Aspirina Light

Mundo Cão, sobre o rock português

May 18th, 2007 · No Comments

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Arrebatador.

Sabe bem ouvir rock de qualidade em português. As recentes incursões pela nossa lingua demonstram que as décadas consumistas de produção internacional nos roubaram a capacidade de considerar projectos falados em português, de Portugal entenda-se.

O cinema deu saltos de gigante com Alice (Marco Martins) e Coisa Ruim (Tiago Guedes e Frederico Serra) e bem ou mal a televisão vai-se habituando a ver o corropio de actores e quase actores (e gente bonita que gostava de representar) a desfilar diariamente em horário nobre. É Nobre.

A música nunca perdeu a esperança, projectos em português foram sempre uma referência na nossa cultura que está impregnada do contributo de autores e compositores, em grupo ou a solo e em estilos para todos os gostos. O rock bem ou mal teve sempre direito ao olhar de soslaio por parte de quem na musica deveria apostar, não que a produção não se faça com qualidade mas o estilo foi quase sempre dominado por referências que datam de há anos, décadas, que com o tempo se tornaram em peças de coleccionador, e há quem ouça os GNR, Xutos, Rui Veloso ou os UHF.

Nos últimos anos surgiu a febre do inglês, bem desmascarada (e mal amada) por Sam The Kid no recente “Pratica(Mente)”. Rock que de resto, para todos os efeitos, reacendeu-se no final dos anos 90 com os Silence 4 e os Blind Zero a disporem o seu talento à internacionalização. A vertiginosa ascenção do grupo de David Fonseca e o legado que os nortenhos vão construindo ano após ano levaram à explosão recente de mais e mais projectos em inglês, culminando com os Fingertips.

Existe depois a face verdadeiramente qualitativa do rock em português que nunca deu o salto para a merecida spotlight. Ornatos Violeta e Mão Morta tentaram o salto mas não havia click porque faltava abertura suficiente à aceitação.

O esforço de Manel Cruz deu em… pouco. Em 2002 terminavam os Ornatos Violeta, seguiram-se os Pluto que nunca atingiram a raiz genuína do pecado original, ficando inteligentemente reservado o legado para os paralelos Supernada. Adolfo Luxúria Canibal vai conseguindo desdobrar o seu talento por outros projectos que têm agora espaço suficiente para realmente acontecerem.

O primeiro trabalho dos Mundo Cão é uma surpresa arrepiante. Pedro Laginha, Actor (actor, ponto) também canta, e canta muito bem. A guitarra e o baixo tocam no ponto e a bateria acompanha-os com o requisito necessário de análise psicanalista que o rock descomplexado confere quase sempre à percussão.

Sem rótulos, com muito para nos contar, o álbum é fantástico.

Mundo Cão, Mundo Cão

Mundo Cão

Tags: Música

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