O desportivo Record online reservou hoje à secção fotogaleria uma imagem do chamado Bird’s Nest, o futuro Estádio Olímpico de Pequim que lá mais para o final do ano será um dos palcos das olimpíadas a oriente.
É uma das conquistas da arquitectura moderna. As grandes obras desportivas, outrora referenciadas pela magnificência da sua engenharia e respectiva envergadura, são hoje vistas como resultado conjunto da coordenação entre cálculo físico preciso e o desenho que envolve estas enormes estruturas. É aqui que a arquitectura assume finalmente o seu momento diferencial, como parte indissociável da forma como se faz cidade, e, sobretudo, na importância que o sentido estético confere a edifícios que até à relativamente pouco tempo eram considerados acima de tudo pela resposta que davam a um certo tipo de problema, sem maiores preocupações no que ao impacto da sua presença dizia respeito.
Em Portugal o processo de educação [ou sensibilização] iniciou-se em 1998, quando a exposição internacional de Lisboa serviu de plataforma para a credibilização do papel do arquitecto numa mega-estrutura urbana. Com o Porto 2001, consagrado em sucesso posterior após a inauguração da casa da música de Koolhaas e a entrada em funcionamento da rede de metro assinada sobretudo por Souto Moura, e, mais recentemente, com os estádios de Porto e Braga para o Euro’04, os portugueses tiveram a hipótese de finalmente conferirem em resultado prático o papel do arquitecto nas propostas a apresentar para as cidades de hoje, mas sobretudo, no planeamento que se exige para amanhã.
Ao invés de publicar uma foto em glória de Nelson Évora ou Vanessa Fernandes, ou de um qualquer outro atleta internacional em preparação para o certame olímpico, a redacção do record entendeu que uma imagem de arquitectura em ebulição ilustraria da melhor forma esta fase embrionária do evento desportivo mais visto em todo o mundo, pedaço comum à cultura da humanidade.
Devemos todos olhar com atenção para a importância do momento.
E apesar de hoje olharmos com algum desanimo para o que se fez no Parque das Nações, ou para o estado de abandono dos estádios de Faro/Loulé e Aveiro, resultados assustadores de incapacidade em acautelar o dia seguinte ou pura má gestão de activos que poderiam ser canalizados para outras áreas em carência da nossa economia, pelo menos poderemos avaliar a situação do ponto de vista de quem se dedica à prática com o mero sentido de fazer bem e ver assim reconhecida a capacidade e importância do arquitecto na cidade moderna.
Já ganhámos todos com isso.

















1 response so far ↓
1 alvaro fonseca // Feb 21, 2008 at 11:05 pm
Bom artigo, gostaria no entanto de lhe pedir se possivel para inserir mais fotos deste estadio que desde o inicio considero uma obra-prima.
cumprimentos,
Álvaro Fonseca
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