Archive for October, 2007

A casa da vizinha – Conferência de encerramento

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O evento promovido ao longo do mês de Outubro por Nadir Bonaccorso, João Manuel Santa Rita e Carlos Sant’Ana termina amanhã com uma conferência onde participarão Jorge Graça Costa, Eduardo Carvalho (Plano B), Isabel Barbas (Brut Deluxe), Nuno Vidigal (Baixa Atelier) e Pedro Campos Costa.

Será no edifício sede da Ordem dos Arquitectos pelas 21 horas e durante o evento será apresentado o projecto que conclui da melhor forma a iniciativa, uma base de dados nacional sobre projectos sustentáveis, um sítio na Internet que estará online durante o próximo ano com os projectos da exposição e outros entretanto acrescentados.

Interessa dizer que mais uma vez é um evento apoiado pela Connecty, a mesma malta que mantém este estaminé aberto desde à quase um ano, por isso façam o favor de comparecer!

Danish Maritime Museum – BIG

“The solution seeks through minimal means to create maximum functionality and architectural resonance.”

Bjarke Ingels

O Bjarke Ingels Group venceu a competição para o Museu Maritimo em Elsinore, Dinamarca, um edificio de implantação simples numa das inúmeras docas secas que povoam a linha costeira dinamarquesa, com a particularidade de ser vizinho ao Kronborg Castle, património da humanidade, palco do imortal Hamlet, de Shakespeare.

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Camp Nou – Foster and Partners

Foi recentemente divulgada ao público a proposta vencedora para remodelação do Estádio de Nou Camp, Barcelona, que ficará a cargo da Foster & Partners.

A intervenção, que visa o aumento de 10.000 lugares no recinto, baseia-se na aplicação de uma nova fachada em escama de peixe, com peças que introduzem, ocasionalmente, no grande volume, as cores do FC Barcelona.

A disposição das peças deverá alternar de posicionamento entre o dia normal e os dias de jogo, assim como no contraste entre a noite e o dia através da introdução de iluminação de fachada.

Centenas de painéis de policarbonato e vidro colorido serão a face visível de um objecto cuja linguagem exterior se passará a interpretar pela diversidade de cores, sombras e reflexos dinâmicos. A partir do interior o edifício deverá tirar partido da instalação com protecção natural para as chuvas e ambiente exterior, propondo-se ainda uma nova disposição dos lugares e da cumplicidade entre o reduto de jogo e as bancadas.

É absolutamente notável a forma como o raciocínio pretende tirar partido do evento de participação de um estádio num determinado contexto urbano, ao mesmo tempo que se permite reconhecer na intervenção, a linguagem especifica que o objecto adopta, sem perder a raiz do seu propósito.

Fica a expectativa.

Sobre a Igreja da santissima trindade

Que enche agora noticiários. Paredes forradas a ouro, o Cristo na cruz e a belíssima nave modernaça.

Era bom que o país retirasse daqui a única conclusão possível, a de que o melhor projecto não foi construído por puro tique religioso. E durante os anos que estão para vir, a monstruosa realidade será esta:

Assustador.

Porque me parece bem…

Admiro a arbitrariedade da vida animal. As coisas evoluem de um modo natural, sem grandes fatalismos. E é por isso que os bichos se chateiam tão pouco e se limitam a desfrutar daquilo que a existência tem para lhes oferecer.

No entanto tenho dificuldade em lidar com o instinto animal, daí os programas de final de semana em regime pré-almoço nunca me terem criado grandes entusiasmos. Gosto das zebras, não tanto dos insectos, mas não suporto os festivais de canibalismo que por vezes ali são servidos.

E é por isso que me surpreendeu este vídeo achado no youtube. Pela primeira vez uma cena de pancadaria animal me deixou satisfeito. Motivos vários e paradigma tremendo.

Um paradigma porque o palco do evento tem vindo a ser uma das minhas lutas morais, com a qual me debato há anos e que me afasta por vezes de uma familia, que é a minha, que se apresta a perder, segundos que sejam, tempo com isto.

Satisfação porque numa única cena se apresentam três realidades distintas da psicologia animal.

