Aspirina Light

Fernando Dacosta - Máscaras de Salazar

April 24th, 2007 · No Comments

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O frenesim recente em torno do ditador leva-me a comprar dois livros sobre o homem. Num deles, que não vou revelar qual foi, uma história bem escrita a partir de um ponto de vista não influenciado do autor relativamente ao assunto leva-nos a uma viagem rápida pela história do Estado Novo, onde a figura de Salazar é tratada com um paralelismo notável, sem muito tocar na pessoa, mas antes, no contexto em que se vivia. E resulta francamente bem. No outro, Fernando Dacosta, o autor, cuja genialidade não contexto, resolve debitar factos, noticias, palavras escritas avulso e outros devaneios naquilo que procura ser um livro de assento sobre as idéias que guarda relativamente ao periodo sobre o qual escreve.

Mal. E aqui residem a maior parte das debilidades dos autores portugueses. Fernando Dacosta é sincero ao ponto de dizer que não escreve um romance, antes, escreve uma série de textos sem organização ou valor cronológico que procuram factualidade através da leitura. Ou seja, aquilo que Dan Brown fez quase bem no código, Dacosta faz, francamente mal, em Máscaras de Salazar. O fenómeno em torno da popularidade do livro deveria ser suficiente para levantar na nossa sociedade (e na nossa cultura também) a questão fundamental que a votação recente invocou: Estamos assim tão desesperados pelo regresso ao passado que até a relativização da repercursão da ditadura em Portugal vale para o efeito?

Tags: Livros

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