Archive for November, 2007

Sobre o processo, e o magnifico Centro de Ciência Viva de Giulia de Appolonia.

Giulia de Appolonia, Centro de Ciência Viva em Bragança.

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No princípio, o desenho.

A expressão física de uma ideia, ou dos conceitos que a sustentam.

No princípio, o desenho.

O envolvimento com o assunto e com as matérias que o caracterizam. É no princípio, do desenho, que a genial manifestação acontece. Solta-se do resto. Em impulsos descompassados que temperam o raciocínio. Quando o imaginário se afirma e assim formula determinada hipótese. Várias.

Depois a maturação. Mediando a intenção com o objecto de estudo. Já antes tinha estado presente o lugar. Esteve sempre presente. Foi anterior ao desenho. Na ideia do desenho, era a ideia do lugar.

Experimenta-se a conexão. A linha não funciona, o pormenor não se encontra. Em conversa com ambos, desenho, e lugar, sugerem a solução. E de novo a experiência. Mais tarde a resolução.

Materializam-se as intenções. O desenho, rigoroso desta vez, identifica a forma e concretiza o pormenor. A experiência resolve assim a situação. Fecha-se o espaço. Construção.

A generosidade, porque o gesto pretendeu ser sempre generoso, dá lugar à ferida aberta no lugar. A operação da implantação. Da fundação ao topo, aos poucos, constrói-se a proposta. Constrói-se o lugar também. No final, a soma resulta na unidade.

O corpo, estranho, garante identificação. Reconhece-se como parte. Assume-se como o todo, no final, que vem depois, é tudo parte da mesma solução.

Depois, a mecanização. Dos meios e dos instintos. Os percursos que se encurtam, e o espaço que se apropria. Dominam-se mutuamente. Em simultâneo, um, e outro, encontram-se na concretização do mesmo pressuposto.

A palavra, estranha-se, e teima em saber a pouco. No final, é apenas Arquitectura.

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Galeria de imagens gentilmente cedida por Fernando Guerra

 

1º Prémio Internacional de Arquitectura e Energias Renováveis

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A equipa portuguesa coordenada pelo arquitecto João Manuel Barbosa Menezes de Sequeira e composta pelos arquitectos estagiários, Ana Carina Bernardo Figueiredo, Marta João Pimenta Moreira e Pedro Miguel Fernandes Ferreira venceu o Concurso Internacional de Arquitectura e Energias Renovaveis – Ares Competition, organizado pela Technical Chamber of Greece (TCG),e pelo Work Programme on Architecture and Renewable Energy Sources (ARES) da União Internacional dos Arquitectos(UIA).

O projecto consiste numa série de módulos sustentáveis baseados na versatilidade e na prefabricação dos mesmos, com vista a uma rápida instalação. Assenta na base de uma tenda, como abrigo imediato, e no esquema de funcionamento em acordeão, permitindo uma utilização imediata e uma disposição intuitiva com base na instalação do objecto.

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Sobre a imagem…

Ouço uma ideia. Peço um desenho, uma letra, um som.

Ou um silencio, desde que a expressão me convença. Não me convence a validação do conceito apenas pela genialidade do criador. É preciso mais. Talvez seja a transposição evidente de que as conquistas se não reservam apenas à paixão, mas sim a tudo. A sedução, em última análise, é ferramenta fundamental para que o homem vá mediando as relações que estabelece com o mundo. E com os seus pares também.

Vejo, num qualquer WC de supermercado, o anúncio à iniciativa da AEP, “Cá Se Fazem Cá Se Compram”. E tudo ali falha. Contraste profundo com o investimento feito, por exemplo em Inglaterra, onde o mais reduzido outdoor é um espectáculo pleno de cor e manifestação. Cá, onde se faz, e onde se deve vir a pagar também, resume-se a operação a uma superfície em branco com um slogan impecável. “Cá se fazem, cá se pagam”. E o criativo contente. Pelo esforço, mínimo. E pelo resultado, que é de uma genialidade tão superior que a aplicação prática da coisa deveria ser sempre mínima também. E não me convenço com isso.

Na rua, mais do mesmo. E fica assim muito fácil distinguir o que é feito cá, com o que é importado por lá. É conclusão evidente, de uma exposição tão franca que se aceita a conclusão como uma inevitabilidade.

Em casa, o assalto. E não é preciso grande esforço para recordar a campanha que, há um ano atrás, uma conhecida marca de óleo de cozinha lançou para o mercado, que resultou na autêntica súmula desta pobreza. Criticava-se todo o contexto da marca, até o nome. E rematava com o raspanete no respectivo reclame que no final se assinava.

E depois disso não se desce mais baixo.

Vejo pelo youtube uma série de campanhas promovidas pela GAP nos Estados Unidos, feita para ser consumida de uma vez. Poucos recursos, meia dúzia de vedetas e uma composição feita quase instantaneamente. E resulta.

Vale também pela fácil movimentação da marca no mercado, pelo aproximar ao kitsch, porque não? Mas não deixa de ser uma valente lição de como reciclar a imagem, o nome e a exposição de um desígnio que vê um mero spot responder por si mesmo. Fácil.

Juliette Lewis + Daft Punk

Will Ferrel

Porque Torga é Portugal. Escrito.

