Archive for May, 2008

S’A ARQUITECTOS + ESESTUDIO – Bridging the City

Synchronicity - S’A Arquitectos, É a unica equipa Portuguesa convidada para o evento e que surge em colaboração com o ESEstudio. A proposta de uma ponte sobre o rio Vistula como link improvável entre duas margens semelhantes pretende anular o esventramento da cidade, fazendo cidade sobre o rio sem anular a sua natureza.

Sheet_01

Sheet_02

Sheet_03

MD


1 Vistula River.
Warsaw is the only European Capital with a river still unregulated and unurbanized – in a simple expression, a wild river running in the middle of the city. At first, this can be seen as a problem in urgent need for a solution, but more often than expected, the answer is hidden in the question.

2 Thinking of the future. The best approach we can have is to maintain Vistula River as it is. The challenge of transforming Warsaw into the capital of the new eastern European front must start from a radical ecologic approach, or a 3-step program to sustainable development.

3 From Urban Handicap to Ecological Added Value. A “do-not-touch” concept is the first step.
It understands and accepts the wilderness condition of the river and assumes it as a positive value for the future.

4 Point to Point. Using parameters as mobility systems and transportation networks to decide the location of strategic placement of anchor developments in an urban scale. New transport interfaces are tactically placed along the river to generate city growth and attract program diversity.

5 Anchor Points. Five different bridges are the result of this strategic approach. These phylogenetic method results in different buildings adapted to diverse urban situations. River width, bank programs, city necessities, mobility networks, solar orientation, wind protection, panoramic views, etc. can influence and modify the design, transforming a basic shape into different bridge solutions.

6 City Extension The typology of the bridges is the result of the confrontation of different programs, somewhere between public and private, individual and collective. The city doesn’t stop in the river banks, but extends itself to connect both margins, transforming an urban fracture into a continuous city.

synchronicity

Syncronicity é um evento promovido pela Fundação Bęc Zmiana para a cidade de Varsóvia, Polónia, que pretende apresentar diferentes perspectivas sobre o modo de fazer cidade dentro do contexto autárquico, através de novos modos de trabalho e a partir do múltiplo confronto de ideias.

Fica do press release, e traduzido à letra, “A perspectiva deve ser abrangente, intencional, subversiva, analitica ou intuitiva e o seu maior propósito é o de abraçar raciocinios atrevidos, não-castrados, que consideram o futuro em vez de o temer”

Na Integra:

SYNCHRONICITY_Warsaw

Exhibition on ideas of future Warsaw

Warsaw is one of the biggest capitals of New Europe. It’s problematic past is still visible not only in the dysfunctional city structure. What is even more characteristic is an obvious lack of dynamism and vision in the municipal policy observed from the beginning of liberalization in Poland. The city seems to be paralyzed by the syncope of political elections, an impossibility of continuing any long-term plans and an obvious myopia of local authorities when it comes to the evaluation of Warsaw’s potential. Lack of vision doesn’t show only in the elaboration and execution of masterplans, it’s other side is the lack of idea “what” Warsaw should become, what are this city’s ambitions, how Warsaw should be perceived and marketed.

Our exhibition’s main idea is to show to Warsaw public- from simple every-day bred consumers , through planners, to local politicians that working on the vision requires a confrontation and openness towards different perspectives not necessarily belonging to the standard range of tools used in municipal planning. The perspective can be large, intentional, subversive, analytical or intuitive and it’s main value is the one of a daring, uncastrated thought that embraces the future instead of fearing it.

For this reason we will confront ideas on Warsaw’s future approached by fifteen entities from Asia, Americas, Europe and Australia. Some of them were prepared for different locations (Philadelphia, Seoul, Madrid) and represent examples of what was, according to it’s creators, a most appropriate answer to Warsaw problems. Another group is composed out of projects prepared especially for the Polish capital, but still basing on a vague idea of Warsaw. The third group will be composed out of three projects starting from a hipothesis and developed through analytical work. This way we will show both instinctive and analytical approach.

THE STRUCTURE:

The exhibition will be composed out of two opposed design approaches:

1. No Hear No See

13 projects by different world architects elaborated or chosen from previous work on basis of ignorance and sensations on Warsaw actual situation instead of deep, multilayer analysis. The projects were published in “W (is for Warsaw)” book by Fundacja Bęc Zmiana.

2. Deep Submergence

Three projects by Centrala Designer’s Task Force (Warsaw), S’A Arquitectos + Esestudio (Lisbon/ Barcelona) and by RaumLabor (Berlin) collective starting with a hipothesis and leading towards clearly expressed conclusions, where the visual realism is less important than a direct and convincing representation of analytical outcome. Due to time limitations the projects will allow a “deep submergence” into only one chosen field of research as base for the vision development. The research fields can be: social, economical, ecological, geopolitical, historical, climatic or geographic.

