de joelhos em frente à pia) no ano novo.

Resta o doce sabor português da consolação: É assim em todo o mundo, tristes homens, nós.

Lusco-Fusco natalicio, o Antes…

Porque a época existe e porque de algum modo o espirito ainda resiste, embora pouco ou quase nada me identifique com Este natal, o dos dias de hoje.

A nostalgia de natais passados justifica-se pela beleza do que se passava há não muito tempo, e a questão aqui é que na verdade, passava-se pouco ou nada.

O tempo que ocupamos hoje com 70 canais de cabo e uma velocidade de banda larga em 24 MB, era outrora preenchido pela familia, essa perspectiva profundamente aborrecida que encaramos hoje, fruto desta neuvelle époque onde o fascinio pelo acelerar de velocidades nos leva a parar cada vez menos nos sitios que verdadeiramente interessam, e que, digo eu, daqui a um par de anos, nos levará a questionar seriamente o sentido da obcessão pela vertigem moderna, esse fenómeno estranho que tem tanta pressa em nos levar de Trás-os-Montes até ao Louvre, como da árvore de natal até ao processador.

Hoje tiro férias disto, lá para dia 26 escreverei sobre o depois.

Votos de tempo de qualidade para todos, a felicidade surgirá por acréscimo.

Entre Taveira e Koolhaas

Amoreiras

casa da musica

(E os diplomatas da profissão que me vão assolar a existência pela ousadia em colocar figuras tão distintas da cena arquitectónica internacional no mesmo título).

Quanto vale a imagem de uma cidade? A questão é pertinente.

A impressão digital de um lugar com grande expressão territorial é interpretada através da arquitectura. Num contexto mais vasto do que o mero conceito arquitectónico, uma cidade é exteriormente valorizada pelo seu desenho.

E assim se criam os estereótipos, desde as pirâmides egípcias ás linguagens modernas da Europa no pós-guerra é a arquitectura que nos oferece a imagem do lugar, é o pretexto para as nossas viagens imaginárias e o contexto que se visita posteriormente, com maior ou menor desilusão relativamente aquilo que a fotografia ou o vídeo nos mostrou.

Sempre considerei Portugal um país com poucas referencias no que à arquitectura propriamente dita diz respeito, mais tarde, nos tempos de faculdade, percebi e entendi o porquê. Investimos sempre muito mais em politica do que em construção, da fundação aos descobrimentos, dos Filipes a Salazar, a regra passou sempre por privilegiar (ou não) o País no seu sentido político em detrimento do investimento no território (à excepção das fortificações e monumentos religiosos).

E isso percebe-se quando se comparam imagens a grande escala de Madrid, Barcelona ou Paris com Lisboa e Porto. Há uma clareza no desenho das primeiras muito superior ao desenho orgânico das nossas cidades, o que, no caso não constitui vantagem ou desvantagem, são politicas diferentes, disposições diferentes, economias historicamente diferentes. A discussão do ponto de vista qualitativo é tão subjectiva que não me atrevo a fazer opinião bem fundamentada sobre as respectivas mais valias no que à simples interpretação urbana dos lugares diz respeito.

No entanto sobrevive a questão da identidade do lugar onde o postal das nossas cidades dificilmente se associa a um lugar que se reconheça com facilidade. É esse o papel da arquitectura e onde as sucessivas politicam territoriais não contribuíram para um engrandecimento arquitectónico do nosso país.

O processo de criação de um ícone faz-se, regra geral, de forma acidental. É o tempo quem se encarrega de categorizar uma determinada peça, como aconteceu com a torre do relógio do palácio de Westminster, o famoso Big Ben, ou com a monumental praça de S Pedro no Vaticano, ou como acontece com as grandes obras da antiguidade, das mais belas construções indígenas do centro e sul-americano à arquitectura árabe e oriental. Do mesmo modo, existem as peças que foram concebidas para se tornarem ícones e que sobreviveram ao tempo da sua concepção, como a Torre Eiffel em Paris ou o estranho Atomium em Bruxelas, construídos para duas exposições mundiais e que constituem hoje ícones fotográficos das respectivas cidades.

Em Lisboa, as duas grandes obras com vocação turística datam do tempo dos descobrimentos, estão em Belém e são visitadas anualmente por milhares de pessoas mas nem por isso constituem marcos territoriais que se reconheçam como parte marcante da nossa paisagem, a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos são no fundo dois brilhantes exemplos da história repetida da nossa “arquitectura do desenrasca” mas que se mantiveram tranquilamente como ícones da nossa existência, se por um lado o Mosteiro constituiu notável desenvolvimento construtivo das igrejas salão da época, não é menos verdade que é um exercício atarracado de arquitectura Gótica, como o eram todas as obras de época devido à crónica falta de fundos, a mesma crise que impediu a construção da torre gémea à torre de Belém que deveria constar do outro lado do rio mas que nunca foi edificada.

