Ao procurar orientar alguma da publicação do Aspirina para a arquitectura optou-se por entender o lugar das artes destinado à arquitectura sob diferentes pontos de vista, que facilmente se descolassem do desenho tosco com o qual convivemos diariamente e dos lugares comuns que constituem as nossas cansadas publicações e os também cansados exemplos oferecidos pelo discurso dos arquitectos.
Daí que este artigo pudesse ser entendido como mais uma oportunidade para repetir o nome Siza até à exaustão. Não.
Selecciona-se a igreja do Marco de Canavezes pelo elogio público a uma autarquia que não teve preconceitos em aceitar um ponto de vista diferente. E já agora o elogio ás estruturas católicas nacionais também, tivesse imperado o mesmo bom senso em Fátima, e a catedral do arquitecto Gonçalo Byrne constituiria também referência para o futuro.
Não é sempre assim, e deste exemplo se faz excepção.











” Quantas peças de arquitectura se podem orgulhar de serem um objecto?
Objecto enquanto peça que pela beleza da execução se destaca da implantação e se contempla assim em suspenso, como um qualquer momento singular de admiração que domina a vista e capta a atenção.
Quantas vezes nos relacionamos com um edifício num determinado contexto e este nos permite identificar o sítio onde estamos em função da sua presença?
Como se o resto viesse depois, sem sabermos que afinal já antes lá estava.
A igreja avista-se ao longe, ergue-se no alto e convida a entrar. O desenho da praça que faz a entrada não está concluído, não se estranha.
Por fora a porta é rude, um menosprezo relativamente ao qual a peça não guarda rancor, percebe-se porquê.
Entra-se de lado como de lado se entra em qualquer igreja por aí desenhada, uma vez lá dentro, uma vez cá dentro o espaço é estranho, uma sala que não se percebe, a reacção de espanto que nos faz saber a nada. O deslumbre da entrada, a sala que se espraia, o janelão que espreita para fora sem que se olhe cá para dentro, e lá em cima os lanternins que chamam a luz, que agarram a luz e nos obrigam a sentar.
Sentados entretanto, mudos de espanto com o vislumbre do branco pleno para contemplar. Ao fundo o altar, o palco da reunião. E o silêncio, e a água.
A água que corre e inquieta o repouso, no espaço improvável que se abre para o exterior, a água que não pára de correr, a pia baptismal, no alto se abre um espaço magistral, no topo a luz, olha-se para cima e avista-se o reflexo que desce por ali abaixo e nos retorna à realidade que por aqui acontece, onde se está e apetece.
Em recolhimento a outra saída, as salas onde se faz confissão, nas são confessionários, são espaço desenhado onde se convida a entrar, e de novo lá dentro, o silêncio.
De fora o convite da escada, que nos leva a outra entrada, a praça que surge e de novo a contemplação, é o edifício que se ergue, que pousa nos céus e marca assim a sua posição. A praça abre-se ao centro, espreita para baixo, há mais uma entrada que nos convida para dentro.
E enfim a casa mortuária, a janela perversa que se abre para a sala, de repente um caixão, a outra realidade, o espaço que se vive e reconhece, que se teme e aqui já nada apetece.
De novo a saída, o afastamento que se faz olhando para trás, a peça ergue-se satisfeita, lá do alto avistando-se onde quer que se esteja. Assim marca o sitio, ao longe e ao perto tudo faz sentido, tudo se entende num edifício diferente, uma visão particular, entre a genialidade de Siza e a beleza do lugar. “
















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1 indigente // Jan 23, 2007 at 7:21 pm
um monumento pagão feito icone religioso…
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