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Depoimento

 

Deponho no processo do meu crime.
Sou testemunha
E réu
E vítima
E juiz.
Juro
Que havia um muro
E na face do muro uma palavra a giz.
MERDA! – lembro-me bem.
– Crianças… – disse alguém
que ia a passar.
Mas voltei novamente a soletrar
O vocábulo indecente,
E de repente
Como quem adivinha,
Numa tristeza já de penitente,
Vi que a letra era minha.


( in Câmara Ardente, 1962 )

A Casa da Vizinha Não é Tão Verde Quanto a Minha – Online

 


Já se encontra online o sítio “A Casa da Vizinha Não é Tão Verde Quanto a Minha”.

O projecto Web é resultado do esforço conjunto de Nadir Bonaccorso, João Manuel SantaRita e Carlos Sant’Ana, organizado pela Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos, e da exposição de projectos sustentáveis que esteve na sede da Ordem dos Arquitectos entre 1 e 30 e Outubro e, em slideshow, na Internet e de uma conferência, que teve lugar a 31 de Outubro – eventos realizados a propósito do Dia Mundial da Arquitectura.

O sítio funciona como uma base de dados de projectos de carácter sustentável, sendo que a participação na divulgação dos mesmos está aberta às propostas que se insiram no âmbito geral do evento, estando assim em permanente actualização. Conta ainda com um glossário de termos ligados à sustentabilidade, bem como noticias e ligações a grupos e entidades e a possibilidade de subscrição da newsletter do projecto.

Em www.casadavizinha.eu

Extreme Makeover – A versão blog

Não sou um admirador dos programas televisivos em estilo Querido Mudei a Casa, e as razões são várias. Fundamentalmente, não suporto a versão portuguesa que passa na Sic Mulher não só porque pretende fazer negócio sobre o programa, o que é inaceitável, mas também porque é pirosa. De cores e matéria-prima pirosa. Pretendem-se resolver problemas com 50 anos através de mobiliário com uma esperança média de vida de 10 anos. E de repente consumimos todos aglomerado escandinavo.

A versão americana, no formato Extreme Makeover, comete o erro do excesso, mas o principio das intervenções quase que permite desculpar a infantilidade das escolhas.

Em nenhum dos casos se faz arquitectura, no entanto servem como veículos de promoção da construção, ou, como meros alertas da importância da ciência do espaço e da influência do investimento nos perímetros que ocupamos como factor fundamental na mediação da relação do homem com o mundo, e é aí que a coisa assume a sua essência.

O aspirina chega agora à sua fase de mudança, com o intuito de autonomizar o sitio das influências que inicialmente serviram como propulsores para que entrasse por esta aventura, que, um ano depois, se revela como uma das escolhas mais acertadas da minha vida.

Pela participação, pelos momentos extraordinários e pelas pessoas.

A mudança acontece para todos, sobe o pano!

Em manutenção…

À procura da nova imagem e de uma nova identificação para aquilo que será a versão 2.0 do Aspirina, é possível que nas próximas horas o estaminé se mantenha com irregularidades e com cores, estilos e mecânicas diferentes daquelas a que estão habituados, no entanto a mudança será breve, e acontece de forma a que o espaço ganhe uma autonomia de imagem, e entretanto podem participar com comentários também.

Showtime!

Ecolect – O directório útil

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Descobri recentemente o Ecolect, O sitio que, em formato blog, disponibiliza informação variada sobre materiais ecológicos, na grande maioria reciclados, que representam mais valias para a construção sustentável.

A acompanhar a respectiva informação está também uma série de indicações sobre fornecedores e formatos, assim como as diferentes formas de aplicação e imagens, para consultar.

Um ano de Aspirina

Faz um ano que o Aspirina nasceu, inicialmente como um espaço aberto a temas diversos que se enquadrassem sobretudo no âmbito daquele que seria o panorama cultural português.

Bastou pouco tempo para que a obsessão  arquitectónica tomasse conta do blog e a coisa fosse tendendo cada vez mais para aquilo que os edifícios, as ideias e os conceitos têm para nos dizer. E eu acredito que geralmente têm muito para nos dizer.

O lugar das artes é cada vez mais só o lugar de uma arte muito própria, de expressão mundial e vertentes extraordinárias. E que é também intemporal.

Para a história ficam episódios incríveis, reflexo de um crescimento que de todo não esperava, e uma franja de leitores que me surpreende a cada dia, oriundos de todo o mundo, conferindo no fundo sentido ao carácter global da própria arquitectura.

No percurso ficam também as pessoas, pela referência e pelo apoio. Na maior parte das vezes pela generosidade. E é por isso que fazem sentido os agradecimentos ao Daniel, ao Fernando e ao Carlos, pela paciência e suporte, e pelo que me vão ajudando a crescer e a aprender. Com a escrita e com a experiência também.

O Aspirina continuará a crescer, espera-se, de forma mais continuada, com publicação mais regular e em breve com algumas surpresas, incluindo uma imagem renovada e um novo esquema de apresentação de trabalho.

O meu muito obrigado a todos pelas visitas e pela forma como recebem, a cada dia, este pequeno mundo, que aos poucos vos vai pertencendo também.