Orhan Pamuk – A Vida Nova

A Vida Nova

Fica bem, neste tempo de alguma desconfiança em relação à Turquia e respectivas politicas de subversão desconfiada daquele país relativamente à União Europeia, recomendar a leitura do Prémio Nobel Orhan Pamuk.

A Vida Nova é uma das obras mais leves do escritor Turco que mistura aqui romance e alguma psicologia com as bases politicas e sociais da Turquia, numa viagem extraordinariamente bem escrita ás origens rurais de um país que vive (des)equilibrado entre o Oriente e o Ocidente.

A história faz-se valer por uma permissa inteligente, um homem, viaja de autocarro em autocarro pelo país em busca de um amor perdido, numa aventura que tem a leitura de um simples livro como o catalizador para as novas motivações do jovem Osman, que aos poucos se vai descobrindo de forma tão admirável como terrível.

Lux Frágil – Agoria, The Green Armchair

Lux Frágil -  Dia 14 de Dezembro ás 23 Horas

Sebastien Devaud aka Agoria é, ao lado de Vitalic e The Hacker, um dos mais respeitados nomes da actual cena techno francesa.
Com uma educação onde a música esteve sempre presente, tal como a sua vontade de a partilhar, não foi de estranhar que ao se envolver com as sonoridades techno, com pouco mais de 20 anos (meados de 90) tocasse ao lado de nomes como Richie Hawtin, Dj Hell, ou Christian Vogel em clubes e festivais na Europa.
Como dj foi-se tornando uma figura de destaque no panorama internacional, mas a sua ambição e criatividade conduzem-no à produção e, 5 anos após o inicio desse processo, vê-se coroado “príncipe do techno francês” quando, em 2005, é editado o seu 1º Lp/Cd “Blossom”. Temas como “Sky is Clear” ou “Spinach Girl” foram dançado em clubes de todo o mundo e “11éme Marche” tornou-se o hino de um techno renovado pela genialidade deste gaulês.
«The Green Armchair» álbum editado em Outubro deste ano e que conta com as participações vocais de Peter Murphy, Princess Superstar e Neneh Cherry, vê “Code 1026″, primeiro tema tornado single, fazer parte das escolhas Laurent Garnier, Félix da Housecat, Tiga, Hell ou James Holden nos seus sets.

Quando a cover é melhor que o original…

Publicado o video dos Moonspell no “Diz que é uma espécie de Magazine” do passado domingo, e na sequência desta coisa que são as covers, ou seja, um artista a interpretar exactamente com a mesma letra e música um determinado hit celebrizado por outrém, resolvo deixar esta brilhante interpretação de Travis do pop “Baby one more time” a canção-fetishe de Britney Spears que conheço há já algum tempo e que comprova no fundo que muitas vezes, a cópia é tão melhor que o original.

A questão é, teria tido o mesmo sucesso? Jamais.

Entre as tricas da nossa música…

Sam The KidMoonspell

Fui, em conhecido fórum da Internet, um dos primeiros a atentar no mau gosto expresso em verso estranho presente no novo single de Sam The Kid.

A certa altura do seu novo “beat” o rapper de Chelas, que goza hoje em dia de divulgação a nível nacional, resolve transpor para exemplos claros três artistas do panorama musical português sendo que para isso se coloca, a si, em maior evidência.

A coisa conta-se por poucas palavras, o videoclip já passa na MTV e tive neste fim-de-semana a oportunidade de o ver no Top+, um grupo de rappers, entre os quais o Samuel, toma de assalto uma rádio com o propósito único de atirar ás massas uma lição de como ser um bom músico português, conta com o apoio de artistas como Rui Veloso ou o PacMan (e quem conhece as origens dos DaWeasel só pode considerar a presença do Carlão como uma grande piada), e no final a lição é só uma: artistas portugueses que cantam em inglês não são bem vindos.

Sobre isto nada a dizer, não tenho opinião formada. Desconheço as virtudes e desgraças que implicam a um conjunto de artistas cantarem ou não numa língua que não seja a sua. Recordo David Fonseca e os The Gift. Penso em Blind Zero e a partir daí tenho alguma dificuldade em reconhecer sucesso em quem tenha optado pela linguagem do mundo para expressar musicalidade dita portuguesa. Faltam no entanto os Moonspell.

A referência vale o que vale. Desconfio que os da minha idade não tenham, em tempos idos, ouvido pelo menos um álbum de Moonspell. São modas, mais ou menos convenientes, mas modas. Constituem uma fase que marca um estilo, ou um estilo que marca uma fase, fundamental é reconhecer que os que realmente se identificam com o género acabam por se manter fiéis aos ídolos, e pouco importa a idade, continuam a ser fãs. Entendo e respeito profundamente.

Na dita musica, o Samuel atira que os novos artistas lusos vocacionados para o mundo:

“Querem ser os Moonspell, querem novos horizontes;
Mas aqui o Samuel, é Madre Deus, é Dulce Pontes.”

