Aspirina Light

H20use, Uma casa para as cheias

October 4th, 2007 · 1 Comment

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O Daniel divulgou atempadamente a iniciativa Emissão Zero no âmbito do dia mundial da Arquitectura, evento promovido pelos Arquitectos Nadir Bonaccorso, João Manuel Santa Rita e Carlos Sant’Ana, ao qual o Aspirina se associou com a participação activa na coisa, ou seja, com a submissão do projecto H20use, desenvolvido em co-autoria com a arquitecta Rita Araújo Cruz e que agora, quase um ano depois de iniciar actividade neste sitio, se assume como a expressão visível do meu trabalho.

Desenvolvido para a Corus International Student Competition 2007, sob o tema “Living Under Water”, a H20use pretendeu acima de tudo dar resposta ao desafio daquela competição com a proposta de um modelo tipo de habitação familiar para a Cidade de Xai-Xai na província de Gaza, Moçambique.

(Click para ampliar)

A H2Ouse nasce da necessidade em encontrar soluções para catástrofes como as que ocorreram em Moçambique nos Invernos de 2000 e 2005, em lugares habitáveis onde a condição de perigo, apesar de significativa, é motivo insuficiente para desmobilizar uma população de mais de 100 000 habitantes.
A província de Gaza tem vindo a ser assolada ao longo da última década por cheias que atingem níveis superiores aos máximos registados em períodos semelhantes no início do século XIX. É também um dos mais prósperos patrimónios turísticos em Moçambique cuja paisagem e mais valias ambientais a tornam em destino de eleição, dentro e fora do país.
Deste modo propõe-se um esquema de habitação que contemple a subida das águas e a autonomia de meios em situação de crise e onde a solução programática se enquadre no modelo corrente. Dois a três quartos, uma sala de estar e cozinha e um quarto de arrumos aos quais se juntou um escritório e diversos espaços de apoio.
Opta-se por ganhar altura sobre a base, estabelecendo no núcleo central toda a mecanização de meios fundamentais para que o conjunto se mantenha sustentável no interior, ao mesmo tempo que responde ao lugar. Ao que ocupa e àquele cujo propósito de construção define o seu desígnio.
Pretende-se responder a um problema que não exista como imposição permanente no que ao habitar diz respeito. Uma variável que não invalide, mesmo com as restrições que imponha, a possibilidade de vivência.
A subida progressiva do nível das águas é uma das questões que deve ser encarada como parte fundamental na abordagem aos temas da sustentabilidade.
As premissas que validam discussões recorrentes sobre eco-arquitectura e potenciação do uso de energias renováveis na construção não devem excluir o tema sob pena de na dissertação energética se considerar exclusivamente a exploração tecnológica das soluções. Meio caminho para se criar um principio de capitalização das respostas.
Mantém-se o respeito pelo sítio e propõe-se a construção com matérias-primas locais. A resposta é feita pela Arquitectura.

Numa competição com 700 entradas o projecto avançou pela fase de validação e chegou à segunda fase, o que, segundo feedback da Corus (cujo comportamento exemplar para com os participantes nos faz lembrar que em termos de concursos só vale a pena pensar no exterior, infelizmente) nos colocou algures entre o 49º e o 99º lugares. Primeira experiência, foi positivo.

O projecto encontra-se em versão abreviada no SlideShow do evento aqui.

Tags: Arquitectura

1 response so far ↓

  • 1 Arquitectura.pt // Oct 4, 2007 at 1:10 pm

    H20use, Uma Casa para as Cheias…

    Tamb……

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