LOCATION:

The exhibition will take place in two spaces:

- Installation in the public space serving as a kind of a teaser attracting the passers-by to the gallery (to be located in the empty space between the arches of the western elevation of the Constitution Square and the Line of bus-stops)

- Internal exhibition in the Info Qultura gallery composed out of large size prints of project and schemes, video projections of animated visual material and (possibly) out of three-dimensional maquettes


Souto Moura ao JN

Para quem perdeu a entrevista recente de Eduardo Souto Moura ao JN a propósito da exposição Principio e Fim de Um Projecto que esteve presente na Galeria do JN, uma conversa em tom não muito diferente do que é costumeiro neste tipo de relação entre jornalista e artista, aqui com a mais valia de ser sempre apimentada com a boa disposição de Souto Moura numa entrevista que apesar de menos interessante do que a de final de 2007 ao El País, acaba por revelar uma série de pontos de vista de quem encara a prática como um processo de aprendizagem contínua.

Para ler

JN|Em que consiste “Princípio e fim de um projecto”, ideia a quatro mãos, as suas e as de Luís Ferreira Alves?

Eduardo Souto Moura| Quando me convidaram para realizar a exposição, saltou-me logo a ideia de como trazer a público um código técnico como a arquitectura. Havia duas soluções, ou maquetas ou fotografias. Ora, tendo em conta o espaço, entendi que seria melhor apresentar a obra com esquissos meus e imagens da autoria de um homem que fotografa os meus trabalhos há três décadas. Escolhi, por entre as centenas de projectos ao longo da carreira, alguns, nomeadamente o edifício do Burgo, e ainda desenhos de objectos e de candeeiros, entre outros. O Ferreira Alves escolheu os que muito bem entendeu e foi assim. Concretizou-se a exposição na vertente de dar duas visões sobre a obra: a do arquitecto e a do fotógrafo.

Esta mostra contribui para uma melhor perspectiva sobre o trabalho que tem desenvolvido?

Vamos tentar, mas acho que é importante que as pessoas saibam da existência de um percurso-base de desenhos para se chegar à imagem final, seja de um projecto de um edifício ou de um simples objecto. Daí chamar-se “Princípio e fim de um projecto”.

Antes da concretização dos projectos, há toda uma série de esquissos?

Depende, há obras em que há uma intuição e acertamos no conceito e não são necessários tantos desenhos, mas também há outros que emperram e estamos até ao fim a confirmar e, aí sim, são precisos cadernos e cadernos de desenhos.

Como é que, normalmente, nasce um projecto seu?

Os primeiros passos têm como base a informação que o cliente dá e, a partir daí, começo a construir uma imagem mental. Quando o cliente sai, começo a materializar num esquisso, faço dois, três e tanto pode ser no escritório, em casa, num café, no papel do estirador, num guardanapo ou no maço de cigarros, não importa.

Como passa à fase seguinte?

Bem, vou fazendo vários esquissos e, já no ateliê, passo-os a um desenho mais geométrico e a seguir é elaborada uma maqueta. Mas, repare, tudo isto é feito com uma grande rapidez e velocidade.

Gosta de trabalhar a grande velocidade, está-lhe no sangue?

Está, pois, como tenho sempre tanta coisa para fazer, não descanso enquanto não fizer. É assim que trabalho. Mas, depois de ter a ideia já concebida, costumo demorar muito tempo, ponho sempre o projecto em forno lento e banho maria, à espera que entrem as várias solicitações de arquitectura.

E quais são as várias solicitações de arquitectura? Aliás, gostaria que definisse o que é, para si, um projecto de arquitectura.

São solicitações que entendo importantes. Em primeiro lugar, são as minhas, ou seja, só está concluído quando me sentir satisfeito com o projecto, quando achar que a construção do edifício ou do objecto vai transformar um sítio para melhor. Quando decido elaborar um projecto, pretendo corrigir a natureza, que não é perfeita. Acho que o interessante é acrescentar algo à natureza e proporcionar bem-estar e boa qualidade de vida ao cliente e ao utente. Para conseguir, tenho que criar um projecto que corresponda a três solicitações fundamentais: ser belo, estável e seguro.

Belo? Acha importante que a beleza seja uma componente principal num trabalho?

Sim, acho, pois é fundamental que um projecto seja elegante a nível estético. Quando digo belo, digo elegante, naturalmente.

Quando é que dá por si a pensar que o projecto está mesmo concluído?

Quando começo a ficar cada vez mais satisfeito com o trabalho e, aí, penso realmente que está na hora de rematar.

Costuma trabalhar sozinho ou em equipa?