Por vários motivos o uso é de mau gosto, sobretudo porque não é devidamente localizado no sentido crítico que pretende atingir, e nestas coisas da música, ou se esclarece tudo à partida ou se restam duvidas tende o objectivo a sair furado.

Fica a dúvida, estaria o Samuel a defender o exemplo singular que constitui a mais famosa banda de metal portuguesa? Ou estaria a criticar todos os que lhes procuram seguir as passadas, e que desse modo, falham como eles?

Da minha parte não tenho duvidas, foi mera conveniência de escrita, e isso sim é triste. Uma falta de cuidado expressa no uso das palavras apenas pela conveniência da terminologia presente nos nomes Moonspell e Samuel deveria ter levado a optar por outra rima qualquer, sem melindrar ninguém, até porque no limite, a publicidade que o episódio gerou foi extraordinariamente negativa, não só para o autor como também para todos os que, concordando com ele, resolveram dar a cara e figurar no videoclip.

Porque nestas coisas das vacas sagradas, ainda há as que genuinamente o são.

Acontece aqui:

A revolução nas consolas

WII

De consolas sinto-me suficientemente á vontade para opinar.

Desde a velhinha SNES da nintendo que jogo em plug directo com a tv. Depois disso seguiu-se uma SEGA MasterSystem, uma SEGA Saturn, uma SEGA DreamCast e a PlayStation2, pelo caminho, experiências várias com a primeira Playstation e com a XBox da Microsoft.

Com excepção à inovação visual e aos titulos de jogos, uma consola é quase sempre uma… consola. É um produto que pressupõe ligeira evolução de um formato para o outro, ou mesmo de um jogo para o outro. Por vezes mesmo dentro do mesmo jogo, como comprovam as repetidissimas edições do Final Fantasy.

Um comando, um cartão de memória. Normalmente a evolução tem-se feito notar sobretudo no número de utilitários disponiveis á partida com o aparelho. Dos dois comandos da SNES À memória interna da SATURN, passámos aos single pads da XBox e da Playstation aos preços exorbitantes a pagar por 4 e 8 megas de memória das consolas da Sony.

Tudo normal e eis que chega a Wii.

É uma nova dimensão de jogo, uma nova compreensão de jogo e sobretudo, o velho gozo de jogar. Uma idéia demoníaca como o novo comando analógico que permite ao maior tanso preso de movimentos fazer um brilharete no Ténis, ou o mais fraco dos pulsos atirar um HomeRUn record mesmo que não perceba um décimo de Basebol. A Wii é uma consola familiar, onde com a maior das facilidades se deixará a avó ou a mãe participar num alegre karaoke ou num braço de ferro virtual, os jogos são para um público-alvo mais vasto e os titulos, apesar de menos famosos, prometem fazer história entre nós.

E no fim, o melhor. A Wii será, mediante compra do respectivo software de emulação, retrocompatível com os nossos velhos jogos das nossas igualmente velhinhas consolas. Uma consola feita muito mais para divertimento de quem nela investe do que  para lucro fácil de quem a concebe. E esse é conceito esquecido neste mundo da video-ganância.

Um agradecimento especial ao par de “testers” de uma conhecida revista de consolas do nosso mercado que me deixou experimentar este autêntico doce de criança feito também para adultos.

Sobre o elitismo. E as desgraças da nossa arquitectura…

Leio post recente em A Barriga de Um Arquitecto, que constitui, como é do conhecimento geral, um dos mais completos lugares de opinião sobre arquitectura em Portugal. Opinião e não critica. E aí residem alguns dos nossos problemas.

Não existe no nosso país um suporte franco à critica sobre a construção. Critica-se a pintura e a escultura a custo, critica-se a politica e a economia por gosto, mas muito raramente se criticam as opções meramente estéticas de um arquitecto, ou vá lá, de um engenheiro. Isto acontece porque o receio da marginalização antecede a posição do lápis ou do teclado em relação ao objecto da nossa critica. Há uma componente politico-financeira demasiado forte a impulsionar o ritmo da nossa construção para que alguém se dê ao luxo de opinar desfavoravelmente sobre quem quer que seja. No limite, criou-se o termo “Taveirada” e mesmo a sua aplicação constitui um raro luxo a que o escritor se pode dispor ao uso.

O porquê desta subversão de conteúdos reside, de forma muito fácil de entender, na saturação do mercado de trabalho dos arquitectos, e, em suma, no facto de dependermos todos uns dos outros no que à herança de trabalho diz respeito. Em Portugal, e pela Europa, o Arquitecto é aquele que se distingue dos demais num concurso, é aquele que adquire estatuto ou posição através da subida a pulso na carreira. Mas também é aquele que trabalha para os outros, para os que, algures no tempo, conquistaram (com ou sem mérito) o respectivo lugar ao sol, e nesta relação de proximidade tem de haver muito cuidado no que ao mediar de relações diz respeito.

