
Entrevista recente de Helena Roseta à publicação Domingo (nº 10224) da passada semana conta com vinte e nove questões feitas à bastonária da Ordem dos Arquitectos, que quer ser também presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
Em vinte e nove questões, por uma vez apenas Helena Roseta é solicitada a falar abertamente sobre arquitectura:
“Há muito que o urbanismo é o que lhe atrai na Arquitectura?
No primeiro dia de aulas da faculdade, um professor da Escola de Belas Artes perguntou-me qual era a razão de eu ter escolhido o curso. Respondi que queria resolver o problema da habitação em Portugal.”
Convenientemente nobres as intenções da adolescente Helena acrescento eu.
Existe uma tendência apressada do nosso povo em correr para o primeiro lugar sentado. Uma espécie de cansaço crónico que nos leva a procurar assento no primeiro momento disponível para descanso. O paralelismo imediato para com os lugares de destaque público é por demais evidente. Basta lembrar que há cinco anos apenas, Valentim Loureiro, hoje arguído num dos principais processos judiciais da nossa praça, liderava para além da Câmara Municipal de Gondomar, a Metro do Porto e a Liga de Clubes Profissionais de Futebol. Uma única pessoa presidia a uma das maiores autarquias do norte do país, à empresa responsável pelo mais importante esquema de transportes públicos a norte do país e à entidade reguladora da competição desportiva que mais capital injecta na nossa economia.
Hoje, Roseta, propõe-se como presidente à mais importante autarquia do país enquanto lidera aquela que será a Ordem profissional com maiores problemas para resolver no que ao mercado e condições de trabalho dos associados diz respeito. Neste país. Fez Helena questão de entregar o cartão do PS mas não colocou o lugar na Ordem à disposição.
É fácil perceber porquê. Sabe que não pode vencer Lisboa e sabe também que passado o mês de Julho poderá voltar tranquilamente para o Cais do Sodré desenvolver a sua actividade como Bastonária.
Aqui o problema exclui-se da pessoa para passar a constituir base no sistema que permite tamanha manipulação no desempenho de cargos públicos, com o consequente prejuízo para todos aqueles que dependem profissionalmente de uma gestão equilibrada da entidade que deveria ser um garante de apoio no desempenho e salvaguarda dos direitos da respectiva profissão, nesse sentido a Ordem dos Arquitectos continua a somar infelicidades na forma como vai dando ênfase ao célebre dito de Souto Moura, “O arquitecto é antropófago. Alimenta-se de si próprio”.
A coisa ganha outra dimensão quando atentamos no facto de que hoje em dia se acumulam cargos e cargos nos ombros de uma só pessoa para quem um dia com 48 horas seguramente não serviria para desempenhar as suas funções com exemplaridade num deles apenas. A tendência é para se tornar cada vez pior.
Nota: Em meados de 2003 o Arquitecto Pedro Mendes foi obrigado a mudar uma conferência de apresentação no edifício sede da Ordem do auditório para uma apertadíssima biblioteca onde metade dos presentes foi obrigada a abandonar o recinto por manifesta falta de condições da sala para um evento do género. Na altura, mesas, estantes, bancos, tudo serviu para tentar acompanhar a apresentação com um mínimo de dignidade. Nesse dia a conferência teve início no auditório mas foi transferida para a biblioteca uma vez que iria acontecer de urgência uma reunião da administração. Sentaram-se, para a dita urgência, 12 pessoas num auditório com capacidade para o triplo enquanto que na sala ao lado um profissional convidado pela organização se viu obrigado a apresentar alguns dos seus trabalhos em condições deficientes. Esperemos que daqui por dois meses, quando voltar para o seio dos Arquitectos, Helena Roseta entenda que nós não pedimos tanto esforço como Lisboa, pedimos apenas a estima de quem foi eleito para trabalhar por nós.
















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1 Marco // May 30, 2007 at 7:00 am
Como já tinha manifestado no post anterior no meu comentário concordo , assino e digo mais os arquitectos são feitos do futuro , com “um presente” assim (nos dois sentidos da palavra)chegamos a conclusão que para se ser arquitecto tem que se estar com alguem que nos sustente … já dizia uma amiga minha (nossa)
Abraços
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