Aspirina Light

Nuno Grande e Pedro Gadanho - Casa em Carreço

February 13th, 2007 · 8 Comments

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Casa no Carreço

E o que é uma casa senão o sitio onde te permites ser aquilo que a imaginação entenda fazer contigo?

O sitio onde te escondes, onde ninguém te encontra. Aquele ponto suspenso algures num território que forras com recordações por dentro, e que reconheces por fora, à distância.

Onde te encontras e ocasionalmente te perdes.

Do quarto para a sala, daí para a cozinha, e em todos os espaços que a estes se somem, onde as impressões digitais se cravam nas paredes. Quadros invisíveis que renovas a cada dia e que acabas sempre por pintar por cima.

O lugar das somas e subtracções, das divisões e multiplicações que somas ao longo da vida. O altar das tuas lágrimas, o livro dos teus sorrisos, capítulos que se sucedem de cada vez que abres a porta. Para entrar, ou sair.

Pouco importam os alçados, eles são a expressão simples da permissão que ofereces ao mundo dos outros de ser avistado por dentro do teu, mas que não evita a inconveniência insistente de te olharem de forma indiscreta.

Casa no Carreço Casa no Carreço

Casa no Carreço Casa no Carreço

Casa no Carreço Casa no Carreço

É em casa que te estranhas, onde te entranhas.

O diário capta a imagem que ocasionalmente voltarás a recordar, com saudade ou desdém, não podes escolher.

Como um camaleão ao contrário que teima em ser diferente do restante ambiente, é na imagem exterior da tua casa que te vão reconhecer. E onde acabas por te identificar.

Do iglô à palhota africana, todos sabem quem és.

E no fim acabas sempre por subir a escada, mudar de roupa e preparar o descanso.

Desliga a televisão, amanhã é outro dia.

Casa no Carreço

Casa no Carreço

Casa no Carreço

Casa no Carreço

Casa no Carreço

Casa no Carreço Casa no Carreço

Casa no Carreço

Casa no Carreço

Casa no Carreço

Casa no Carreço
Casa no Carreço

Casa no Carreço

 

 

Para lá das palavras, a magnifica fotografia de Fernando Guerra

 

Tags: Arquitectura

8 responses so far ↓

  • 1 arquimedes // Feb 13, 2007 at 8:34 pm

    Excelente exercício formal … diria mesmo: magnífico!

    … penso q ainda faltam colocar umas guardas e tal ( à arquitecto) com uma métrica q não vai estragar de certeza os volumes apresentados. Além do mais, vai tornar o objecto mais real e menos “fotorealista”. Tá mesmo a pedir umas guardas não só de protecção, como tb formal … são as cordas de uma arpa para se obter a música perfeita …

    excelentes fotografias …

    Arquimedes

  • 2 bloody mary // Feb 14, 2007 at 1:21 am

    EM Carreço…e as fotos nunca exemplificarão a realidade da casa…as fotos sao falaciosas…foram tiradas mesmo no momento certo(?)…quando a casa tinha sido acabada…e estava vazia…ou seja ..ainda nao cumpria o seu proposito…pk e que os arquitectos tem a mania de tirar as fotos sem as pessoas e as suas coisas?

  • 3 arqblog.com // Feb 15, 2007 at 11:40 pm

    Penso que a “mania” de tirar fotos sem as pessoas e as suas coisas reside numa questão de purismo da forma arquitectónica. Em portfolio, o arquitecto opta por apresentar apenas a sua obra como ele a idealizou. Estou certo que se ele desenhasse ou escolhesse o mobiliário e a sua disposição, também constariam na imagem para o seu portfolio. Na maioria dos casos, tal não acontece por decisão do cliente embora também possa acontecer por opção do arquitecto.

    Concordo que as fotos nunca exemplificarão a realidade da casa. Eu considero extremamente difícil avaliar arquitectura por fotografia, renders, etc. Não há nada como uma visita e uma boa conversa.

    Seria sem dúvida interessante ver a casa com “o recheio”. A fotografia abre o apetite para saber mais, desperta a curiosidade. Porém, já vi muito recheio em completa dissonância da arquitectura e isso compreende sempre um risco, como factor não controlável pelo arquitecto. Existem relatos de que com Frank Lloyd Wright a coisa era mesmo como ele queria… mas pronto.

    Indepentemente disto, quando se expoe uma habitação tal como é habitada, expoe-se também em parte a vida privada dos seus ocupantes, o que não deixa de ser interessante, enquanto dimensão humana da arquitectura. Mas pode ter outros interesses mais obscuros…

    Os meus sinceros parabéns ao bloguista pelo remédio santo!
    Um abraço,
    Vasco Rola

  • 4 Tino_de_Rans // Feb 15, 2007 at 11:49 pm

    Só pra dizer que andei na escola onde o Fernando Guerra dá aulas…mas nunca o vi. :)

  • 5 Luisa // Feb 17, 2007 at 11:27 pm

    Não há dúvida que as fotografias são muito boas, mas a visita à casa é indispensável e vai ser para breve, visto eu morar em Carreço. Convém dizer que a envolvente ajuda muito :)

  • 6 Miguel Veiga // Feb 23, 2007 at 12:43 pm

    Bela construção;

    Gostaria, se possível, de saber se a caixilharia em questão é de fabrico nacional?
    A minha questão prende-se com o facto de a minha actividade profissional ser precisamente na área de caixilharia de Madeira, com fabrico Nacional.
    Peço desculpa pelo abuso na utilização deste canal como meio de publicitário, mas gostaria de disponibilizar os nossos serviços para o apoio de qualquer projecto que utilize este tipo de produtos.
    Sugiro a visita ao nosso site http://www.macica.pt e para outras questões o e-mail mveiga@macica.pt .

    Cumprimentos;
    Miguel Veiga

  • 7 Arquitectura.pt // Mar 18, 2007 at 4:31 am

    Nuno Grande e Pedro Gadanho - Casa em Carreço [ AspirinaLight.com ]…

    Artigo completo publicado em http://www.AspirinaLight.com

    http://www.fernandoguerra.com/carreco/source/image/carreco_004.jpg

    ” E o que é uma casa senão o sitio onde te permites ser aquilo que ……

  • 8 contornus // Jun 5, 2007 at 4:16 pm

    Um reflexão e instrospecção acertiva!
    que tomei a liberdade de divulgar no meu blog.

    A apresentação que assisti apresentada pelo Arqº Pedro Gadanho na Trienal de Arquitectura |Vazios Urbanos foi simplesmente fantástica, guardo-a com especial apreço

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