Archive for September, 2008

Koolhaas houselife

A Maison à Bordeaux na perspectiva da senhora das limpezas, um projecto de Ila Beka e Louise Lemoine com mais trailers disponíveis em Koolhaas Houselife numa pechinca disponível ao preço de 55 euros, o meu exemplar chega a Londres até ao final da semana.

Deslumbrante, a perspectiva de Guadalupe.

Oma @ Roterdão

Situado no centro da cidade de Roterdão, distrito de Coolsingel, o cubo, com 120.000m2 destina-se a uso misto – em números, 30.000m2 para comércioe os restantes para escritórios, habitação, cultura e lazer.

Quando publiquei o junk-park de Tirana do atelier MVRDV baseei a critica nas imagens com que foi ilustrada a divulgação do projecto. A ditadura do render torna-se, nesta fase da anunciação, o único factor de julgamento a que a obra se pode submeter, a par de todas as ferramentas acessórias de ilustração com que o edifício se anuncia. No caso albanês, o conjunto é francamente mau, das imagens cruas à maqueta em bruto, nada ali permite diferente opinião.

Koolhaas será eventualmente o melhor gestor de imagem que o panorama arquitectónico conheceu. Após anos agarrado à projecção semi clássica das obras que o OMA produziu (das ilustrações pop às maquetas académicas) herança, nas suas próprias palavras, que o periodo de pesquisa para Delirious New York lhe ofereceu, surge agora a nova face OMA, onde a categoria da visualização nos deixa desarmados.

A obra em si também se anuncia com generosidade e categoria. Apesar de se tratar de mais um Icon-Building, a verdade é que a integração no skyline se propõe que aconteça de forma generosa e cuidada e com o propósito de servir duas permissas fundamentais que, regra geral, dificilmente saem satisfeitas quando a genialidade do autor se pretende fazer sentir com critérios de espectacularidade – Implantação e Integração, sem menosprezo do espaço.

Na cobertura o promontório sobre a cidade e a envolvente imediata, sem recorrer a explosões de escala.

Aguardamos então a inauguração, prevista para 2013.

1.04 arquitectos por pessoa, são 1.02 arquitectos a mais

Dirão os optimistas -presentes nestas coisas da estatística como em tudo na vida – que isto ainda há casos piores que os de Portugal. É reparar no despautério Italiano ou na infelicidade Grega, e afinal nós por cá ainda estamos ligeiramente aquém dos verdadeiros níveis de crise que se registam por essa Europa fora.

A crueldade dos números não engana ninguém e a situação é a que se apresenta, em gráfico que nem sequer é recente e que se encontra assim bastante desactualizado, mas não deixa de ser preocupante que o mesmo não conste em nenhuma publicação que saia directamente para as bancas do nosso saturado Portugal.

Pela voz de Cypher, o personagem interpretado por Joe Pantoliano no primeiro filme da trilogia Matrix – “Ignorance is bliss”.

mvrdv on drugs

É um dos hits do momento na blogosfera afecta à arquitectura, a proposta do trio holandês composto por Winy Maas, Jacob van Rijs e Nathalie de Vries para Tirana, na Albânia.

A coisa, que consiste num empoleirar de prismas rectangulares uns em cima dos outros, recolheu, de um modo geral, reacções muito positivas que resultam quase sempre em aclamação pelo arrojo ou lamentos pela ainda aparente timidez em levar o devaneio um pouco mais além.

E é um pouco nisto que a arquitectura mundial tende a transformar-se desde que o reconhecimento da iconografia da forma nos trouxe peças como a Casa da Música no Porto e a Biblioteca de Seattle, ambos pela marca oma.inc e que apesar de nos ter permitido finalmente cortar o cordão umbilical que ainda nos prendia ao pouco adequado pensamento modernaço, acabou por dar à luz esta disposição internacional ao despropósito – toma lá António.

Pessoalmente, cada vez mais tenho dificuldade em aceitar estes raciocínios formais, que não nos trazem nada de novo. Pelo contrário, após aquilo que as gerações do meio século passado nos permitiram evoluir, parece que actualmente se perdeu a genialidade. Deu lugar à Eu-genialidade.

