Archive for the 'Música [.pt]' Category

Spectacular

Oracular Spectacular, o senhor disco de estreia dos miudos Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden, os nomes por trás da sigla MGMT, b.k.a. The Management, é a maior lufada de ar fresco que a musico-industria produziu nos ultimos tempos.

O album é um verdadeiro compêndio de bom gosto e estilo, fora do convencional, e com uma largura de banda suficientemente generosa para nos fazer sentir bem empregue o dinheiro dado para adquirir a peça, coisa que hoje em dia caiu em desuso (e depois do iTunes, pior). Do rock sem preconceitos à experimentação electrónica, a dupla de putos norte-americanos promete, e de que maneira, constituir o próximo grande grupo dentro do género, com um primeiro disco que impressiona e vale a pena.

E com a cortesia do Youtube:

Companhia (entre outros) durante as ultimas duas semanas enquanto se opera em pleno centro de Estocolmo. É banda sonora perfeita para horários de trabalho pouco aconselháveis.

The Lonway #001

Notas sobre a ausência

Um mês de afastamento forçado não se justifica facilmente. A mudança de residência para Londres implicou uma total alteração de ritmos e hábitos, e o tempo, que normalmente vem por acréscimo, não sobrou.

Durante este tempo fora do ecrân, fica a nota para aquela que é uma das mais fantásticas referências que o aspirina conseguiu desde o inicio, o artigo de Pedro Rolo Duarte no Janela Indiscreta sobre aquilo que se vai passando por este recanto da internet. Vénia feita ao Pedro pela postagem, no seu tempo, que agora vê finalmente na publicação do aspirina ser-lhe feito o devido agradecimento pelo elogio e pela referência, que pessoalmente me enche de orgulho.

A postagem far-se-à a partir de agora via nº37 de Welbeck Street, em plena Marylebone, centro da incrível cidade de Londres. Mudança radical de hábitos e de modo de trabalhar, que espero vir a conseguir acompanhar com o ‘natural improvement’ da qualidade daquilo que por aqui for aparecendo, assim o bicho da prática arquitectónica o permita. Pelo caminho publicarei conteúdo sobre artigos que estão para sair e o soberbo yearbook que se encontra fresquinho e pronto para consumo, o que deve acontecer nos próximos dias.

Entretanto, 22 Hester Road, the time of my life.

Santogold, e o ataque de Johansson

Duas Notas;

Santogold não é nome desconhecido para quem acompanha o que de melhorzinho se vai fazendo por esse universo indie rock fora, mas com a chegada de Santogold, o álbum, firma-se finalmente, com base substancial, o talento. Les Artistes é um dos singles mais cool que o género produziu em tempos recentes e Santogold, o álbum, é o disco do momento:

Tom Waits by Scarlett Johansson. É o primeiro álbum da actriz-agora-também-cantora e se tudo se vier a alinhar pelo mesmo diapasão com que se apresenta o single de estreia, Falling Down, então é provável que Anywhere I Lay My Head, se torne numa agradável surpresa, apesar das evidentes limitações vocais de Scarlett, que surgem aqui bem disfarçadas pelo dedo cirúrgico de gente como Dave Sitek (TV on The Radio), Nick Zinner (Yeah Yeah Yeahs) e David Bowie. Ora, é ouvir, se faz favor:

Encontrar-se

É um dos mais nobres e inteligentes movimentos de solidariedade, que fazem lembrar iniciativas do género que aconteceram em meados dos anos 90, sensivelmente até os artistas musicais deste país perceberem que a solidariedade não os torna mais mainstream, vai daí perderam-se algumas conexões, o que acaba por ser lamentável, uma vez que a voz, sobretudo quando é publica e popular, tem um impacto tremendo nas causas que abraça.

A Encontrar-se surge assim como uma pedra no charco, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, vocacionada para o desenvolvimento de soluções para as dificuldades que as pessoas portadoras de doença mental grave sentem na integração na vida social activa e no mercado de trabalho, no fundo, ás exigências especificas que o grupo transporta e visando a reabilitação social do mesmo.

O lado mais generalista da mensagem é assegurado por um conjunto de artistas que, em actividade conjunta e associações improváveis, ao longo do ano, se comprometem a editar uma musica por mês. A coisa resulta, e de que maneira.

Em Janeiro, os Xutos e Pontapés juntam-se aos OIOA, com um resultado surpreendente, numa música que passa uma mensagem bastante clara e de forma belíssima.

Vale a pena.

É mesmo o One Man Show

 

E o termo não poderia ser melhor aplicado.

David Fonseca, ele mesmo, produziu o novissimo video do single “Superstars”.

Que a imagem e a fotografia eram predilecções que acompanhavam o trabalho musical de David desde os Silence 4 não era novidade, mas ver o resultado de um projecto em que para além de autor e intérprete, é também realizador… é  novo.

Confesso que esta mania em fazer uso da sua própria imagem também me intriga, mas a qualidade da coisa supera os restantes opinanços.

Bom trabalho David, musical e visualmente.

Mundo Cão, sobre o rock português

Arrebatador.

Sabe bem ouvir rock de qualidade em português. As recentes incursões pela nossa lingua demonstram que as décadas consumistas de produção internacional nos roubaram a capacidade de considerar projectos falados em português, de Portugal entenda-se.

O cinema deu saltos de gigante com Alice (Marco Martins) e Coisa Ruim (Tiago Guedes e Frederico Serra) e bem ou mal a televisão vai-se habituando a ver o corropio de actores e quase actores (e gente bonita que gostava de representar) a desfilar diariamente em horário nobre. É Nobre.

A música nunca perdeu a esperança, projectos em português foram sempre uma referência na nossa cultura que está impregnada do contributo de autores e compositores, em grupo ou a solo e em estilos para todos os gostos. O rock bem ou mal teve sempre direito ao olhar de soslaio por parte de quem na musica deveria apostar, não que a produção não se faça com qualidade mas o estilo foi quase sempre dominado por referências que datam de há anos, décadas, que com o tempo se tornaram em peças de coleccionador, e há quem ouça os GNR, Xutos, Rui Veloso ou os UHF.

Nos últimos anos surgiu a febre do inglês, bem desmascarada (e mal amada) por Sam The Kid no recente “Pratica(Mente)”. Rock que de resto, para todos os efeitos, reacendeu-se no final dos anos 90 com os Silence 4 e os Blind Zero a disporem o seu talento à internacionalização. A vertiginosa ascenção do grupo de David Fonseca e o legado que os nortenhos vão construindo ano após ano levaram à explosão recente de mais e mais projectos em inglês, culminando com os Fingertips.

Existe depois a face verdadeiramente qualitativa do rock em português que nunca deu o salto para a merecida spotlight. Ornatos Violeta e Mão Morta tentaram o salto mas não havia click porque faltava abertura suficiente à aceitação.

O esforço de Manel Cruz deu em… pouco. Em 2002 terminavam os Ornatos Violeta, seguiram-se os Pluto que nunca atingiram a raiz genuína do pecado original, ficando inteligentemente reservado o legado para os paralelos Supernada. Adolfo Luxúria Canibal vai conseguindo desdobrar o seu talento por outros projectos que têm agora espaço suficiente para realmente acontecerem.

O primeiro trabalho dos Mundo Cão é uma surpresa arrepiante. Pedro Laginha, Actor (actor, ponto) também canta, e canta muito bem. A guitarra e o baixo tocam no ponto e a bateria acompanha-os com o requisito necessário de análise psicanalista que o rock descomplexado confere quase sempre à percussão.

Sem rótulos, com muito para nos contar, o álbum é fantástico.

Mundo Cão, Mundo Cão

Mundo Cão

Muse – Black Holes and Revelations, Edição Especial Portugal


É perigoso deixar a guitarra à solta.

Há no domínio do instinto “Rocker” uma certa selvajaria à qual os músicos tendem a não conseguir escapar (ouvir o ultimo álbum de System of a Down para perceber o ponto de vista) e que quando procuram aligeirar com um determinado estilo, rapidamente se tornam criativamente estéreis e aditivos (Audioslave, Foo Fighters, e porque não, Queens of the Stone Age).

O trabalho dos Muse constitui um paradigma de bom gosto e controlo sério da opção livre em dispor do Rock a seu belo prazer e que tende, álbum após álbum, a melhorar musical e poeticamente na abordagem ao trabalho que produzem, o que os torna, sucesso atrás de sucesso, num dos mais competentes grupos musicais da década, percurso que vem sucedendo ao que foi percorrido no passado pelos Radiohead.

Está à venda uma edição especial de “Black Holes and Revelations” que junta o novo trabalho da banda a um CD especial com a gravação ao vivo do concerto dado no Campo Pequeno, em Lisboa. A compra é obrigatória, dois discos por menos de 19 Euros.

Samuel, o miúdo… – Pratica(mente)

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Dificilmente se faz arte sem rótulos.

Arrisco em dizer que uma arte difícil de catalogar não sobrevive assim por muito tempo. Órfã.

Para a catalogação contribui em muito a disposição e, ou, a postura do artista relativamente ao produto, e em última instância, a postura do mesmo no contexto do movimento em que se insere (ou, como muitas vezes acontece, no contexto em que os outros o inserem).

Sempre assim foi, a história de resto, encarrega-se de consagrar este princípio. De Van Gogh a Beuys, o reconhecimento do artista enquanto valor intelectual sobre um determinado assunto demora a acontecer, mais do que isso, demora a conhecer. Para isso contribuem os estereótipos boémios, vadios e duvidosos nos quais se vão encaixando as novidades enquanto isso mesmo: novidades. E no domínio da arte, a assimilação de uma nova vertente ou dimensão acontece geralmente décadas depois do seu início.

Relativamente aos movimentos rap e hip-hop, e no que a Portugal diz respeito, da postura popular quase vândala em relação ao género no início dos anos 90 foi um verdadeiro salto até à simpatia da juventude pelo estilo, e como estilo considere-se música, roupa e postura (graffiti e dança incluídos). A arte suburbana tornou-se mainstream junto dos jovens e consensual entre os graúdos, em toda a largura de banda das nossas classes sociais.

Sam The Kid é um dos veículos de divulgação de género, é genuíno pela origem suburbana da sua música e é verdadeiro na postura. Reside no entanto a desconfiança, e o olhar de esguelha relativamente à justiça na aplicação do termo “arte”.

Ao terceiro álbum a resposta, pura, aos ainda relutantes. Para lá da polémica do single “Poetas de Karaoke” (um dos menos felizes) existe uma peça musical que é notável.

Não é só música, é poesia. E é poesia, tudo o resto é preconceito.

Para ouvir: Slides (retratos da cidade branca), brilhante…

[audio:praticamente_slides.mp3]

Perfil – Maria João E Mário Laginha

Perfil

A voz da Maria e o Piano do Mário.

A harmonia da comunhão entre os do talentos num álbum que não resulta em adições simples, mas sim numa peça de arte da qual se desfruta faixa por faixa enquanto se sonha com a oportunidade de rever o contexto em concerto.

Aqui a arte é música simplesmente, do principio ao fim. Belissimo.

Porque há magia na voz de Cristina Branco

Fica o video que é um misto de poesia e hipnose.