Cinema – “As bandeiras dos nossos pais” e o anuncio de “Pan’s Labyrinth”

Estreou finalmente “the flags of our Fathers” a obra de Clint Eastwood sobre a complexidade da postura assumidamente heróica da sociedade americana relativamente aos soldados presentes na grande guerra e da incapacidade humana em deitar para trás das costas o terror vivido no campo de batalha, muito menos quando somos reconhecidos por causas que pouco ou nada têm para nos engrandecer.

É uma nova versão da quase sempre mal explorada história da guerra, contada desta vez pela camera tranquila e ponderada de Eastwood, que demonstra claramente que de há 60 anos para cá pouco ou nada mudou na sociedade americana, que teima em extrair heroismo bacoco da violência presente em tempos de guerra, onde o homem raramente surge como um herói pleno de termo e onde o lado negro da condecoração surge sem tabus e sem rodeio, apresentado aqui através das brilhantes prestações de Ryan Phillippe e Jamie Bell.

A critica no Rottentomatoes.com garante um filme que vale a pena, com 73%/100% de aprovação

Foi também finalmente agendada a estreia em território nacional de “Pan’s Labyrinth”, a obra fantástica de Guillermo del Toro, considerada em vários web-journals e blogs americanos como o melhor filme de 2006, mas ao qual faltou o poder de imagem e marketing que patrocinou peliculas como “Charlie e a Fábrica de Chocolate” ou “O Leão, a Bruxa e o Armário” a primeira adaptação de “As crónicas de Narnia”.

97% em 100 no Rottentomatoes.com, para um filme fantasista é muito prometedor…

O trailer é apaixonante, estreia a 22 de Fevereiro, ignorante e imediatamente após o carnaval.

Cinema – Apocalypto e Babel, e o monumental The Prestige

The Prestige é um daqueles filmes que não se dá por ele. As promos chegam meio engavetadas, a estreia não é convenientemente divulgada e o tema também chega repetido, The Illusionist havia-lhe precedido e nesta altura do campeonato a fita cheira sempre a mais do mesmo, uma daquelas repetições que se percebem e aceitam mas das quais se prefere manter quase sempre o investimento na que estreou primeiro. E no caso, pior, The Illusionist é um grande filme, tanto melhor que para o resto não fica nada.

Se a obra de  Neil Burger foi uma das grandes revelações de 2006, com Edward Norton e  Jessica Biel à cabeça, a pelicula de Christopher Nolan, o senhor de Batman Begins e do extraordinário Memento, bate, aos pontos, a primeira.

The Prestige é bem dirigido, é um filme que consegue ser de época e ser feio e incrivelmente belo a partir desse principio, imagina o quanto se baste, sonha o quanto se quer. É cruel e mexe conosco, é intenso e no final contenta. Roça a violência parva e volta a ser feio tantas vezes quantas um grande realizador consiga manter o nível a oscilar entre o belo e o razoável sendo sempre perfeito.

Hugh Jackman desempenha o melhor papel da sua carreira, Christian Bale comprova mas uma vez que a sua limitada linguagem corporal é facilmente dominada pela intensidade da representação, que não grita, não chora, não se desmancha em gargalhadas e no final é sempre eficiente. Scarlett Johansson é kitch, talvez o que de somenos tem a pelicula, onde David Bowie brilha sem muito aparecer.

Obra a não perder, recomenda-se a sessão da meia-noite, a Tagline é “Are you watching closely?”, a aclamação está entre os 8.1/10 do IMDB e os 73%/100 do RottenTomatoes.com.

Para a Semana fica a recomendação:

Apocalypto, a obra consensual de Mel Gybson sobre a queda do reino Azteca

E Babel, nada consensual, de Alejandro Gonzalez Inarritu

Estreia – Artur e os Minimeus

Em época natalicia a obra de Luc Besson surge como uma óptima sugestão para “filme de época”. É incrível como basta por vezes o dedo de autor de um mestre para que certos preconceitos desapareçam.

O filme (na versão original) bate Happy Feet por KO (e não aos pontos), vê-se bem (na versão original), e deixa uma ligeira impressão de que iremos sentir saudades do senhor Luc.

Quanto á versão portuguesa, não a vi. Mas há vozes que nos cansam por nos entrarem diáriamente pela casa dentro, nada contra Luciana Abreu.

Afinal, porque não Borat?

Borat

Confesso que a critica disparada em torno de Borat me deixou algo perplexo.

O filme tira partido dos pudores americanos? Tira sem dúvida, e só por isso merece o destaque. Mas Borat não se limita a retratar de forma sacana a matreira sociedade norte-americana.

No entanto, filmes assim, contam recentemente com sucessivos ataques desferidos pela crítica que por cá se faz. Uma critica abrupta e autista, que surge quase em manada, uma espécie de união no trato dos temas que nos permite constatar que em Portugal, existe a opinião de quem critica, e a opinião dos outros, dos que pagam e assistem, aqueles que no fundo vão mantendo o cinema vivo.