O trabalho dos MVRDV, que exerceu tremenda influência no meu tempo de faculdade, conta no currículo com peças arrojadas e abordagens extraordinariamente interessantes que constituem verdadeiros passos em frente naquilo que é a linha de evolução da arquitectura nos dias de hoje (e obras como o complexo WOZOCO ou a Villa VPRO são testemunho disso mesmo), mas entretanto decidiu seguir o trilho de outros estúdios, que, encontrando a caixa de pandora aberta, aproveitou a oportunidade para a escancarar ainda mais.

O free-park de Tirana é, acima de tudo, um projecto de autor, onde a assinatura do estúdio se encontra espalhada por todo o lado. Das fachadas saturadas à demente proposta de implantação, ali se encontra um pouco de tudo para que nunca se venha a encontrar nada. E no final é isso que resta: Um gigantesco nada numa total ausência de estratégia. Uma gritaria desenfreada para dizer o próprio nome e ganhar atenção. Percebo a postura mas discordo do método.

Todos os dias vejo gente a gritar o seu próprio nome. A maioria consegue a acção dos interlocutores.

Raramente pelos melhores motivos.


Sobre o meio e o fim

Ewha Womans University, Dominique Perrault

Recebi recentemente a notificação para linkagem nova ao Aspirina, relativamente a um post em que abordo o projecto de Pedro Tiago Lacerda Pimentel e Camilo Bastos Rebelo para o novo Museo do Côa.

Ao reler o artigo (coisa que, reconheço, muito raramente faço) lembrei-me da visita recente ao Daily Dose of Architecture onde recolhi mais algumas imagens do Campus Center for Ewha Womans University em Seoul na Coreia do Sul de Dominique Perrault.

Quase um ano e meio depois da primeira vez que escrevi sobre a falta de entusiasmo da arquitectura portuguesa pelos seus próprios edifícios, preferindo abordar o lugar como entidade sacro-santa, génese de toda a genialidade (ou pior, não fazer nada disto e agir como se o tivesse feito), o edifício do estúdio de Perrault vem confirmar a mais triste das observações: Haja ou não sinceridade na utilização do lugar como ferramenta única no processo de projecto, ainda há um longo caminho a percorrer até que se compreenda todo o potencial de exploração desse dito conceito mágico.

Apesar de uma muito positiva evolução natural de um quadrante jovem do nosso panorama arquitectónico (arrisco a dizer, todos os que feliz ou infelizmente continuam a viver para lá dos destaques infernais da capa da revista) que tem vindo progressivamente a operar “out of the box”, falta-nos apenas esta capacidade em dissecar o próprio conceito, retirando-lhe todas as noções básicas que acabam por anular todo o potencial de exploração de que a coisa está impregnada. Falta acima de tudo radicalidade, uma viagem à raiz das coisas.

Continua a haver a limitação em supor a recusa da aceitação.

Pessoalmente, acredito que até os mais opressivo censores agradeceriam a audácia.

A visita ao post do John é obrigatória.

Back to Uni – Fachadas vegetais

O titulo do post não é inocente e tem uma explicação muito, muito simples.

No último ano de faculdade o meu Marco Lopes, um dos mais talentosos  e competentes jovens futuro-arquitectos com quem tive o prazer de privar naqueles 5 anos de pura demência propunha um museu no Jardim Real de Caxias um dos mais generosos projectos de finalistas daquele ano de 2006. A coisa consistia num edifício que surgia como consequência da sugestão fornecida pelo desenho barroco do jardim e pretendia ser rematada com uma fachada coberta por um manto vegetal que, tomando o tempo como elemento fundamental do processo de construção, se encarregaria de completar a obra.

Dois anos depois encontro no mui útil urbanarbolismo.es uma série de informações sobre a utilização de elementos vegetais no processo de desenvolvimento de projecto.

A visita é obrigatória a todos e a escrita em bom espanhol permite que os conteúdos se assimilem com relativa facilidade.

Entra directamente para os favoritos do Aspirina.

E o maior dos abraços ao Marco que é cliente deste vosso estaminé…