Aspirina Light

Sobre o admirável mundo do companheirismo

July 14th, 2007 · 5 Comments

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Férias no sul do país e um clima que apetece ficar acordado até ás tantas a desfrutar o calor que dura até de madrugada.

Quinta-feira ultima e a dúvida sobre o momento televisivo a acompanhar. De um lado CSI, formato de seriado gasto e muito repetido, do outro os miúdos da selecção júnior atrás da bola. Fico-me pelo futebol que deixei de acompanhar por completo desde que o trabalho começou a apertar.

Não conheço um terço da equipa e a primeira reacção é de espanto pelo quão pobre é a exibição. Não gosto e mudo de canal, volto à bola por duas ocasiões: primeiro o adversário, o Chile, marca golo, depois, no fim, empurrões e puxões, e o insólito de um miúdo que saca o cartão vermelho da mão do árbitro. E do espanto à vergonha é um pulo. A câmara anda por ali a captar a desgraça de um país retratado por onze crianças mal educadas em divulgação televisiva à escala mundial e eis que se centra no treinador: Postura calma e tranquila, a serenidade de quem está em pleno período de descanso do lado de lá do atlântico em uso e abuso do calor que o ambiente solarengo se permite observar via televisão.

Mais um par de minutos e o jogo acaba, arrumam-se as bolas e vai tudo para casa. Com Portugal descubro que vão também nesta fase da prova mais sete federações que, malograda a sua boa educação, saem pela porta discreta. Nós não. Ficamos na boca do mundo pela mão do jovem Zequinha que ‘rapou’ o cartão ao árbitro e pela mão dos restantes que ajudaram a montar uma boa confusão.

No outro lado do filme, firme e pleno de postura, Couceiro lida com a situação com uma pastilha elástica a cair da boca para fora e mão na anca.

E Portugal também é muito isto.

A gloriosa nação onde de um lado temos os que cumprem horários das 9 às 17 (ou às 20) sem multidões a aplaudir e a fazerem o que gostam e o que não gostam ao ritmo da batuta do patronato que se mantém imune a leis, registos e castigos, senhor do seu mundo com autoridade quanto baste para ordenar aos colaboradores como bem entenda e a si se satisfaça. Do outro, os outros. Quem faz o bom e o bonito com a satisfação de o fazer quando quer e pode com os recursos que mais lhe convenham e total imprevisibilidade dos resultados, e permitam-me, desleixo puro e simples pelos mesmos. O lugar está seguro e é agarrado ao ritmo dos disparates.

É fácil, assim.

Nota:  No final da década de 90 a transportadora aérea nacional constituía um dos mais complicados casos de desequilibro financeiro e estrutural com risco evidente de falência, hoje, volvidos 10 anos é um caso sério de boa gestão e saúde económica no plano internacional. Em 2002 a equipa A da federação de futebol distribuiu trapalhice pela Ásia dando uma cambalhota na classificação do organismo máximo que rege o futebol do mundo, 5 anos depois, é vice-campeã Europeia e foi número quatro no ultimo mundial.

Dois casos idênticos. No antes e no depois, no método e na disciplina, no exercicio do poder e na firmeza de posição. Na boa gestão. É mesmo necessário voar até ao Brasil para encontrar quem lá esteja disposto a fazer por cá aquilo que mais ninguém ousa fazer?

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5 responses so far ↓

  • 1 sergiodiassilva // Jul 14, 2007 at 11:43 pm

    Isto não é um post a defender o Couceiro, pois não?

  • 2 Ivo Sales Costa // Jul 15, 2007 at 11:23 am

    andar ás voltas com as letras e não conseguir expressar a ideia é um dilema tremendo…
    Não, não é.

  • 3 sergiodiassilva // Jul 15, 2007 at 12:02 pm

    Também me queria parecer que não, só queria confirmar. Porque o Couceiro cabe na descrição dos que têm o lugar “seguro e agarrado ao ritmo dos disparates”…

  • 4 sergiodiassilva // Jul 15, 2007 at 7:43 pm

    (e chego agora à triste constatação de que costumo ler o blog por causa da arquitectura e só faço o esforço de comentar num post sobre futebol. infeliz, no mínimo.)

  • 5 Ivo Sales Costa // Jul 15, 2007 at 8:44 pm

    Não deixa de comprovar a paixão que ferve no sangue das massas caro Sérgio…
    No entanto este é um espaço onde os temas se lançam de forma avulsa… há a paixão (ou amor, ainda não compreendi bem o sentimento) pela arquitectura, mas escrever com diversidade é o resultado natural do interesse que surge pela abordagem a uma ou outra área, confesso que não me interessa opinar sobre futebol até porque não tenho conhecimento suficiente para isso mas o paralelismo com aquilo que são as práticas correntes do Portugal moderno obrigou à referência.

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