Tenho uma equipa de 27 pessoas (arquitectos e estagiários). Acho que o diálogo é importante para o bom andamento de um projecto e são necessárias críticas e contrariedades da equipa. Um projecto de arquitectura é um projecto de equipa, de muitos colaboradores, de muitos arquitectos, engenheiros e agora, nos últimos tempos, também é necessário incluir um economista e um advogado.

Quais são os projectos que tem actualmente em execução?

Tantos, sei lá, mas lembro-me, por exemplo, de uma adega de vinhos na Mealhada, um prédio para divorciados, no Porto, a recuperação de um edifício no Príncipe Real, em Lisboa, e tenho vários em curso em Espanha, Bélgica e Dinamarca.

Como é, normalmente, o seu dia de trabalho?

Em princípio, só trabalho, só me sento ao estirador, ao fim-de-semana, isto é, só risco ao sábado à tarde e ao domingo. Não está ninguém no ateliê, o ambiente é calmo, sossegado.

E nos outros dias da semana?

Trabalho, mas ocupo o tempo a desempenhar um papel que também é muito importante para o arquitecto. Vai desde visitar obras a sucessivas reuniões aqui e ali com clientes ou futuros clientes, enfim, é a outra faceta de arquitecto, que é fundamental para a continuação da actividade.

Já alguma vez pensou em abandonar a arquitectura?

Todos os dias.

Todos os dias?

Sim, diariamente tenho aquele pensamento: e se eu não fosse e ficasse a desenhar o dia todo? E quando chego a Lisboa e tenho que ir para Nápoles e passa-me pela cabeça a ideia de não ir e ficar a tirar fotografias…

Já alguma vez não resistiu à tentação?

Já, claro e foi bom. Já tive essa tentação e já tive o prazer de não cumprir o dever e de ficar a fazer o que me apetecia naquele momento.

Se abandonasse a arquitectura, o que escolheria?

Olhe, gostaria de ter uma profissão em que o que acontece dependesse exclusivamente de mim, só de mim. Podia ser, por exemplo, na área da fotografia, da pintura ou da escultura.

Já fez incursões nessas áreas?

No desenho, sim. Aliás, o desenho é fundamental para a minha actividade, mas tenho-me ficado pelos esquissos de arquitectura. Tenho pensado muito na escultura, acho que gostava de conceber uma série de esculturas com cortes de edifícios e em materiais utilizados na construção, como a madeira, ferro, tijolo, plástico e vidro. É uma ideia de há já uns tempos, mas que não tenho conseguido realizar, nunca tenho tempo, mas que gostava, gostava…

Qual o projecto cuja concepção e desenvolvimento foram da sua responsabilidade mais o encantou?

O que me encanta, o que me suscita um maior desafio é o chamado projecto completo, ou seja, aquele em que sou solicitado para conceber a obra, desde o puxador da porta até ao bosque que envolve o projecto.

E já teve alguns com essa responsabilidade?

Tive vários, mas destaco, sem dúvida, o estádio do Braga. Acho que o Monte Castro ficou muito melhor com o estádio do que ficaria sem ele. E confesso que gostei bastante de o ter concebido.

Sabe-se que está com vários projectos em mão. Algum deles é no Porto e é importante?

O que neste momento estou a realizar no Porto é um edifício, a que chamo “andar para divorciados”, ou seja, pessoas que vivem sós e que não necessitam de muito espaço. Mas, na verdade, acho que o Porto está numa fase de recessão, ou seja, não se investe na cidade e, portanto, não há muito trabalho para desenvolver.

Mas vai tendo em outras cidades do país, ou a falta de trabalho é generalizada?

A falta, para já, só se vai verificando no Porto, porque noutras regiões vai havendo. Neste momento, estou a trabalhar razoavelmente em Lisboa, no Alentejo e no Algarve.

Como surgiu a hipótese de construir a casa/fundação Paula Rego, em Cascais?

Foi a pintora que me escolheu. Neste projecto, tive também a responsabilidade de escolher o terreno e a liberdade total na concepção do edifício. É um projecto aliciante, que francamente me entusiasma.

Também no Arquitectua.pt

Adjaye na Casa da Música

“Recent works” é o tema da próxima conferência do ciclo “em trânsito” pelo arquitecto inglês David Adjaye que decorre Sexta, dia 23 de Maio, às 21h30, na Casa da Música – Terraço. A conferência será em inglês, sem tradução, e a entrada é livre (obrigatório levantamento de ingressos na bilheteira da Casa da Música). Esta iniciativa conta com a Casa da Música como parceiro estratégico e com o patrocínio da Tektónica.
Equivale a 1 crédito de “Formação Opcional em Matérias de Arquitectura”
A entrada é livre, sujeita à lotação da sala (120 lugares)