Não estou a divulgar novidade nenhuma. Álvaro Siza dependeu em muito de Fernando Távora, Eduardo Souto Moura dependeu em parte de Álvaro Siza. Manuel Mateus não esconde que deve parte do seu portfolio a Gonçalo Byrne, tal como Inês Lobo ou Nadir Bonacorso rendem a respectiva homenagem a João Luis Carrilho da Graça. Fica-lhes bem, constitui prova cabal de que há no meio uma relação de grande consideração entre o mestre e o discípulo. Impecável.

E é deste modo que a coisa se espalha. Existem os que, de frente para o leitor, optam pelo elogio e pela aclamação de tudo e mais alguma coisa que lhes seja pedido comentar. Não que o elogio venha a garantir uma parceria, uma co-autoria ou mesmo uma colaboração discreta. O caso é mais complexo. É que o elogio garante à partida uma vénia e um respeito documentado. Pelo menos ninguém irá pedir explicações ao aclamador.

Basta passar os olhos em diagonal para as publicações de arquitectura que passam discretas pelos escaparates das nossas livrarias. Não há, nem por uma vez, uma contrariedade, uma questão. A prosa é fluída, por vezes acompanhada de poesia bonita e muito bem articulada. Bem exprimido não oferece nada de novo, são textos que se fazem e refazem sem oferecer novidade ao debate. Textos penosamente aditivos que não contribuem de modo algum para que se questione afinal o que é que se anda a fazer com o dinheiro do contribuinte, e porque não, o que anda o contribuinte a fazer com o seu próprio dinheiro.

Recordo o projecto miserável de Alexandre Alves Costa para o elevador do Rossio. Um modernismo chato e recto em escala exagerada que pisava uma praça da cidade que é diariamente utilizada por milhares de pessoas. Recordo que a critica incidia apenas e só na presença e nunca na estética do objecto. Que era feio pura e simplesmente. Recordo a oportuna critica do então director da ARQ./A, o arquitecto Victor Neves, defendendo o desenho. Pior, recordo que defendia acima de tudo o autor, com um espantoso autismo na coerência da opinião. Um sufoco gritante para conseguir a todo o custo salvar o arquitecto, que naquelas palavras se tornava quase inquestionável. No final da mesma edição, mais do mesmo. Batista Bastos repetia a posição do editor.
Convenientemente.

Leio o texto de Daniel Carrapa a propósito de empreendimentos como a “Vila Utopia” ou o “Bom Sucesso” e reparo que o autor não só defende a iniciativa como resguarda a todo o custo as questões politicas e de marketing. Pior, financeiras também.

Não consigo, de modo algum, defender proliferações de paisagem como os exemplos acima referidos. Não consigo nem por um momento entender as vantagens do cultivo populista da expressão “Arquitectura de Autor” e muito menos quando a coisa é utilizada com propósitos mediáticos.

O exemplo da “Vila Utopia” constitui um verdadeiro objecto de estudo, pois não só contribui para o inicio destes veículos de show-off arquitectónico, como ainda transporta para dentro do vicio jovens arquitectos, que mais não são do que meros objectos de troca no que à violência do uso diz respeito. Na futura Vila Utopia, não serão os arquitectos as referências públicas da gestão do espaço. Serão os habitantes. Serão aqueles a quem a vida permite um investimento de novecentos mil euros num imóvel para habitação diária ou sazonal. O arquitecto nunca constitui o mote, e nunca constituirá o produto. O elitismo do espaço, no sentido lato do termo, esse sim constituirá aquilo que a Vila Utopia virá a ser: Capitalismo desgovernado.

Como arquitecto recuso a colagem ao capital (de resto, à excepção dos senhores da banca, desconfio que nenhum profissional esteja hoje minimamente interessado em ver o seu oficio tão disparatadamente capitalizado), e recuso porque conheço o meio. Conheço as dificuldades na luta por um lugar ao sol e vou aguardar atentamente pelo debate público, onde as pessoas possam intervir, onde alguém prefira um Fiat a um Mustang apenas pela livre opção.

E o problema é esse, é assistir ao avançar progressivo das manias de autor. Dos “convites” para trabalhar.

E no fim a dúvida, será que abrindo um concurso público devidamente limpo de todos os vicios, todos os aclamados mestres teriam direito ao seu pelintro de exposição? E aí sim, pagava para ver.

Coisas da Internet – Trendio

Trendio

Bem mais saudável do que os vicios de aposta desportiva que de repente nos inundaram os browsers, o Trendio funciona de uma forma original e muito divertida.

Imagine-se um jogo de bolsa onde os activos são palavras e onde o capital se aposta em… “Trendillions”. Parece complicado mas é na verdade muito simples.

É um jogo de instinto onde a compra de uma palavra pressupõe o “Feeling” de a (re)ver publicada pela imprensa num determinado espaço de tempo. O Trendio foi premiado e noticiado no Público, Times, Wall Street Journal, pela NBC entre outros.

E no final a possibilidade de trocar os Trendillions por prémios ou dinheiro constitui o aliciante maior, numa actividade que é acima de tudo divertida.

Está em Trendio