E o tempo de televisão que estas nos oferecem (a ser consumido por programas desinteressantes e telenovelas faladas em Português luso e brasileiro).
Há uma semana tive pela primeira vez a oportunidade de assistir a um episódio do mal afamado “Hora H”. Já antes o olhar tinha descaído para o novo produto de Herman José sem ali ter encontrado substância suficiente para cativar a atenção.
O formato é quase ancestral e surge mascarado por cenários modernos e parafernália técnica suficientemente convincente para que do resultado final se esperasse mais, por mais que Nuno Markl nos tente convencer de que o Hora H está nos antípodas daquilo que se faz esporadicamente na concorrência (mesmo ao nível do Gato Fedorento) a verdade é que dista muito pouco daquilo que foi em tempos a Herman Enciclopédia. Herman, esse, aparece sempre que pode a defender o que se faz naquela hora de produção televisiva com o choque evidente do contraponto assumido pelos criticos e mesmo pelos colegas de trabalho.
E de Herman pouco há a dizer. Reconheço em tudo o que fez a capacidade de ter assinado a responsabilidade pelas mais autênticas gargalhadas que eu e a minha geração foram dando ao ritmo daquilo que nos apresentava. E a herança é hoje fácil de assumir. Despreconceituosa e mais tolerante à exposição dos recantos da sua essência provinciana a sociedade foi permitindo a abertura a outros tipos de humor, mais refinado, diz-se que mais inteligente. Mais ‘British’ e isso fica-nos bem. E também a Herman o devemos, pelo leque de personagens com que nos presenteou e pelas frases que registou para os lugares comuns das conversas de café. Tudo ali passou de alguma maneira a fazer parte de nós e ainda por cá permanece nos dias de hoje, apesar do manifesto desgaste que implicaram duas décadas a dar a cara pelo bom humor dos Portugueses.
E por isso nos afastámos e deixámos de ter paciência para ele. Herman não contribuiu para relativizar o gasto. Ofereceu-se à brejeirice e ao método mais ordinário, mas acima de tudo foi perdendo (porque com ele garantiram o salto para as respectivas carreiras) algumas das caras-metade que o acompanharam sobretudo ao longo da década de 90 (José Pedro Gomes e Miguel Guilherme os casos mais notáveis dessa perda).
Hoje, o Hora H é resultado natural de um autor que perdeu espaço pela ousadia mal medida e pela má aposta que foi fazendo dos seus momentos, incluindo alguns imperdoáveis erros de casting (como foi o péssimo Masterplan) e outros de gestão infeliz da sua imagem (e o uso deficiente de personagens que tinha imortalizado no também, todo ele deficiente, Herman Sic).
Mas diz-se que quem sabe não esquece, e foi preciso esperar quase 10 anos para que me risse de novo com total à vontade de um texto escrito pelas Produções Fictícias ao ser interpretado pelo José. Foi há uma semana, no programa-fetiche da nossa critica televisiva, que se reviveu um misto de “Eu é mais bolos” com um momento normal de Lauro Dérmio, aconteceu assim:
Impecável…
















0 responses so far ↓
There are no comments yet...Kick things off by filling out the form below.
Leave a Comment