Archive for the 'Agenda [.pt]' Category

THE LONWAY #003

Viagem de sábado à tarde à Tate Modern, e surpresa absolutamente fantástica… à saída!

Com primeira passagem pelo Borough Market, o percurso de aproximação ao edifico foi feito pela rectaguarda (pelo lote onde em breve nascerá a versão londrina do Ratatuille de Mateus e Valsassina) e o ingresso feito pela magnifica nave que é imagem de marca para as instalações temporárias (onde por estes dias se encontra a H Box de Didier Fiuza Faustino). Esta inversão do processo, fugindo ao acesso pela Millenium Bridge, quebrou a hipótese de avistar a exposição que se encontra, literalmente, cravada na fachada principal do edifício.

Ponto prévio, para lá de todo o envolvimento que tenho com a arquitectura, vivi a minha adolescência no surgimento da cultura Hip-Hop em Portugal. Em 1997, quando a cultura era praticamente desconhecida pelos demais, andava eu a ouvir mixtapes do que de mais refundido se produzia nos estates e o que o Carlão escrevia com o Jay e o Virgul, nos áureos primórdios de DaWeasel.

Daí ao Graffiti, a distância foi demasiado curta, e o resto são retratos de cinco anos vividos entre a muito ténue linha que divide a arte do vandalismo.

Paradoxalmente, ganharam as paredes brancas…

De entre a vasta bagagem cultural que trago desse tempo, da dificuldade que existia entre encontrar material disponível com imagens e retratos daquilo que os mestres desse tempo produziam lá por fora (How & Nosm nos USA, Loomit por toda a América do Norte, Daim, Neck, Morritz e os demais CNS pela Alemanha) e o que, a custo, se encontrava pela internet a 56 kbps, ficou desde logo o fascínio pelo que produziam dois jovens brasileiros.

Os Gémeos, sempre foram, para mim, o expoente máximo do Graffiti a nível internacional. Pela capacidade artística e a beleza da mensagem que transmitiam e pelo duro retrato visual de um Brasil abandonado à sua sorte. As magnificas figuras amarelas, de traço tão belo quanto infantil, foram durante anos a razão pela qual acreditava (e ainda acredito) que a prática do graffiti pode surgir enquanto gigantesco potencial de composição da paisagem urbana.

Foi aqui em Londres que, à saída da Tate Modern, ao olhar para trás, para vislumbrar, mais uma vez, a magnifica peça que Jacques Herzog e Pierre deMeuron recuperaram com inigualável mestria, os encontrei. Do edifico, não ficou nada. Foi este gigantesco individuo amarelo a deixar-me aterrado:

Os Gémeos Otavio e Gustavo Pandolfo produziram esta grotesca (esta sim, verdadeiramente grotesca) figura na fachada da Tate Modern, onde também tiveram espaço para a sua arte BLU, Nunca (também brasileiro, e Sixeart, e ainda JR e Faile.

Curioso como num mundo onde a arte na parede é quase invariavelmente marginalizada (em regra geral, com razão, eu acredito que há espaço para a sua existência, mas o facto de ser impossível introduzir critérios de controlo e qualidade no que se faz, torna-me cada vez mais céptico), acaba por ser uma das mais distintas galerias de exposição a dar, literalmente, o corpo ao manifesto, numa iniciativa que surge como complemento à exposição de fotografia Street & Studio totalmente dedicada ao culto do movimento suburbano e aos retratos que este permite produzir sobre si mesmo.

Ainda mais curioso, o facto de planear um artigo sobre o trabalho de Otávio e Gustavo para os próximos dias, e, de repente, dar de caras com eles de forma totalmente inesperada.

O sítio web da instituição conta com uma secção totalmente dedicada à Street Art onde consta ainda um vídeo com o making of das peças, de visualização obrigatória.

Para mais informação relativamente ao trabalho d’Os Gémeos, sugiro a visita ao LostArt onde podem ver aquilo que são, na minha opinião, pedaços do que de melhor nos ofereceu a arte dos últimos 10 anos, e à qual, num misto de deslumbre e relutância vou dedicando sempre que posso, um pouco da minha atenção.