Via Arquitectura.pt

July 18th

O 2º Trailer

Santogold, e o ataque de Johansson

Duas Notas;

Santogold não é nome desconhecido para quem acompanha o que de melhorzinho se vai fazendo por esse universo indie rock fora, mas com a chegada de Santogold, o álbum, firma-se finalmente, com base substancial, o talento. Les Artistes é um dos singles mais cool que o género produziu em tempos recentes e Santogold, o álbum, é o disco do momento:

Tom Waits by Scarlett Johansson. É o primeiro álbum da actriz-agora-também-cantora e se tudo se vier a alinhar pelo mesmo diapasão com que se apresenta o single de estreia, Falling Down, então é provável que Anywhere I Lay My Head, se torne numa agradável surpresa, apesar das evidentes limitações vocais de Scarlett, que surgem aqui bem disfarçadas pelo dedo cirúrgico de gente como Dave Sitek (TV on The Radio), Nick Zinner (Yeah Yeah Yeahs) e David Bowie. Ora, é ouvir, se faz favor:

Todo um manancial de pequenos nadas

Passo os olhos por meia dúzia de blogs que são presença incontornável nos favoritos, e vejo que as criticas muitas vezes feitas à comunidade blogger têm toda a razão de ser.

Não faço escolha detalhada no que leio, do mundo onanista de Nuno Markl ao sectarismo absurdo de JPP, o meu acompanhamento ao que se escreve por essa Internet fora é bastante diversificado, e isso serve como ferramenta acessória aos fóruns de discussão e ás noticias que consumo no único canal televisivo por onde me detenho de quando em vez, a SIC Noticias, é aquilo que resta do serviço público.

A blogosfera nacional é demasiado provinciana, suporta-se em gente que utiliza o poder do teclado para morder em tudo o que mexa, seja na actualidade politica, na vergonha da economia, no marasmo da cultura ou na miserável fantochada de arremessar as ditas opiniões sobre nada, no trabalho ou na escrita dos outros. Mas, por fraca que seja, encontra suporte no que a estes assuntos diz respeito.

O que me leva a entrar pelo campo da crítica arquitectónica, que, simplesmente, não existe. Existiu, em tempos, mas quedou-se na assimilação dos intervenientes pelo sistema reinante, ainda que esse tenha mudado de mãos entretanto.

E é aí que surge a incómoda conclusão, na ausência de actividade manifestamente critica daquele que é, o negro, cenário da nossa arquitectura. Recorrem-se a malabarismos de retórica e semântica, utilizam-se discussões paralelas sobre temas que se encontram muito para lá daquilo que nos interessa. E a classe, aquela que das 9 às 20 é ininterruptamente escravizada aos olhos de uma Ordem vazia, mascarada de gente pouco interessada, entre dois cafés e uma sobremesa num qualquer restaurante high-cost da capital, até aqui se tem de se remeter à sua insignificância, sem fundamental apoio de fundo, que não surge de lado nenhum.

Contra mim falo que de actividade reivindicativa pouco ou nada me posso orgulhar, mas o cenário vigente muito tem influenciado o meu contínuo e crescente desprezo por alguns monstros sagrados do nosso, fraquinho, star-system.

Pior, a visita recente à exposição no museu nacional de história natural, onde está, por estes dias, a exposição do concurso de ideias para o Parque Mayer. O paupérrimo resultado do evento é sintomático da opinião que expus acima, é que na falta de suporte aos mais pequenos se revela o continuo decréscimo de qualidade daqueles que por vezes se reconhecem como grandes. Ficam, da exposição, três propostas. A de Gonçalo Byrne, de Manuel Mateus e a já aqui revelada proposta do ateliermob, para lá disso é uma soma gritante de visões absolutamente contaminadas por um potencial de exploração politica do contexto, que nos deverá envergonhar a todos. Por entre minimização do espaço para exploração imobiliária e disponibilização de lotes para o engordar da especulação, fica apenas um conjunto de painéis fracos, cadernos de apresentação miseráveis e uma estranheza duvidosa sobre a inclusão de duas propostas em detrimento de outras duas.

Enquanto o estranho dialoga alegremente com o inviável, continua a cena blog a fazer jornalismo parolo. Salvo meia dúzia de excepções.

Serve como desabafo.

Yearbook 07′08, coming soon

If architects, critics, historians, bloggers, professors, journalists, construction magnates, city planers, etc. really want to talk about architecture, in a way that has any meaning at all for anyone who actually lives in this world (…), then they need to talk about architecture in its every variation: whether a structure is real or not, built or not, famous or not, or even standing on the surface of the earth.(…).

The suburbs are architecture; bonded warehouses are architecture; slums are architecture; NASA’s lunar base plans are architecture – as are the space stations in orbit about us (…)

Geoff Manaugh, Blogger