Depois o outro problema, quando o filme é uma comédia.

Vivemos num país que teima, há já alguns anos, em não conseguir rir de si mesmo (ainda que, na minha opinião, motivos não faltem para o fazer). Desde a extinção da Herman Enciclopédia que se criou uma espécie de vazio no que ao retrato do país, no sentido cómico do tema, diz respeito. A enciclopédia do Herman conseguiu numa época importante, criar alguns dos mais memoráveis sketch’s de que tenho memória, do inesquecível “Pai Natal ou Menino Jesus, O Juiz Decide” aos episódios do grupo de nortenhos que tentava a todo o custo fazer uma “Expo 97”. Hoje rimo-nos de nós quando assistimos ao Gato Fedorento, que faz humor diferente, não é actual, é um humor linguístico, o que é bem diferente. Temos a Revolta dos Pasteis de Nata, que digo eu, jamais passará na RTP1 em horário nobre, o país não tem lata, o estado não tem interesse.

Este marasmo na falta de ambição dos nossos humoristas levou a um vazio no que à comédia diz respeito, o Filme da Treta foi um falhanço, e só quando a realidade do país é levada a cabo sobre um ponto de vista com… “maminhas” a coisa resulta, como no Crime do padre Amaro. Vício instalados e eis que chega Borat.

Borat é um filme agudo, fere as susceptibilidades e não percebo o que fazia um miúdo de 10 anos ao meu lado na sala, é um filme para adultos, é um filme com linguagem adulta, por vezes pornográfica. É eventualmente o maior exemplo de humor físico da última década, Borat é desajeitado, é provinciano e recto. É de mau gosto e é assim que resulta.

Borat expõe o falso moralismo dos Estados Unidos, demonstra, no seu provincianismo, o provincianismo daquela que é supostamente a melhor democracia do mundo, mas que foge a sete pés de um tipo que queira dar dois beijos na cara de um homem e que se ofende com o machismo do gajo que vem de outro país, tratando-o como se ele viesse de outro planeta.

Borat não vinga por entre a nossa critica porque é real, porque no trato com a sociedade expõe resultados objectivamente factuais, aquelas pessoas reagiram assim, responderam daquela forma e com aquela autenticidade, porque estão montadas naquele tripé político, que nos é mentirosamente oferecido por Hollywood.

E Hollywood recebeu o filme com agrado por isso mesmo, porque apesar de se publicitarem como bem entendem, aceitam o outro lado do espelho, aquele que Borat oferece, com aquela ternura tosca, sexual e mal-educada, porque ali a má educação é julgada por nós, na dimensão cultural do homem que passa o filme a atirar “Hai Faive” a toda a gente.

Não será assim o Cazaquistão, ao longo daquela hora e meia, dizemos nós, Porque não?

No dia da estreia havia uma sala cheia, se depender do que forem lendo, o mais certo é a maior parte do público-alvo ficar à espera do Blockbuster, ou pior, do Divx.

E é esse o maior contributo que a nossa critica oferece ao cinema. Palmas para eles.

Estreias da Semana – Borat e Por Água Abaixo

Um dos filmes do ano, já por aqui se falou na masterpiece de humor protagonizada pelo fabuloso Sacha Baron Cohen, fez muito boa gente resistir à tentação dos Divx porque ainda existem produções que justificam o preço do bilhete, e finalmente, chega a Portugal, Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan (92% no RottenTomatoes para uma comédia de baixo custo, magnifico), infelizmente rouba protagonismo ao vizinho de baixo, “Por Água Abaixo”, dos produtores do aclamado Shrek e que merece destaque a conselho de Nuno Markl, que faz a voz do Spike, um daqueles mauzões que não são, o seu segundo nome é Maria e vive com a mãe, não é a personagem principal mas pelas criticas no RottenTomatoes (78% com selo de qualidade, nada mau para uma animação) é das mais divertidas!

Primeiro Trailer divulgado para Borat (O oficial já aqui foi publicado):

Flushed Away – Por Água Abaixo:

Viúva Rica Solteira Não Fica

Viuva rica solteira não fica

Em finais do século XIX, Ana Catarina, uma jovem aristocrata, regressa a Portugal, onde a sua mão fora prometida por seu pai, D.António.
Mas, meses depois, D.Ana Catarina perde o marido e o pai, herdando assim o solar de Silgueiros e mais algumas centenas de terras vitícolas. Herdeira rica, não faltam pretendentes a D.Ana Catarina: o Conde de Fallorca, o Capitão Malaparte e Williamson, o inglês. Dividida entre o património e o verdadeiro amor, D. Ana Catarina casa e enviuva vezes sem conta, enquanto o seu destino é cuidadosamente ardilado por uma maquiavélica ama e um abade que se preocupa mais com bens terrenos que com os desígnios de Deus.

Um filme de José Fonseca e Costa com Bianca Byington, Cucha Carvalheiro, José Raposo, Rogério Samora, Ricardo Pereira entre outros, em estreia nos cinemas