Sobre a Trienal de Arquitectura de Lisboa

TAL

Há, no exercicio da profissão de Arquitecto, uma desconfiança (usando o termo leve) crónica relativamente ao trabalho desempenhado por este ou por aquele colega de trabalho.

Percebe-se, e relativamente ao assunto há que guardar alguma condescendência. O oficio é duro, as condicionantes são muitas, e o trabalho verdadeiramente entusiasmante pertence a uma elite restrita que de uma forma ou de outra se vai mantendo embalsamada nas repetidissimas publicações em papel, doença crónica que tem vindo a ser contrariada, a custo, por alguns blogs e por algumas iniciativas académicas, que regra geral mais não são do que fruto do entusiasmo tipico que envolve o jovem estudante de arquitectura em estado puro de pré-desilusão em relação ao mercado de trabalho.

Foi anunciado no passado dia 26 de Janeiro, na sede da Ordem dos Arquitectos, a primeira edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa.

Imediatamente se levanta uma considerável superficie de protesto contra a organização, os escolhidos, os seleccionados, as iniciativas, os concursos, o sitio web, o blog, o Presidente da Câmara, o fim da Experimenta Design 2007 e por aí adiante.

Pessoalmente não tenho opinião formada. Conheço relativamente pouco acerca da obra e da inteligência da selecção dos responsáveis, não sei se o Pavilhão de Portugal é o melhor espaço para se fazer acontecer um evento desta envergadura, desconheço se o concurso de idéias poderá realmente constituir uma mais valia para a adesão da população, de web design percebo muito pouco, de blogs a experiência é recente, por norma não comento politica e relativamente à Experimenta Design 2007 tenho a dizer que lamento profundamente que o subsidio prometido não tenha chegado.

Dito isto.

Por todos os portugueses que continuam mal educados relativamente ao bom gosto e contemporaneidade da arquitectura portuguesa; Por todos os jovens arquitectos, recém-licenciados, estagiários ou meros estudantes universitários que nestas coisas de Bienais e Trienais “ouviram dizer” que há uma coisa do género em Veneza; Por todos os arquitectos que sonham com a possibilidade de haver uma publicidade competente à profissão que exercem e por todos os leigos que continuam a comer gato por lebre por cada espécie de revista da especialidade que adquirem no esforço de se inteirarem acerca do que se faz no ambito da prática, congratulo-me por, finalmente, existir tempo e espaço para a arquitectura num evento em grande escala ao qual a adesão será, sem sombra de dúvida, muito boa.

O resto é mais do mesmo, para lá da justeza da critica ou do necessário apontar de dedo, ou da incompetência dos seleccionados, o resto que se guarde para outro tempo, para outro espaço. O importante é que não sejam os arquitectos a fazerem de antropófagos de si mesmos.

E se eventualmente assim não for, no final se verá, vamos pelo menos dar uma oportunidade à arquitectura portuguesa de se mostrar ao povo.

4 Responses to “Sobre a Trienal de Arquitectura de Lisboa”


  1. 1 Polegar

    o primeiro filho é sempre aquele em que se deposita muita expectativa, sempre foi assim, e ainda bem…
    Fazer é caminho para se fazer melhor…
    Abraço

  2. 2 Ivo Sales Costa

    Resposta oportuna a alguém que merece da parte do autor deste blog um pouco mais de consideração do que aquela que tenho demonstrado:

    Polegar (de entre todos os dedos da mão foste logo escolher o que teima em ser o código de dados do homem, e ainda por cima é o mais pequeno de todos… desconfio que o tipo seja aquele gajo meio feio/meio bonito que de uma maneira ou de outra todos os outros dedos- que até tem mais falanges e mais ossos- gostavam de ter sido um dia), eu trabalho à noite – e de dia – pelo que é muito complicado de estabelecer um daqueles diálogos em que normalmente começamos a falar e quem está à volta não percebe nada mas que nós nos entendemos perfeitamente, coisas de quem pensa mais depressa do que consegue falar (maldição da qual me não consigo libertar) e que podem durar horas e horas (pelo menos assim foi de 20 para 21 de Maio, conversa que de resto estará aberta durante o tempo que o tempo deixar).
    Vamos lá a ver quando consigo libertar-me um dia para passarmos de novo ali por belém, ali para os lados do “Maratona CLube de Arquitectura”, é que a corrida acabou e eu não dei por ela ter sequer começado…
    Caraças para as saudades.

  3. 3 Marco da Silva Lopes

    Que o contacto se mantenha escasso, mas visivel…
    Esta vida não é nenhum ensaio geral, é já a estreia e unico dia em que decorre, não quero que me apreceba que estou no ultimo acto e pensar que devia ter participado mais com as personagens do primeiro, segundo actos.
    Nunca tive uma agenda, mas acredita que a saudade tem criado em mim perioridades uma agenda do peito e do respeito…

    Abraço

  1. 1 Arquitectura.pt