Icon #50

O Daniel publicou um teaser ao nº 50 da revista Icon e inicialmente não percebi propriamente do que se tratava, uma passagem pelo BLDGBLOG mostrou que se trata de uma espécie de edição comemorativa onde aquela publicação apresenta 50 manifestos escritos pelas mais influentes mentes da arquitectura e do design nos nossos dias.

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Se o mote não bastasse, a constituição do painel demonstra que a coisa vale bem a pena (Rem Koolhaas, John Maeda, Zaha Hadid, Hussein Chalayan, Jasper Morrison, Peter Eisenman, Peter Saville, Foreign Office Architects, Joep van Lieshout, the Bouroullecs, Ken Livingstone entre outros) pelo que a minha vai cá chegar (!).

Vem a propósito do recente Architecture is Dead que é uma vergonha não ser muito mais discutido do que aquilo que está a ser.

Lançamento do livro “Piscinas do Beato”, de Miguel Marcelino

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A informação chega via mail e segue em anexo para divulgação, fica a nota:

Na próxima 3ª-feira, 17 de Julho às 19h na livraria A+A (na Ordem dos Arquitectos) será feito o lançamento do livro “Piscinas do Beato”, com apresentação da Arq.ª Inês Lobo.

Este livro é uma pequena monografia de 72 páginas do projecto “piscinas do beato” (Prémio Secil de Arquitectura – Universidades em 2005), tem um prefácio do arquitecto catalão Esteve Bonell (Prémio Mies van der Rohe em 1992); descrição completa do projecto das piscinas com textos, desenhos, maquetes e esquiços; o livro termina com um ensaio.

3ª-feira 17 Julho, 19h

Livraria A+A (na Ordem dos Arquitectos)

Travessa do Carvalho, 25
1249-003 Lisboa

Piscinas do Beato

Editorial Blau, 2007

ISBN 978-972-8311-61-2

Fernando Dacosta – Máscaras de Salazar

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O frenesim recente em torno do ditador leva-me a comprar dois livros sobre o homem. Num deles, que não vou revelar qual foi, uma história bem escrita a partir de um ponto de vista não influenciado do autor relativamente ao assunto leva-nos a uma viagem rápida pela história do Estado Novo, onde a figura de Salazar é tratada com um paralelismo notável, sem muito tocar na pessoa, mas antes, no contexto em que se vivia. E resulta francamente bem. No outro, Fernando Dacosta, o autor, cuja genialidade não contexto, resolve debitar factos, noticias, palavras escritas avulso e outros devaneios naquilo que procura ser um livro de assento sobre as idéias que guarda relativamente ao periodo sobre o qual escreve.

Mal. E aqui residem a maior parte das debilidades dos autores portugueses. Fernando Dacosta é sincero ao ponto de dizer que não escreve um romance, antes, escreve uma série de textos sem organização ou valor cronológico que procuram factualidade através da leitura. Ou seja, aquilo que Dan Brown fez quase bem no código, Dacosta faz, francamente mal, em Máscaras de Salazar. O fenómeno em torno da popularidade do livro deveria ser suficiente para levantar na nossa sociedade (e na nossa cultura também) a questão fundamental que a votação recente invocou: Estamos assim tão desesperados pelo regresso ao passado que até a relativização da repercursão da ditadura em Portugal vale para o efeito?

Umberto Eco – A Passo de Caranguejo

A passo de Carangueijo

Um dos mais inteligentes pensadores dos tempos modernos faz uma incursão pela escrita sobre a actualidade, percorrendo sectores diversos da nossa sociedade, da Itália de Berlusconi, ás guerras que nos assombram a existência, Umberto Eco faz uso e abuso da sua magnifica escrita para nos mostrar o que de mais importante nos ofereceu nos últimos 5 anos.

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Orhan Pamuk – A Vida Nova

A Vida Nova

Fica bem, neste tempo de alguma desconfiança em relação à Turquia e respectivas politicas de subversão desconfiada daquele país relativamente à União Europeia, recomendar a leitura do Prémio Nobel Orhan Pamuk.

A Vida Nova é uma das obras mais leves do escritor Turco que mistura aqui romance e alguma psicologia com as bases politicas e sociais da Turquia, numa viagem extraordinariamente bem escrita ás origens rurais de um país que vive (des)equilibrado entre o Oriente e o Ocidente.

A história faz-se valer por uma permissa inteligente, um homem, viaja de autocarro em autocarro pelo país em busca de um amor perdido, numa aventura que tem a leitura de um simples livro como o catalizador para as novas motivações do jovem Osman, que aos poucos se vai descobrindo de forma tão admirável como terrível.

Luís Miguel Rocha – O Último Papa

O Último Papa

Há leituras que se fazem por teimosia.

Quando aqui publiquei o lançamento de “A Fórmula de Deus” de José Rodrigues dos Santos deixei no ar o meu cepticismo relativamente ao uso da teologia de forma barata para vender livros. São manias antigas que respeitam uma profunda herança de Egiptologia que prezo em acompanhar.

Não houve, nem voltará a haver povo que consiga deixar testemunho da sua existência tão maravilhosamente como fizeram os Egípcios. No entanto a obra de José Rodrigues dos Santos surpreendeu, está mais uma vez bem escrita, é mais complexa (e assim menos eficiente) do que o “Codex 632″, mas entende-se, é mais elaborada, daquelas obras em que convém ter um bloco de notas a acompanhar a leitura.

