O momento Zen é da responsabilidade da fotografia de Fernando Guerra, em video fica o Pavilhão de Anyang, na Coreia do sul…
Archive for February, 2007
Das intenções ao projecto foi um pequeno passo.
A ideia surgiu de um executivo de Las Vegas, David Jin, e resumia-se à possibilidade de caminhar sobre o Grand Canyon, ficando em suspenso cerca de 130 metros acima do Colorado River, literalmente suspenso, sobre 10 finos centímetros de vidro.
Em forma de ferradura, uma magistral plataforma haveria de se projectar 21 metros para fora do penhasco, convidando assim os destemidos ao mais arrojado exercício de contracção abdominal que não se encontra num parque de diversões, e convidando também os menos corajosos a passar um bom bocado a observar a paisagem avermelhada numa pequena cidade temática carregada de alusões aos antigos westerns.
A ideia não foi consensual entre a tribo Hualapai, sobretudo entre os mais velhos, mas o investimento foi feito, e com a ajuda da Lochsa Engineering entrou finalmente em execução.
Os primeiros esboços eram optimistas relativamente ao desenho da plataforma que dificilmente se poderia desenhar numa base tão elegante, o desenho de estrutura foi moldando as intenções, e chegada a obra podem ver-se finalmente as primeiras imagens deste particular devaneio à Americana.
O nome será Grand Canyon West, e incluirá agora Hotéis e restaurantes e um campo de golf, tornando as primeiras intenções de “uma pequena cidade temática” infrutíferas face à necessidade de capitalizar o investimento, algo que continua a dividir a opinião dos Hualapai, uma vez que tende a tornar-se num fashion playground, o que poderá afastar o turismo.
É um desafio americanizado aquele que se propõe na observação do fenómeno de complementaridade entre o turismo e o lugar, que suplanta o mero desfrute da paisagem para se tornar num exemplo de como o dólar, neste caso, é mais forte do que o exercício da arte propriamente dito, e terá sempre de se situar a montante e a jusante das boas intenções que antecederam o projecto (se é que elas alguma vez existiram).
via: archidose

Assim decorreu a noite dos Óscares, entre a habitual meia dúzia de injustiças, os resultados não se estranham de maneira nenhuma.
Um piscar de olho a Little Miss Sunshine (Uma Família à Beira de Um Ataque de Nervos) e a Alan Arkin que apesar de merecer o prémio menos do que Djimon Hunsou (Hunsou ‘faz’ o papel para Di Caprio em “Blood Diamond” e desfila com uma intensidade impressionante, enquanto Arkin não deixa de ser uma presença mais discreta do que Steve Carrel por exemplo), e uma nota para como Jennifer Hudson e Forest Whitaker personificaram o American Dream (e se Whitaker o merecia, Hudson nem tanto).
Impossível não ter sorrido com a postura magnifica de Ennio Morricone ao receber o Óscar e a falar no seu Italiano, com a humildade que tantas vezes falta aos génios, e por fim, a maior das injustiças, pelo segundo ano consecutivo não venceu o melhor filme, prémio para The Departed (Entre Inimigos) e Babel a contentar-se com a Banda Sonora. Foi Pouco.
ACTOR
Forest Whitaker
ACTOR SECUNDÁRIO
Alan Arkin – Little Miss Sunshine
ACTRIZ
Helen Mirren – The Queen
ACTRIZ SECUNDÁRIA
Jennifer Hudson – Dreamgirls
ANIMAÇÃO
Happy Feet
REALIZAÇÃO
Martin Scorsese, The Departed
DOCUMENTÁRIO
An Inconvenient Truth
FILME ESTRANGEIRO
Das Leben der Anderen (Alemanha)
MÚSICA
Gustavo Santaolalla, Babel
CANÇÃO ORIGINAL
An Inconvenient Truth: “I Need To Wake Up”
FILME
The Departed
ARGUMENTO ADAPTADO
The Departed
ARGUMENTO ORIGINAL
Little Miss Sunshine

