Quando a cover é melhor que o original…

Publicado o video dos Moonspell no “Diz que é uma espécie de Magazine” do passado domingo, e na sequência desta coisa que são as covers, ou seja, um artista a interpretar exactamente com a mesma letra e música um determinado hit celebrizado por outrém, resolvo deixar esta brilhante interpretação de Travis do pop “Baby one more time” a canção-fetishe de Britney Spears que conheço há já algum tempo e que comprova no fundo que muitas vezes, a cópia é tão melhor que o original.

A questão é, teria tido o mesmo sucesso? Jamais.

Entre as tricas da nossa música…

Sam The KidMoonspell

Fui, em conhecido fórum da Internet, um dos primeiros a atentar no mau gosto expresso em verso estranho presente no novo single de Sam The Kid.

A certa altura do seu novo “beat” o rapper de Chelas, que goza hoje em dia de divulgação a nível nacional, resolve transpor para exemplos claros três artistas do panorama musical português sendo que para isso se coloca, a si, em maior evidência.

A coisa conta-se por poucas palavras, o videoclip já passa na MTV e tive neste fim-de-semana a oportunidade de o ver no Top+, um grupo de rappers, entre os quais o Samuel, toma de assalto uma rádio com o propósito único de atirar ás massas uma lição de como ser um bom músico português, conta com o apoio de artistas como Rui Veloso ou o PacMan (e quem conhece as origens dos DaWeasel só pode considerar a presença do Carlão como uma grande piada), e no final a lição é só uma: artistas portugueses que cantam em inglês não são bem vindos.

Sobre isto nada a dizer, não tenho opinião formada. Desconheço as virtudes e desgraças que implicam a um conjunto de artistas cantarem ou não numa língua que não seja a sua. Recordo David Fonseca e os The Gift. Penso em Blind Zero e a partir daí tenho alguma dificuldade em reconhecer sucesso em quem tenha optado pela linguagem do mundo para expressar musicalidade dita portuguesa. Faltam no entanto os Moonspell.

A referência vale o que vale. Desconfio que os da minha idade não tenham, em tempos idos, ouvido pelo menos um álbum de Moonspell. São modas, mais ou menos convenientes, mas modas. Constituem uma fase que marca um estilo, ou um estilo que marca uma fase, fundamental é reconhecer que os que realmente se identificam com o género acabam por se manter fiéis aos ídolos, e pouco importa a idade, continuam a ser fãs. Entendo e respeito profundamente.

Na dita musica, o Samuel atira que os novos artistas lusos vocacionados para o mundo:

“Querem ser os Moonspell, querem novos horizontes;
Mas aqui o Samuel, é Madre Deus, é Dulce Pontes.”

Por vários motivos o uso é de mau gosto, sobretudo porque não é devidamente localizado no sentido crítico que pretende atingir, e nestas coisas da música, ou se esclarece tudo à partida ou se restam duvidas tende o objectivo a sair furado.

Fica a dúvida, estaria o Samuel a defender o exemplo singular que constitui a mais famosa banda de metal portuguesa? Ou estaria a criticar todos os que lhes procuram seguir as passadas, e que desse modo, falham como eles?

Da minha parte não tenho duvidas, foi mera conveniência de escrita, e isso sim é triste. Uma falta de cuidado expressa no uso das palavras apenas pela conveniência da terminologia presente nos nomes Moonspell e Samuel deveria ter levado a optar por outra rima qualquer, sem melindrar ninguém, até porque no limite, a publicidade que o episódio gerou foi extraordinariamente negativa, não só para o autor como também para todos os que, concordando com ele, resolveram dar a cara e figurar no videoclip.

Porque nestas coisas das vacas sagradas, ainda há as que genuinamente o são.

Acontece aqui:

Yolanda Soares – Music Box, Fado em Concerto

Yolanda Soares

Notável o primeiro trabalho desta menina que nasceu bailarina mas cuja influência familiar a fez mudar de faixa para o mundo da musica, do canto.

O trabalho, que é o primeiro, revela-se uma adorável descoberta, de influências distintas, resultando assim em obra musical de qualidade superior.