O grande ícone moderno da arquitectura de Lisboa é inevitavelmente o conjunto das Torres das Amoreiras, edifícios de gosto duvidoso e de autoria vulgarmente considerada manhosa, foram durante anos o rosto de uma arquitectura destacada por entre o skyline da capital e assim se manteve até à exposição internacional de 1998, o que nos leva a mais do mesmo, onde de entre toda as obras edificadas se pauta a horizontalidade do pavilhão de Portugal e do pavilhão do conhecimento dos mares, edifícios concebidos respectivamente por Álvaro Siza Vieira e João Luís Carrilho da Graça, dois dos nomes maiores da arquitectura pós-moderna portuguesa.

O pretexto da exposição não foi suficiente para que se registasse uma aposta mais ousada e concreta no terreno escolhido, ficámo-nos pela Torre Vasco da Gama, um exercício banal e bastante discutível. Posto isto e sobrevivem as Amoreiras no alto de Campolide, a imagem mais destacada da arquitectura moderna Lisboeta.

No norte, para lá de todas as discussões, o Porto 2001 constituiu um verdadeiro veiculo de arranque na interpretação da cidade moderna, a oportunidade foi aproveitada e assim nasceu o pretexto para uma construção com escala citadina e vocação urbana, do Office for a Metropolitan Architecture de Rem Koolhaas surgiu a Casa da Música, que ironicamente havia sido desenhada para ser uma habitação à qual foi aplicado um exercício de escalas e que resultou naquele que é hoje um ícone da cidade, mais do que um exercício de arquitectura de autor, a Casa da Musica contribui para a interpretação moderna de uma cidade que procura renovação e que alcança através da criação de novos marcos territoriais que se interpretam por habitantes e por turistas, para lá de todas as discussões e opiniões contrárias, como uma referência do olhar, e não só como uma sala de espectáculos.

Para lá de todas as derrapagens, o Porto 2001 ofereceu à cidade do Porto um novo ponto de vista sobre si mesma enquanto que a Expo 98 constituiu um mero exercício de uma frente degradada da cidade de Lisboa que apesar da excelência da sua execução resulta hoje numa amalgama de arquitecturas estranhas e sinuosas, insuficientes para subverter a presença incomoda do espectro Taveira que continuará, à falta de melhores ideias, a assombrar as mentes bem-educadas dos teóricos da arquitectura que teimam em não aceitar o homem, e, vergonha das vergonhas, é ele quem ombreia com Koolhaas, guru espírita da arquitectura moderna. Ele, Taveira.

Joe Barbera

Joe Barbera

A fotografia só seria reconhecida por poucos, o nome por alguns, mas as criações deste senhor fazem parte de um fenómeno à escala global, com contribuições que estão hoje cravadas na cultura popular.

Juntamente com William Hanna, Joe Barbera criou algumas das personagens mais marcantes da nossa infância. Da nossa e dos nossos pais, e também dos nossos filhos, arrisco dizer, que serão também as personagens dos filhos dos filhos, e ainda bem, Tom and Jerry, Scooby-Doo os Jetsons e os Flinstones têm de fazer parte do imaginário das crianças, de hoje, ontem e de amanhã.

Faleceu esta noite em casa terminando assim uma brilhante carreira de setenta anos ligados á animação.

Depois do desaparecimento de William Hana em 2001, a morte de Joe Barbera encerra a era de ouro dos desenhos animados, cinquenta e sete anos após ter começado o que constitui uma sobrevivência notável do estilo e do desenho nos tempos modernos, onde o aspecto gasto da imagem vai conseguindo sobreviver em contextos tão adversos e em convivência notável com o Dragon Ball e hoje, com o Noddy em três dimensões.

Digo que infelizmente será Genndy Tartakovsky, criador  do magnifico Dexters Laboratory (que curiosamente teve como tempos de glória os dois anos iniciais de produção na Hanna-Barbera) o único herdeiro dos tratados de animação criados por William Hanna e Joe Barbera, o restante panorama passa pelo computador ou pelo desenho ordinário, que apesar de divertido, é feito para adultos (Family Guy, South Park…).

Estreia – Artur e os Minimeus

Em época natalicia a obra de Luc Besson surge como uma óptima sugestão para “filme de época”. É incrível como basta por vezes o dedo de autor de um mestre para que certos preconceitos desapareçam.

O filme (na versão original) bate Happy Feet por KO (e não aos pontos), vê-se bem (na versão original), e deixa uma ligeira impressão de que iremos sentir saudades do senhor Luc.

Quanto á versão portuguesa, não a vi. Mas há vozes que nos cansam por nos entrarem diáriamente pela casa dentro, nada contra Luciana Abreu.

Yakubiuk – Sketch Blog

Yakubiuk

Yakubiuk

Chega via A Barriga de um Arquitecto, o sketch blog de arquitectura de Juan Pablo Yakubiuk a visita recomenda-se, a imaginação é o limite.

Porque há magia na voz de Cristina Branco

Fica o video que é um misto de poesia e hipnose.