É de desconfiar quando um realizador entende despejar quilos de informação no inicio de um filme. Regra geral, o método acaba por implicar uma espécie de “vamos lá a despachar isto” e depois assiste-se a um vendaval de emoções que vão, aos poucos, conferindo sentido à informação que se recebe a martelo, podendo a coisa resultar num sucesso tremendo ou numa amálgama resultante da desfuncionalidade na dosagem de pistas e o tempo de concretização.
Smokin Aces começa muito mal, numa confusão de personagens, relações e narração, melhora e muito quando finalmente entra em velocidade de cruzeiro em direcção ao fim, e, é genial, quando acaba. O ritmo frenético com que se desenrolam os ultimos 20 minutos, entre os pisos de um hotel e com um elevador como veículo para a perdição, farão Tarantino piscar o olho ás balas, ás motoserras, à classe de Jeremy Piven e Ray Liotta e ao autêntico deslumbre que é ver Alicia Keys no papel de Bad Girl, e que permite a Joe Carnahan, realizador, continuar nesta perseguição simpática ao próprio Tarantino .
O filme não é propriamente um fan-boy-piece, e apesar da péssima avaliação de 27% no Rottentomatoes.com, saca um satisfatório 6.6 no IMdB
Um brilhante exercício de forma e tectónica, desenhado pelo gabinete Austríaco Maaars, onde sobre um embasamento massificado em betão se construiu, em 9 dias apenas, o programa de uma casa propriamente dita, com o inerente bom gosto que a construção em madeira confere a uma habitação.
É a outra reflexão, o ponto de vista meramente monetário posto em prática através do bom gosto formal e da competência técnica da execução, e que, espero eu, possa dar que pensar a todos os que sonham com habitações de luxo, construídas a partir da arrogância da cofragem indiscriminada de cima abaixo, com orçamentos endividatórios e com resultados que sabemos serem tão diferentes daquele que aqui se apresenta através da objectiva de Bruno Klomfar.
Perdida num bosque, algures entre a classe da madeira e a descrição do vidro.

> Via Inhabitat

Este chega via Less is more mess is bore (vale a pena visitar, sem complexos e atento) e é um daqueles trabalhos que enchem o imaginário de qualquer artista de espirito aberto, numa técnica em nada diferente da criada por Mario Cesariny (do Cadáver Esquisito) que aqui se apresenta através de uma escala planetária num desfile brilhante de sensibilidade
Esta peça será verdadeiramente ‘priceless’

(não é o primeiro e certamente não será o ultimo despertador a aparecer por aqui)
Não há nada de mais enervante de manhã, do que o ritual de “acordar” ao som do chato “snooze” ou de uma qualquer rádio, citadina ou regional, que para lá da boa vontade com que ininterruptamente prossegue a sua emissão, nunca nos consegue brindar com uma música verdadeiramente entusiasmante para iniciar o processo de descolagem do lençol.
Daí, revolta das revoltas, reage-se com má vontade para com o pobre despertador (em alguns casos com indigna violência, desconfio que é por isso que o preço destes objectos subiu em flecha nos últimos anos – é que normalmente duram pouco) e o dia lá se inicia com este momento zen de “ó-filho-desculpa-lá-mas-alguém-tem-de-levar-um-calduço-por-eu-ter-de-me-levantar”.
Por pura malvadez (e puro bom gosto também) a Home Couture resolveu desafiar as leis da tirania matinal e concebeu este despertador com base em ventosa de sucção, que por mais que se agrida acaba sempre por levar a melhor, e pior, por continuar a debitar o alarme em decibéis simpáticos, de três tons à escolha: Galo, Cuco ou Bip-Bip.
22 Dólares, vale a pena tentar

Um dos mais inteligentes pensadores dos tempos modernos faz uma incursão pela escrita sobre a actualidade, percorrendo sectores diversos da nossa sociedade, da Itália de Berlusconi, ás guerras que nos assombram a existência, Umberto Eco faz uso e abuso da sua magnifica escrita para nos mostrar o que de mais importante nos ofereceu nos últimos 5 anos.

A noticia chega via A barriga de um Arquitecto e cai por aqui que nem uma bomba de alegria, não pela referência (mais uma) à obra de Álvaro Siza, mas sim pela imagem que nos remete ao mestre, e que ilustra a capa da edição 752 da revista Casabella.
O Fernando Guerra está de parabéns, e hoje é um dia feliz por aqui também.

E o que é uma casa senão o sitio onde te permites ser aquilo que a imaginação entenda fazer contigo?
O sitio onde te escondes, onde ninguém te encontra. Aquele ponto suspenso algures num território que forras com recordações por dentro, e que reconheces por fora, à distância.
Onde te encontras e ocasionalmente te perdes.
Do quarto para a sala, daí para a cozinha, e em todos os espaços que a estes se somem, onde as impressões digitais se cravam nas paredes. Quadros invisíveis que renovas a cada dia e que acabas sempre por pintar por cima.
O lugar das somas e subtracções, das divisões e multiplicações que somas ao longo da vida. O altar das tuas lágrimas, o livro dos teus sorrisos, capítulos que se sucedem de cada vez que abres a porta. Para entrar, ou sair.
Pouco importam os alçados, eles são a expressão simples da permissão que ofereces ao mundo dos outros de ser avistado por dentro do teu, mas que não evita a inconveniência insistente de te olharem de forma indiscreta.



É em casa que te estranhas, onde te entranhas.
O diário capta a imagem que ocasionalmente voltarás a recordar, com saudade ou desdém, não podes escolher.
Como um camaleão ao contrário que teima em ser diferente do restante ambiente, é na imagem exterior da tua casa que te vão reconhecer. E onde acabas por te identificar.
Do iglô à palhota africana, todos sabem quem és.
E no fim acabas sempre por subir a escada, mudar de roupa e preparar o descanso.
Desliga a televisão, amanhã é outro dia.












Para lá das palavras, a magnifica fotografia de Fernando Guerra