Fado em Concerto constitui também exemplo extraordinário de busca pela produção. Gravação em orquestra feita na República Checa, 5 vozes liricas, guitarra portuguesa, cravo, piano, sintetizador, e bateria. A escrita, musical e poética, pertence a Yolanda, a quem pertence também parte da direcção musical. E com tantoempenho resulta em arte. Bela.

Rodrigo Leão – Mundo (1993-2006)

Mais de uma década depois da edição de “Ave Mundi Luminar” o seu primeiro registo a solo, e dois anos após o sucesso do álbum “Cinema”, Rodrigo Leão lança um olhar retrospectivo sobre a sua carreira, edita a primeira compilação com temas originais regravados (“Carpe Diem”, “Amatorius” ou “Ave Mundi Luminar” são alguns exemplos) e músicas inéditas.

O disco duplo “O Mundo” (1993-2006) engloba inéditos como “Rua da Atalaia”, “Voltar” ou “Solitude”, já apresentados ao vivo, assim como os conhecidos “Tardes de Bolonha” (composto para Madredeus), “Ascensão” (para Sétima Legião), “Solitude”, “Lonely Carousel” ou “Pasión”. Ao todo são cinco canções inéditas, as primeiras letra sem português, seis êxitos regravados e temas recolhidos em discos de homenagem, juntam-se, no alinhamento de «Mundo (1993-2006)», a composições que o tempo manteve imaculadas e profundamente actuais.

Chris Cornell “You know my Name” – Novo Bond Theme Song

Tenho visto e ouvido muita critica destrutiva em relação à nova música-icon de 007. Verdade seja dita que este acompanhamento à modernidade que o agente secreto tem feito no mundo do cinema se tem ressentido na qualidade musical das sequelas recentes, facto incontornável, de Mcartney a Cronell vai uma distância considerável (embora oiça Audioslave com alguma facilidade) no entanto eu gostei, talvez daqui a um ano ninguém se lembre, mas isso também aconteceu com o famigerado tema dos Garbage de “The World Is Not Enough” e hoje ninguém se rala muito com a questão (porque o filme em si também não foi famoso).

Fica o Clip, you know his name…

Jorge Palma – Norte


Jorge palma - Norte

Sempre me incomodou o rótulo aplicado a quem ouve (ou tolera) Jorge Palma.

Há um pretensiosismo teimoso invocado por sabe-se lá o quê de que ouvir um tipo com vícios é coisa degradante. Há moral a mais e coerência a menos, talvez venha a escrever sobre isso.
Peça rara, o segundo de originais num intervalo de 5 anos, pode-se considerar mais do mesmo pelo estilo calmo e continuo que o autor vai consagrando como seu.

É noctívago, soa melhor à noite do que de dia e percebo porquê.
Há obras de arte que resultam melhor no seu habitat natural.

Mariza – Concerto em Lisboa [ Jardins da torre de Belém a 6 de Setembro de 2006 ]

Mariza - Concerto em lisboa

O registo para a posteridade de um concerto tremendo em lugar de poesia.

Foi a 6 de Setembro que os jardins da torre de Belém cederam por momentos, magia natural, à magia da voz de Mariza e ao fado, que não é triste. É sentido, em sentido puro, profundo e poderoso, se é triste não é mais do que produto daquilo que de nós fazemos com ele. Naquela noite assim o fizeram 25.000 pessoas, até ao fim, no momento zen de “ó gente da minha terra”.

Está registado em DVD e CD em três edições diferente, CD com 16 fados, mais uma edição especial com 18 fados (cuja disponibilidade é limitada) e o DVD com a produção da gravação em vídeo mais alguns extras. Completa-se o conjunto com DVD do concerto em Belém, com extras vários relacionados com o making of do mesmo e as imagens projectadas ao longo do espectáculo.

A Naifa – Três minutos antes de a maré encher

A procura da catalogação encontra na musicalidade deste grupo português um difícil caso de análise, não pela sonoridade, mas por tudo aquilo que esta transporta.

“Cheira a mar” disse um dia figura simples das revistas típicas. Concordo.

Há em toda esta musicalidade uma carga histórica que convive paradoxalmente com a electrónica, num ambiente de harmonia que se estranha e acompanha.

Boémio e vadio, um álbum que é refém do primeiro trabalho enquanto continuidade, mas nunca enquanto repetição.

E vale a pena ouvir.