Concurso Espaços Habitáveis – A terrivel deliberação…

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No que ao Aspirina diz respeito, a escolha dos trabalhos a concurso está feita.

Não foi fácil perante a qualidade geral dos trabalhos que chegaram ao grupo final mas o processo concluiu-se com o prazer enorme de fazer parte de uma iniciativa que reuniu cerca de 70 trabalhos, alguns com um investimento notável por parte dos autores o que promete uma amostra ao nível dos finalistas e respectivas menções com verdadeira qualidade de prática profissional.

O resultado será anunciado em breve e o Arquitectura.pt acabou por lançar mais uma iniciativa: Os vencedores serão anunciados na revista Arquitectura e Vida.

Para mais informações cliquem no banner:

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Torre em Khanty Mansiysk – Foster & Partners

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A personalidade da marca no lugar constitui um dos limites mais facilmente descontroláveis em arquitectura. Objecto assenta e fica. A sua presença e posterior consideração é resultado da mera capacidade do mesmo em mediar o diálogo que estabelece com o sitio.

O diálogo perpetua-se no tempo e a marca, que não se apaga ou sequer se ignora, transforma-se num aditivo para a paisagem. Um torna-se resultado da capacidade de absorção do outro, é aqui que o ancoramento se resolve.

A Foster, que conta com alguns projectos no já simpático directório do Aspirina, permite-se o disparate de autor. O garante de permissão pelo nome. O nome tem escala global, e isso parece validar qualquer abordagem ao nível da escala, seja ela qual seja.

O projecto para esta torre em Khanty Mansiysk na velhinha Sibéria, funcionará como um poderoso Landmark para uma população que ainda se alimenta de propaganda e ostentação cínica. O cinismo politico que não pode andar de mãos dadas com a arquitectura.

Pelo menos não deve.

Fica o lado positivo da intervenção: promete ser um edifício com vocação de auto suficiência, concebido para privilegiar o ganho da exposição solar tornando as áreas comuns e sociais totalmente iluminadas a partir da acumulação de radiação solar ao longo do dia.

Os meios não justificam, de maneira nenhuma, os fins.

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Casa no Gerês – Graça Correia e Roberto Ragazzi

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O Cávado à beira espreita por entre as árvores que ali se mantém pontuando a paisagem. Uma presença que se entende. Conversam em sossego, firmes pela base, tocando-se, ou não, lá em cima, quando tocam o céu.

Seria dificil encontrar melhor condição para uma casa. Com o devido cuidado da intervenção, faz-se arquitectura discreta em lugar que fala por si e isso é costuma ser caso raro de generosidade.

A casa existe em baixo, surge sem ninguém a notar. Aproveita-se do rio e olha lá para baixo.

A tensão do mergulho.

Diz-lhe que não. Curiosa, fica cá em cima a ouvir o murmúrio das árvores. Aquele solene dançar que se ouve e apetece ficar a ouvir. Convence-se e fica por ali. Também ela solene.

Consegue o melhor de dois mundos, participa de ambos. Também marca o lugar, o ‘x’ marca sempre o lugar, mas não deixa marcas.

É simples. Não foi nada fácil…

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Sobre o túnel do Marquês, e a tolice popular.

Vejo os vivas dados quase unanimemente ao recentemente aberto túnel do Marquês.

Que é uma maravilha entrar em Lisboa vindo daquela zona periférica. Que ficou muito mais fácil a saída rumo às Amoreiras. Que fácil que é fazer aquele percurso até à António Augusto Aguiar.

E porque somos Portugal, a outra posição:

Que é estreito e tem pouca ventilação. Que não tem separadores e é baixo.

A conversa fiada acaba por fazer parte do dia-a-dia de um país que se preocupa muito, muito mais com o todo do que com as partes e o resultado desta dislexia manifesta-se sobretudo ao nível das suas preocupações.

A preocupação com a capacidade de opinar que é inerente a qualquer um e que começa a ganhar contornos épicos no que a dois temas de futuro diz respeito: OTA e TGV.

Opto por não ter opinião. Em país onde de médico, engenheiro, arquitecto, advogado, agricultor, varina, jornalista e mau condutor, todos têm um pouco, faz sentido que alguns se abstenham de discutir o absurdo e de formular teorias fantásticas de como as coisas seriam tão melhores se fossem feitas “À minha maneira” (e se é politico, então existe todo um departamento em back office a decidir qual a teoria a optar para defender o ‘tema X’ – OTA, Montijo, Poceirão, Portela + 1, Portela + 2… um sem número de possibilidades).

Fica, acerca das teses de mestrado e altruísmo provinciano que polulam nos Jornais diários e gratuitos nacionais no que ao Túnel do Marquês diz respeito, um exemplo daquilo que, em Portugal, com estes Portugueses, certamente seria impossível de concretizar. Acontece a anos luz de distância, aqui ao lado, em Espanha: