É um dos hits do momento na blogosfera afecta à arquitectura, a proposta do trio holandês composto por Winy Maas, Jacob van Rijs e Nathalie de Vries para Tirana, na Albânia.
A coisa, que consiste num empoleirar de prismas rectangulares uns em cima dos outros, recolheu, de um modo geral, reacções muito positivas que resultam quase sempre em aclamação pelo arrojo ou lamentos pela ainda aparente timidez em levar o devaneio um pouco mais além.
E é um pouco nisto que a arquitectura mundial tende a transformar-se desde que o reconhecimento da iconografia da forma nos trouxe peças como a Casa da Música no Porto e a Biblioteca de Seattle, ambos pela marca oma.inc e que apesar de nos ter permitido finalmente cortar o cordão umbilical que ainda nos prendia ao pouco adequado pensamento modernaço, acabou por dar à luz esta disposição internacional ao despropósito – toma lá António.
Pessoalmente, cada vez mais tenho dificuldade em aceitar estes raciocínios formais, que não nos trazem nada de novo. Pelo contrário, após aquilo que as gerações do meio século passado nos permitiram evoluir, parece que actualmente se perdeu a genialidade. Deu lugar à Eu-genialidade.
O trabalho dos MVRDV, que exerceu tremenda influência no meu tempo de faculdade, conta no currículo com peças arrojadas e abordagens extraordinariamente interessantes que constituem verdadeiros passos em frente naquilo que é a linha de evolução da arquitectura nos dias de hoje (e obras como o complexo WOZOCO ou a Villa VPRO são testemunho disso mesmo), mas entretanto decidiu seguir o trilho de outros estúdios, que, encontrando a caixa de pandora aberta, aproveitou a oportunidade para a escancarar ainda mais.
O free-park de Tirana é, acima de tudo, um projecto de autor, onde a assinatura do estúdio se encontra espalhada por todo o lado. Das fachadas saturadas à demente proposta de implantação, ali se encontra um pouco de tudo para que nunca se venha a encontrar nada. E no final é isso que resta: Um gigantesco nada numa total ausência de estratégia. Uma gritaria desenfreada para dizer o próprio nome e ganhar atenção. Percebo a postura mas discordo do método.
Todos os dias vejo gente a gritar o seu próprio nome. A maioria consegue a acção dos interlocutores.
Raramente pelos melhores motivos.



Mikado???? quem não se lembra…..
Caro Ivo, não podia concordar mais!
Felizmente há arquitectos a pensar outras coisas e tb a srem reconhecidos
http://www.plataformaarquitectura.cl/2008/09/15/elemental-gana-leon-de-plata-en-la-bienal-de-venecia/
Felizmente vivemos dentro de paralelepípedos descaracterizados, torcidos e dispostos de uma forma a tender para o aleatória …
Eu nem a postura quero perceber!
Isto é o que acontece às crianças quando têm um brinquedo novo! Usam e abusam dele até já não dar mais. Se este projecto não é um manifesto à falta de criatividade não sei o que será. Só demonstra que à falta de conceitos tiveram de recorrer à temática “contemporânea” da moda: fachadas aleatórias, implantação aleatória, caixas pousadas de qualquer maneira, … tudo isto porque à partida já sabem que é possível desenhar-se posteriormente uma estrutura que as irá sustentar e que bem ou mal, com mais ou menos área, há-de ser possível desenhar alguns fogos lá dentro! E para dar o toque final, nada melhor que uma fachada aleatória (nos mais diversos tipos de gamas, isto até parece um catálogo) para suportar todas as questões mal resolvidas do projecto.
Acabo por concordar contigo quando dizes que a obra recente do atelier tem estado a decair em qualidade, realmente penso que fomos mal habituados no início. Algumas das primeiras obras deles tornaram-se realmente modelos da arquitectura contemporânea. As deste tipo, duvido que consigam resistir ao passar do tempo e ao passar das modas. É um fait-divers que tem um tempo curto de vida. Se calhar ainda estão à espera de descobrir qual será a próxima moda!
Vejo que todos os comentarios e o artigo não possuem base teórica para dizer “o que” está errado na proposta, não vejpo nada de mal. Não é o aleatório que esta em vigor mas sim novas teorias, e assim como o movimento moderno provocou essa reacção as pessoas da epoca.
Quando todos que vejo se manifestam negativamete queria que respondessem a uma simples questão: Será que eles estão vendo mais a frente do que todos com academismos fixos e dogmas arquitecturais, como eixos ortogonais e preguiça em evoluir o pensamento e a maneira de como vemos as coisas?
Concluímos então que na realidade… anda tudo louco.
http://www.100planos.com
Subscrevo.