Ouço uma ideia. Peço um desenho, uma letra, um som.
Ou um silencio, desde que a expressão me convença. Não me convence a validação do conceito apenas pela genialidade do criador. É preciso mais. Talvez seja a transposição evidente de que as conquistas se não reservam apenas à paixão, mas sim a tudo. A sedução, em última análise, é ferramenta fundamental para que o homem vá mediando as relações que estabelece com o mundo. E com os seus pares também.
Vejo, num qualquer WC de supermercado, o anúncio à iniciativa da AEP, “Cá Se Fazem Cá Se Compram”. E tudo ali falha. Contraste profundo com o investimento feito, por exemplo em Inglaterra, onde o mais reduzido outdoor é um espectáculo pleno de cor e manifestação. Cá, onde se faz, e onde se deve vir a pagar também, resume-se a operação a uma superfície em branco com um slogan impecável. “Cá se fazem, cá se pagam”. E o criativo contente. Pelo esforço, mínimo. E pelo resultado, que é de uma genialidade tão superior que a aplicação prática da coisa deveria ser sempre mínima também. E não me convenço com isso.
Na rua, mais do mesmo. E fica assim muito fácil distinguir o que é feito cá, com o que é importado por lá. É conclusão evidente, de uma exposição tão franca que se aceita a conclusão como uma inevitabilidade.
Em casa, o assalto. E não é preciso grande esforço para recordar a campanha que, há um ano atrás, uma conhecida marca de óleo de cozinha lançou para o mercado, que resultou na autêntica súmula desta pobreza. Criticava-se todo o contexto da marca, até o nome. E rematava com o raspanete no respectivo reclame que no final se assinava.
E depois disso não se desce mais baixo.
Vejo pelo youtube uma série de campanhas promovidas pela GAP nos Estados Unidos, feita para ser consumida de uma vez. Poucos recursos, meia dúzia de vedetas e uma composição feita quase instantaneamente. E resulta.
Vale também pela fácil movimentação da marca no mercado, pelo aproximar ao kitsch, porque não? Mas não deixa de ser uma valente lição de como reciclar a imagem, o nome e a exposição de um desígnio que vê um mero spot responder por si mesmo. Fácil.
Juliette Lewis + Daft Punk
Will Ferrel
















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