The Lonway #002

Fim-de-semana em cheio pelas ruas de Londres, deambulando entre o final do London Festival of Architecture e a abertura da Serpentine Gallery 2008.

Sábado primeiro, com a visita no ultimo dia (herança portuguesa no sangue, não podia deixar de ser assim) à exposição que esteve patente na London Storefront for Art and Architecture, por onde esteve em exposição o Bjarke Ingels Group (e que contou durante o evento com a presença do blogger Geoff Manaugh).

Domingo, a inauguração da Gehry Serpentine. A galeria que consegue ser elegante no seu delírio, e que acaba por nos fazer dar o braço a torcer ao canadiano. É que apesar das tareias que apanha, obra após obra, da critica que o persegue, a verdade é que a instalação (porque é heresia chamar-lhe edifício) é assumidamente divertida e sincera na forma como se anuncia em pleno Hyde Park e resulta na perfeição, no seu espírito de edifício itinerante que sabemos não ficar por ali mais do que um instante.

E essa é a verdade na obra do senhor Bilbao. Seja por um prazo de três meses num pavilhão temporário, ou o tempo que for num museu gigantesco, Gehry é o derradeiro tipo simpático com uma lata do tamanho do mundo. Aquele que sabe (e pode) dispor da sua criatividade como bem entender, que a humanidade já se encarregou de lhe dar espaço para o devaneio.

E aqui, resulta bem e recomenda-se.

Blogging 101: Subtopia, Shipping Justice

Após divulgação internacional do primeiro vídeo de interrogatório a um prisioneiro de Guantanamo (Omar Khadr de apenas 16 anos), descobri no Subtopia de Bryan Finoki um post magnifico sobre uma instalação urbana que pretende alertar consciências para o incontornável drama que estes prisioneiros (sejam culpados ou não) passam enquanto se encontram em guarda americana.

Por entre a informação e contra-informação que os americanos fazem passar sobre si mesmos (e ainda recentemente revi Sicko de Michael Moore – que no seu jeito obcessivo de berrar desalmadamente contra tudo o que tenha assinatura Busho-Global, acaba por cair no autêntico disparate – utilizar Guantanamo como um exemplo de excelência em cuidados médicos) felizmente algumas vozes ainda sabem como se fazer ouvir, neste caso com um brutal sentido estético e através de uma fantástica simplicidade, que resultam em eficácia pura. Valoroso pedaço de leitura e informação complementar.

O post encontra-se por aqui

synchronicity

Syncronicity é um evento promovido pela Fundação Bęc Zmiana para a cidade de Varsóvia, Polónia, que pretende apresentar diferentes perspectivas sobre o modo de fazer cidade dentro do contexto autárquico, através de novos modos de trabalho e a partir do múltiplo confronto de ideias.

Fica do press release, e traduzido à letra, “A perspectiva deve ser abrangente, intencional, subversiva, analitica ou intuitiva e o seu maior propósito é o de abraçar raciocinios atrevidos, não-castrados, que consideram o futuro em vez de o temer”

Na Integra:

SYNCHRONICITY_Warsaw

Exhibition on ideas of future Warsaw

Warsaw is one of the biggest capitals of New Europe. It’s problematic past is still visible not only in the dysfunctional city structure. What is even more characteristic is an obvious lack of dynamism and vision in the municipal policy observed from the beginning of liberalization in Poland. The city seems to be paralyzed by the syncope of political elections, an impossibility of continuing any long-term plans and an obvious myopia of local authorities when it comes to the evaluation of Warsaw’s potential. Lack of vision doesn’t show only in the elaboration and execution of masterplans, it’s other side is the lack of idea “what” Warsaw should become, what are this city’s ambitions, how Warsaw should be perceived and marketed.

Our exhibition’s main idea is to show to Warsaw public- from simple every-day bred consumers , through planners, to local politicians that working on the vision requires a confrontation and openness towards different perspectives not necessarily belonging to the standard range of tools used in municipal planning. The perspective can be large, intentional, subversive, analytical or intuitive and it’s main value is the one of a daring, uncastrated thought that embraces the future instead of fearing it.

