
Há leituras que se fazem por teimosia.
Quando aqui publiquei o lançamento de “A Fórmula de Deus” de José Rodrigues dos Santos deixei no ar o meu cepticismo relativamente ao uso da teologia de forma barata para vender livros. São manias antigas que respeitam uma profunda herança de Egiptologia que prezo em acompanhar.
Não houve, nem voltará a haver povo que consiga deixar testemunho da sua existência tão maravilhosamente como fizeram os Egípcios. No entanto a obra de José Rodrigues dos Santos surpreendeu, está mais uma vez bem escrita, é mais complexa (e assim menos eficiente) do que o “Codex 632″, mas entende-se, é mais elaborada, daquelas obras em que convém ter um bloco de notas a acompanhar a leitura.
O populismo (e não a popularidade) de “O Ultimo Papa” nas lides literárias levou-me a não resistir á tentação, e, depois de “O Nome da Rosa”, “Código daVinci” e de “A Fórmula de Deus” (“Anjos e Demónios” não conta por ser qualquer coisa que quer falar da igreja mas que só consegue falar de terrorismo) lá me lancei à obra de Luís Miguel Rocha.
Absolutamente Brilhante. O mediatismo em torno do lançamento do livro percebe-se. Houve a noção à partida da qualidade e coerência da escrita. Da intensidade da narrativa . O tema não é, curiosamente, um casaco roçado. Tem, como no “Código”, a capacidade de gerar dúvida, de conspirar.
Recomenda-se a leitura, Imediatamente. Fica a nota de publicação:
“1978, Cidade do Vaticano
Às 4.30 da manhã, a irmã Vincenza, assistente pessoal de João Paulo I, chega à antecâmara dos aposentos pontífices com o pequeno-almoço. Deseja os bons dias ao Papa mas, pela primeira vez, não é convidada a entrar. Só quando mais tarde ganha coragem e abre a porta, descobre que Albino Luciani, representante de Deus na Terra, jaz morto na cama. Tinha sido eleito Papa há apenas 33 dias. E em 2000 anos de História, nunca nenhum Papa havia morrido sozinho.
2006, Londres
Sarah Monteiro, uma jovem jornalista portuguesa, está de regresso a Londres depois de umas férias na terra natal. Ao chegar, encontra entre a correspondência um envelope que lhe chama a atenção. Lá dentro, uma lista com nomes de personalidades públicas e pessoas desconhecidas, entre eles o de seu pai. A lista tem mais de 25 anos e muitos dos nomeados já faleceram. Mas como cedo irá descobrir, aquela lista pode transformar-se num bilhete para a morte.
Com a ajuda de um homem misterioso com muitos nomes e poucas respostas, inicia uma frenética corrida para escapar à morte. De Londres a Lisboa e a Nova Iorque, terá que levar a melhor a uma organização secreta que não olha a meios para deitar a mão à lista, e impedir a divulgação de um segredo que o Vaticano esconde há quase trinta anos.
Intriga, acção e suspense, num thriller vertiginoso que nos vai mergulhar no mais obscuro segredo do Vaticano.”