Primeiro a do cavalo, que algures por volta do segundo 46 resolve sair de mansinho como quem não quer a coisa. Depois a do Touro, que em igualdade de circunstâncias, vira por duas vezes costas ao espectáculo do outro.

E depois o outro, o mais frágil. O mais leve. O das roupas esquisitas. O estúpido. A quem em igualdade de circunstâncias lhe deu o sono mais cedo.

E sei que opiniões destas não devem ser partilhadas em publico, mas no que à tourada diz respeito, é nesta altura que o meu chapéu vai ao ar, e a garganta solta um sonoro:

Olé!

Chega fora de tempo, foi ontem o dia mundial do animal.

H20use, Uma casa para as cheias

O Daniel divulgou atempadamente a iniciativa Emissão Zero no âmbito do dia mundial da Arquitectura, evento promovido pelos Arquitectos Nadir Bonaccorso, João Manuel Santa Rita e Carlos Sant’Ana, ao qual o Aspirina se associou com a participação activa na coisa, ou seja, com a submissão do projecto H20use, desenvolvido em co-autoria com a arquitecta Rita Araújo Cruz e que agora, quase um ano depois de iniciar actividade neste sitio, se assume como a expressão visível do meu trabalho.

Desenvolvido para a Corus International Student Competition 2007, sob o tema “Living Under Water”, a H20use pretendeu acima de tudo dar resposta ao desafio daquela competição com a proposta de um modelo tipo de habitação familiar para a Cidade de Xai-Xai na província de Gaza, Moçambique.

(Click para ampliar)

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Então e a norte?

Cada vez tenho menos paciência para as conversas da bola.

Ninguém se entende, têm todos razão, estão todos de ventas. Uma confusão.

E hoje apercebo-me que o mal se encontra instalado na base. 90 minutos dedicados ao que parece ter sido a miséria do Benfica (quem trabalha até altas horas não vê, só ouve) com chamadas curtas e sucintas à deslocação do Porto à Turquia (que até o futebol aproveita como promoção da sua magnifica sociedade, agora pelo menos já lá não morrem adeptos de outras equipas). 90 minutos a sofrer de alma benfiquista que enche as rádios de todo o país. Acaba o jogo na Luz e no segundo seguinte a explosão em todos os canais fm do golo de Quaresma.

E isto diz tudo. Hora e meia de sofrimento penoso e esperanças vãs para no final vencerem os que ainda nos dão umas alegrias. É caso para nos questionarmos se o Ricardo esperou sadicamente pelo fim da tortura em Lisboa para nos lembrar que o brilho, pelo menos no pontapé na bola, só chega vindo de lá de cima.

Claude Watson School – Kohn Shnier Architects

E se a escola, na sua singularidade, abrisse actividade para o exterior que a rodeia? Que forma teria o objecto da sua vocação?

Um enorme anfiteatro abre-se para a rua em tique americano de servir com uma vénia a integração na comunidade. O anfiteatro exterior é apenas uma antecipação. Na fachada que se debruça sobre a entrada, uma trama com reminiscências orgânicas define a face que se distingue no edificio, metáfora de colagem simples aos favos de uma colmeia e o trabalho dos artistas e respectivas criatividades que zumbem no interior da caixa. Uma moldura verde em volta do grande vão reforça a dimensão da abertura.

O espaço faz-se da tensão entre o desenho interior e a vocação franca de relação com o exterior. É na localização do ginásio que se concretiza o elemento de mediação entre estas duas realidades, sempre visível a ambas.

Surpreende a economia de meios. A concretização das intenções faria supor um investimento maior. É objecto vulgar na forma como segue a cultura comunitária de propaganda cínica com que a América nos brinda todos os dias, e é aí que resulta. O ancoramento não se pode fazer sempre por topografias fantasiosas.

Apresenta-se a  Claude Watson School do grupo Kohn Shnier Architects como exemplo distinto daquele que tem sido o movimento new age da arquitectura contemporânea e respectivas mecânicas de desagregação no processo de projecto.

Um edificio que constitui um exemplo notável de multi-disciplinariedade e rigor construtivo.  Cada vez mais raros.

Via >> DailyDose