Vejo os vivas dados quase unanimemente ao recentemente aberto túnel do Marquês.
Que é uma maravilha entrar em Lisboa vindo daquela zona periférica. Que ficou muito mais fácil a saída rumo às Amoreiras. Que fácil que é fazer aquele percurso até à António Augusto Aguiar.
E porque somos Portugal, a outra posição:
Que é estreito e tem pouca ventilação. Que não tem separadores e é baixo.
A conversa fiada acaba por fazer parte do dia-a-dia de um país que se preocupa muito, muito mais com o todo do que com as partes e o resultado desta dislexia manifesta-se sobretudo ao nível das suas preocupações.
A preocupação com a capacidade de opinar que é inerente a qualquer um e que começa a ganhar contornos épicos no que a dois temas de futuro diz respeito: OTA e TGV.
Opto por não ter opinião. Em país onde de médico, engenheiro, arquitecto, advogado, agricultor, varina, jornalista e mau condutor, todos têm um pouco, faz sentido que alguns se abstenham de discutir o absurdo e de formular teorias fantásticas de como as coisas seriam tão melhores se fossem feitas “À minha maneira” (e se é politico, então existe todo um departamento em back office a decidir qual a teoria a optar para defender o ‘tema X’ – OTA, Montijo, Poceirão, Portela + 1, Portela + 2… um sem número de possibilidades).
Fica, acerca das teses de mestrado e altruísmo provinciano que polulam nos Jornais diários e gratuitos nacionais no que ao Túnel do Marquês diz respeito, um exemplo daquilo que, em Portugal, com estes Portugueses, certamente seria impossível de concretizar. Acontece a anos luz de distância, aqui ao lado, em Espanha: