Depoimento
Deponho no processo do meu crime.
Sou testemunha
E réu
E vítima
E juiz.
Juro
Que havia um muro
E na face do muro uma palavra a giz.
MERDA! – lembro-me bem.
– Crianças… – disse alguém
que ia a passar.
Mas voltei novamente a soletrar
O vocábulo indecente,
E de repente
Como quem adivinha,
Numa tristeza já de penitente,
Vi que a letra era minha.
( in Câmara Ardente, 1962 )

















0 responses so far ↓
There are no comments yet...Kick things off by filling out the form below.
Leave a Comment