For this reason we will confront ideas on Warsaw’s future approached by fifteen entities from Asia, Americas, Europe and Australia. Some of them were prepared for different locations (Philadelphia, Seoul, Madrid) and represent examples of what was, according to it’s creators, a most appropriate answer to Warsaw problems. Another group is composed out of projects prepared especially for the Polish capital, but still basing on a vague idea of Warsaw. The third group will be composed out of three projects starting from a hipothesis and developed through analytical work. This way we will show both instinctive and analytical approach.

THE STRUCTURE:

The exhibition will be composed out of two opposed design approaches:

1. No Hear No See

13 projects by different world architects elaborated or chosen from previous work on basis of ignorance and sensations on Warsaw actual situation instead of deep, multilayer analysis. The projects were published in “W (is for Warsaw)” book by Fundacja Bęc Zmiana.

2. Deep Submergence

Three projects by Centrala Designer’s Task Force (Warsaw), S’A Arquitectos + Esestudio (Lisbon/ Barcelona) and by RaumLabor (Berlin) collective starting with a hipothesis and leading towards clearly expressed conclusions, where the visual realism is less important than a direct and convincing representation of analytical outcome. Due to time limitations the projects will allow a “deep submergence” into only one chosen field of research as base for the vision development. The research fields can be: social, economical, ecological, geopolitical, historical, climatic or geographic.

LOCATION:

The exhibition will take place in two spaces:

- Installation in the public space serving as a kind of a teaser attracting the passers-by to the gallery (to be located in the empty space between the arches of the western elevation of the Constitution Square and the Line of bus-stops)

- Internal exhibition in the Info Qultura gallery composed out of large size prints of project and schemes, video projections of animated visual material and (possibly) out of three-dimensional maquettes


Adjaye na Casa da Música

“Recent works” é o tema da próxima conferência do ciclo “em trânsito” pelo arquitecto inglês David Adjaye que decorre Sexta, dia 23 de Maio, às 21h30, na Casa da Música – Terraço. A conferência será em inglês, sem tradução, e a entrada é livre (obrigatório levantamento de ingressos na bilheteira da Casa da Música). Esta iniciativa conta com a Casa da Música como parceiro estratégico e com o patrocínio da Tektónica.
Equivale a 1 crédito de “Formação Opcional em Matérias de Arquitectura”
A entrada é livre, sujeita à lotação da sala (120 lugares)

Via Arquitectura.pt

Serpentine 2008, A vez de Gehry

 

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The Serpentine Gallery Pavilion 2008 will give London the first example of Frank Gehry’s spectacular architecture. The highly articulated structure – designed and engineered in collaboration with Arup – comprises large timber planks and multiple glass planes that soar and swoop at different angles to create a dramatic multi-dimensional space. Part-amphitheatre, part-promenade, these seemingly random elements will make a transformative place for reflection and relaxation by day, and discussion and performance by night.

serpentinegallery.org

Será a primeira vez que a anatomia de Gehry se verá em plena Blighty o que irá certamente fazer acrescer valor à instalação deste ano. Pessoalmente estou com enormes expectativas para visitar o resultado final, sobretudo porque nos delírios do norte-americano sempre me pareceu que quando a coisa fosse conduzida para uma escala ‘S’ o resultado garantiria um elevado grau de sucesso.

É para visitar lá mais para o final do ano

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New Architectural Expression

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A abertura do New Architectural Expression justificará, em parte, a ausência de actualizações no Aspirina nos últimos tempos. A criação de um espaço online com estas características, onde a publicação depende, e muito, de uma pesquisa intensa que suporte uma oferta de conteúdos suficientemente interessante para que a visita e o trabalho de fundo se justifiquem, obrigou a uma reserva forte de concentração no período que antecedeu a divulgação do espaço ao público. O sitio está magnifico, com a vantagem de ser bilingue e ter a clara pretensão de alcançar muito rapidamente uma dimensão worldwide, que se coadune com o conceito de blogazine.

Está online em http://newarchitecturalexpression.eu/ e faz parte de uma enorme aposta pessoal, num projecto que é suportado pelo génio de Carlos Sant’Ana e o trabalho dedicado deste que se assina, Nádia Ribas e Nuno Almeida.

