Conversa agradável com um colega de curso resulta num rasgado elogio à minha escrita aqui pelo aspirina.
Até aqui tudo bem, pior o que se seguiu. Uma chamada de atenção sobre opinião recentemente aqui publicada acerca da Ordem dos Arquitectos, mais precisamente da sua bastonária. Num ápice fala-se em Fernando Charrua, o professor suspenso e aí a conversa esfria. Esfria porque os alertas se sucedem.
Pessoalmente não percebo porquê.
Portugal, mesmo após eleição de Salazar como o melhor e o pior português de sempre no espaço de uma semana, continua a ter reminiscências fascistas extraordinariamente absurdas. E é aqui que a coisa se torna perigosa. O domínio politico sobre o povo faz-se sentir hoje de uma forma que de maneira nenhuma me faz ponderar sobre o conceito de liberdade, mas sim sobre o quão responsáveis somos do estado de marasmo em que o país se encontra. A politicodependência assume-se a partir do povo e do consumo compulsivo que se faz de tudo quanto tenha relação com o tema. O protagonismo de quem se desfila por partidos e ministérios é conquistado a partir da barricada popular e não através do cargo que se ocupa. E aí ganha, o politico, o seu momento.
Vejo Nicolas Sarkozy surgir em publico após a cimeira do G8 em estado de alegria vinícola bastante assinalável. Agradável até. A França moderada explode na terça-feira, debate o tema na quarta e na quinta. Menos de uma semana depois o país parte para outra. Deixa os copos de Nicolas para segundo plano e preocupa-se com o rumo politico que o novo primeiro ministro, François Fillon dará a um país que apesar de próspero se debate com problemas graves na integração emigrante e na resolução de uma série de problemas sociais que daí advêm.
Em Portugal, um mês depois, repetem-se os trocadilhos envolvendo o deserto da margem sul, as chacotas de Mario Lino e a repetição do tema até à exaustão. O jornalista repete, o povo consome, investe no tema e fortalece o poder (e não a posição) do politico que se mantêm no caso numa posição de suposta invulnerabilidade criada por outros que não o responsável directo pela sua manutenção no cargo, José Socrates. No fundo nunca houve matéria para fazer perigar Lino no ministério mas a ilusão que envolve a situação cria uma base demasiado forte debaixo do ministro. E do governo também.
Em conversa recente via comentários publicados ao post de Daniel Carrapa na Barriga de um Arquitecto referi que também a nossa blogosfera (desta vez em minusculas) é politicodependente. É porque, e mais uma vez defendo, o fenómeno blog não é mais do que o reflexo do enquadramento socio-politico do blogger e de quem o lê, daí que a politica dificilmente se ausente das nossas discussões e acabe aqui mais uma vez publicada. Pessoalmente não me faz diferença.
Os temas acabam por se tornar avulsos. Aditivos. Discussões que não concluem coisa nenhuma mas que nos dizem que país temos. Há dias Joe Berardo lança uma OPA sobre o Benfica, hoje é capa da Sábado e da Visão (que por isso somente me recuso a ler, tanto uma como a outra, esta semana) e inaugura noticiários. O Comendador diz que o não faz pelo prestigio, e eu concordo. Dificilmente noutro país europeu o desfile de infelicidades que somou desde o anuncio da oferta publica se tornaria tamanho acontecimento. Acontece aqui.
A fechar o exemplo mais feliz para fortalecer a tese de que aqui tudo se sabe poder vir a ser noticia, por mais patético que seja. O momento pertence a Telmo Correia, Paulo Portas limita-se a torná-lo ainda mais surreal.
São a amostra dos responsáveis pelas decisões em Portugal. Dóceis, não assustam ninguém…
















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