O populismo (e não a popularidade) de “O Ultimo Papa” nas lides literárias levou-me a não resistir á tentação, e, depois de “O Nome da Rosa”, “Código daVinci” e de “A Fórmula de Deus” (“Anjos e Demónios” não conta por ser qualquer coisa que quer falar da igreja mas que só consegue falar de terrorismo) lá me lancei à obra de Luís Miguel Rocha.

Absolutamente Brilhante. O mediatismo em torno do lançamento do livro percebe-se. Houve a noção à partida da qualidade e coerência da escrita. Da intensidade da narrativa . O tema não é, curiosamente, um casaco roçado. Tem, como no “Código”, a capacidade de gerar dúvida, de conspirar.

Recomenda-se a leitura, Imediatamente. Fica a nota de publicação:

“1978, Cidade do Vaticano

Às 4.30 da manhã, a irmã Vincenza, assistente pessoal de João Paulo I, chega à antecâmara dos aposentos pontífices com o pequeno-almoço. Deseja os bons dias ao Papa mas, pela primeira vez, não é convidada a entrar. Só quando mais tarde ganha coragem e abre a porta, descobre que Albino Luciani, representante de Deus na Terra, jaz morto na cama. Tinha sido eleito Papa há apenas 33 dias. E em 2000 anos de História, nunca nenhum Papa havia morrido sozinho.

2006, Londres

Sarah Monteiro, uma jovem jornalista portuguesa, está de regresso a Londres depois de umas férias na terra natal. Ao chegar, encontra entre a correspondência um envelope que lhe chama a atenção. Lá dentro, uma lista com nomes de personalidades públicas e pessoas desconhecidas, entre eles o de seu pai. A lista tem mais de 25 anos e muitos dos nomeados já faleceram. Mas como cedo irá descobrir, aquela lista pode transformar-se num bilhete para a morte.

Com a ajuda de um homem misterioso com muitos nomes e poucas respostas, inicia uma frenética corrida para escapar à morte. De Londres a Lisboa e a Nova Iorque, terá que levar a melhor a uma organização secreta que não olha a meios para deitar a mão à lista, e impedir a divulgação de um segredo que o Vaticano esconde há quase trinta anos.

Intriga, acção e suspense, num thriller vertiginoso que nos vai mergulhar no mais obscuro segredo do Vaticano.”

Mia Couto – O Outro Pé da Sereia

O outro pé da sereia

Viagens diversas cruzam-se neste romance: a de D. Gonçalo da Silveira, a de Mwadia Malunga e a de um casal de afro-americanos. O missionário português persegue o inatingível sonho de um continente convertido, a jovem Mwadia cumpre o impossível regresso à infância e os afro-americanos seguem a miragem do reencontro com um lugar encantado.
Outras personagens atravessam séculos e distâncias: o escravo Nimi, à procura das areias brancas da sua roubada origem. A própria estátua de Nossa Senhora, viajando de Goa para África, transita da religião dos céus para o sagrado das águas. E toda uma aldeia chamada Vila Longe atravessa os territórios do sonho, para além das fronteiras da geografia e da vida.

As diferentes viagens entrecruzam-se numa narrativa mágica, por via de uma mesma escrita densa e leve, misterios e poética de um dos mais consagrados escritores da língua portuguesa.

Gabriel Garcia Márquez – Cem Anos de Solidão

Cem Anos de Solidão

Foi na década de 60 que o Nobel da Literatura contou a história da família Buendía Iguarán na fictícia cidade de Macondo, desde a fundação das terras até à sétima geração Buendía.

A acção percorre as vicissitudes da família que ilustra a narrativa, de José Arcadio Buendía, fundador da cidade, amigo do cigano Melquíades, o seu único veículo de relação com o mundo através das histórias que trás das suas viagens. José Arcadio marca a génese peculiar da família. Enlouquece e acaba amarrado a uma árvore. No dia em que é solto ali se mantém, agarrado por cordas outras que não as feitas pelo homem. E Úrsula Iguarán, firme matriarca e esteio do lar, até ao ultimo descendente, de sétima geração, Aureliano, que é vitima do andar dos anos, a incontornável evolução, Aureliano é fruto de uma relação dentro da família, nascendo assim com um rabinho de porco.

Pelo meio Úrsula, personagem que atravessa todas as gerações, vivendo 150 anos, cuja sabedoria de vida nos revela traços marcantes das personagens e dos herdeiros que se sucedem. De Úrsula aprendemos também que as caracteristicas dos personagens correspondem ao respectivo nome. Todos os “José Arcadio” são pessoas de instinto, impulsivos e trabalhadores enquanto que os Aurelianos são tranquilos, estudiosos e muito introspectivos. É no entanto através dos Aurelianos que se desvendam os misteriosos pergaminhos de Melquíades, neles consta a dramática história da família e que apenas será revelada quando o último da estirpe se encontrar às portas da morte.

Notável.

Patrick Suskind – O Perfume

O Perfume

Foi um dos filmes recomendados na semana passada (juntamente com The Departed, e na altura, urgências de recomendação, impediram reflexão mais detalhada sobre o romance que a longa-metragem pretende adaptar (com relativo sucesso).

A história é contada em ritmo aleatório, foca um artesão da arte do perfume que procura no seu oficio a depuração olfática relativamente ao mundo nauseabundo em que vive, a coisa descontrola-se, e a busca pela obra-prima levam-no a atingir um estado de obcessão que culmina com uma vida de crimes macabros. A oscilação entre a perspectiva do assassino e do homem incerto na sua busca resultam em encanto literário que ora nos aproxima de Jean-Baptiste Grenouille ora nos causa repúdio da vida que leva, e, nos conta.

Á parte a carga histórica, o romance histórico e a envolvência, é rápido, talvez por isso se abrande no fim, como em todos os bons livros.