A capela desenhada pelo arquitecto Suíço erigida perto da aldeia Alemã de Wachendorf é dedicada a um agricultor da região que terá vivido no século XV cuja história de vida o tem vindo a considerar como candidato a canonização.
A estrutura constitui um marco territorial com 12 metros de altura, construída pelos habitantes locais através de um processo rudimentar de cofragem do betão que constitui a estrutura base do monolito. Durante 24 dias, todos os dias, os locais subiam 50 centímetros à construção. O interior da estrutura de suporte, constituída por barrotes de bambu dispostos na vertical foi finalmente queimada e as bases orgânicas que sustentavam a parede exterior acabaram cristalizadas num processo de homogeneização do interior resultando num acabamento belíssimo, cujas imagens não abundam (fazendo eu aqui voto de confiança na explicação apresentada pelo professor Manuel Mateus algures durante uma aula de projecto - enquanto invejava a jovialidade mental de Zumthor).
Perdida algures entre o génio de Zumthor e a experiência tectónica, a Bruder Klaus Chapel faz arquitectura.


















4 responses so far ↓
1 tiago borges| des-conexo.blogspot.com // Jun 21, 2007 at 5:08 pm
Tive a oportunidade de assistir a uma conferência de Peter Zumthor na EPFLausanne (Suiça)- pelos corredores comentava-se que era uma “oportunidade única” porque as conferências dele eram muito raras.
Não guardo muitas notas escritas da conferência porque a destreza oral e o modo como Zumthor montou a apresentação foi notável e cativante, ao ponto de não poder perder um segundo da conferência a tomar apontamentos.
Zumthor, ao falar do projecto da Bruder Klaus Chapel, sublinhou a dificuldade que tinha em saber se o resultado seria o que o projecto previa, mas não mostrava grande preocupação. Estava muito confiante.
De um lado a postura do arquitecto que tudo prevê e desenha, do outro, Zumthor, a dizer que não sabia muito bem como ia ficar, mas que a ideia era aquela! (enquanto mostrava fotos de amostras de chão conseguido através de chumbo derretido)
Sobre o processo “rudimentar” de construção, podemos ver as marcas horizontais na capela resultantes dos vários momentos de enchimento da cofragem,(os tais 50 centímetros por dia!).
Creio que o betão era também composto de algumas matérias do solo daquela região o que lhe conferia outra tonalidade.
Na altura anotei o termo “artesanal” no meu caderno sobre esta capela. Belo momento aquele com o Zumthor!
2 João Sousa // Jun 23, 2007 at 2:22 am
partilho totalmente da opinião do Tiago Borges!
Também tive a oportunidade de no ano passado assistir a uma conferência do Peter Zumthor em Bruxelas na Bélgica. E foi impossível não ficar deliciado com a humildade de um homem por entre imagens, aguarelas de novos projectos, nos ia mostrando o seu próprio atelier, abordando a audiência de uma forma bastante informal.
Este projecto foi precisamente aquele que mais me marcou durante todo o seu discurso. A forma como foi levado desde a idealização de um espaço sagrado até às formas de materialização do mesmo. Através de sistemas artesanais, quase primordiais da construção, que no final acabam por se transformar em lugares míticos, que nos apelam aos sentidos.
É sem dúvida uma obra de referência. A arquitectura que se constrói como uma escultura, que vive da sua simplicidade formal e riqueza existencial.
abraço
3 Chi-Yi Chang // Aug 24, 2007 at 4:04 pm
Could you kindly show me the address of Bruder Klaus Chapel - Peter Zumthor? Thank you very much.
Chi-Yi Chang, E-mail:chiyi@ms1.hinet.net
4 kiko // Oct 16, 2008 at 2:29 pm
Também tive a oportunidade de ver a exposição aqui em Lisboa.
A Conferencia foi uma grande aula de arquitectura, onde o arquitecto mostra a sua perspectiva sobre o projecto e consegue conjugar muito bem a forma de apresentar com os fantásticos desenhos a mão levantada.
Realmente não a tempo para apontamentos, ele consegue atrair a atenção de todos, desde o aluno do primeiro ano de arquitectura que estava ao meu lado aos melhores arquitectos portugueses que estavam sentados a frente, estavam todos com a atenção em tudo, e se sentia que tudo aquilo era muito importante na abordagem de um método de trabalho e conhecimento a cima da media de Zumthor.
Acho que qualquer arquitecto hoje em dia deveria passar por uma experiencia como esta, oportunidade de ver uma atitude pura e muito conceptual da arquitectura.
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