Editorial:

O New Architectural Expression surge enquanto espaço de divulgação de uma outra perspectiva arquitectónica. Pretende-se aprofundar o conhecimento num espaço de ciência da arquitectura, através de novos pontos de vista e temáticas invulgares, a escalas diversas, permitindo novas reflexões.

A temática, trimestral, apresenta-se no formato de Blogazine bilingue, onde o desenho se desenvolve desde a pura simplicidade até ao estudo complexo, de S a XL.

A coordenação, a cargo dos arquitectos Carlos Sant’Ana, Ivo Sales Costa, Nádia Ribas e Nuno Almeida, pretende assim dar a conhecer novas abordagens ao fenómeno da arquitectura, prenúncio de um novo entendimento da prática, novas visões. Novas expressões.

É consumir, ó faz favor!

Parque Mayer – Resultados da primeira fase foram anunciados

 

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Foram hoje conhecidos os autores das cinco propostas que seguem em frente no concurso de ideias para a requalificação do Parque Mayer.

Nesta fase o gabinete Aires Mateus & Associados ficou em primeiro lugar, apesar de a classificação ser apenas preliminar e contar ainda com as propostas do gabinete ARX, Vão Arquitectos Associados, Souto Moura Arquitectos e Gonçalo Byrne Arquitectos, aqui apresentados pela restante posição classificativa.

Nesta fase foram considerados os critérios referentes à qualidade do desenho e articulação entre o Parque Mayer e a faculdade de Ciências juntamente com o jardim Botânico.

Os cinco projectos vencedores desta primeira fase do concurso de ideias para a requalificação do Parque Mayer e zona envolvente serão agora submetidos ao processo de segunda fase com consequente aprofundamento das premissas apresentadas anteriormente, sendo que a proposta vencedora será depois encarregue de apresentar o plano de pormenor para as áreas a concurso.

Zaragoza ‘08

Sob o tema “A água e o desenvolvimento sustentável”, abre de 14 de Junho a 14 de Setembro próximos a Expo Zaragoza 2008, que contará com a presença de mais de 100 países, num evento que pretende, para além da natural exultação do tema geral do evento, ser um pólo multicultural ao jeito daquilo que as exposições internacionais se propõem promover.

Com uma temática vasta, ao longo dos 93 dias de actividades musicais, desportivas e teatrais, será a diversidade de arquitecturas a conferir expressão construída ao evento, e, mais uma vez, pautam o espaço urbano uma vasta gama de pavilhões new-age em harmonia com a pacatez do desenho paisagístico, coisa que só se perdoa porque o momento se presta a excessos (e existirá sempre a garantia de que um qualquer pavilhão manhoso se poderá tornar um dia num simpático casino).

Em 145 hectares, a água será utilizada como o tema do evento, em metáfora à união entre povos e culturas diferentes e ao legado histórico que a exploração marítima conferiu à noção actual de humanidade. O tema geral subdividir-se-à em 3 subtemas, ” Água para a vida”, “Água, recurso único” e “As paisagens da água”. O investimento total na exposição ascende aos 1,650 milhões de euros, orçamento bastante arriscado tendo em conta o desastre que foi a Exposição de Sevilha em 1992.

O preço dos bilhetes será de 47,70 EU, passe para três dias, e de 143,10 EU, livre-trânsito, apenas disponível para quem o adquirir até ao próximo dia 13 de Junho.

Pecha Kucha – É hoje à noite, no Lux

E o cardápio para esta edição é verdadeiramente delicioso, ora veja-se:

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O conceito destes autênticos brainstormings arquitectónicos é muito simples: durante 6 minutos e 40 segundos (seis:quarenta) cada um dos intervenientes terá janela aberta para falar sobre o material a apresentar. A coisa acresce de maior interesse quando os próprios são todos arquitectos, uma vez que, regra geral, poucos serão os mortais com disponibilidade intelectual para por vezes secarem a paciência com discursos arquitectónicos, que mais não são do que verdadeiras lenga-lengas cíclicas.

Na edição do dia de hoje, 18 de dezembro, constam alguns nomes aliciantes, cujo trabalho fala por si.

Resta saber o que consegue dizer em tão curto espaço de tempo.

O evento acontece em pleno Lux, Lisboa, e a entrada faz-se por módicos 5 euros.