Souto Moura ao JN

Para quem perdeu a entrevista recente de Eduardo Souto Moura ao JN a propósito da exposição Principio e Fim de Um Projecto que esteve presente na Galeria do JN, uma conversa em tom não muito diferente do que é costumeiro neste tipo de relação entre jornalista e artista, aqui com a mais valia de ser sempre apimentada com a boa disposição de Souto Moura numa entrevista que apesar de menos interessante do que a de final de 2007 ao El País, acaba por revelar uma série de pontos de vista de quem encara a prática como um processo de aprendizagem contínua.

Para ler

JN|Em que consiste “Princípio e fim de um projecto”, ideia a quatro mãos, as suas e as de Luís Ferreira Alves?

Eduardo Souto Moura| Quando me convidaram para realizar a exposição, saltou-me logo a ideia de como trazer a público um código técnico como a arquitectura. Havia duas soluções, ou maquetas ou fotografias. Ora, tendo em conta o espaço, entendi que seria melhor apresentar a obra com esquissos meus e imagens da autoria de um homem que fotografa os meus trabalhos há três décadas. Escolhi, por entre as centenas de projectos ao longo da carreira, alguns, nomeadamente o edifício do Burgo, e ainda desenhos de objectos e de candeeiros, entre outros. O Ferreira Alves escolheu os que muito bem entendeu e foi assim. Concretizou-se a exposição na vertente de dar duas visões sobre a obra: a do arquitecto e a do fotógrafo.

Esta mostra contribui para uma melhor perspectiva sobre o trabalho que tem desenvolvido?

Vamos tentar, mas acho que é importante que as pessoas saibam da existência de um percurso-base de desenhos para se chegar à imagem final, seja de um projecto de um edifício ou de um simples objecto. Daí chamar-se “Princípio e fim de um projecto”.

Antes da concretização dos projectos, há toda uma série de esquissos?

Depende, há obras em que há uma intuição e acertamos no conceito e não são necessários tantos desenhos, mas também há outros que emperram e estamos até ao fim a confirmar e, aí sim, são precisos cadernos e cadernos de desenhos.

Como é que, normalmente, nasce um projecto seu?

Os primeiros passos têm como base a informação que o cliente dá e, a partir daí, começo a construir uma imagem mental. Quando o cliente sai, começo a materializar num esquisso, faço dois, três e tanto pode ser no escritório, em casa, num café, no papel do estirador, num guardanapo ou no maço de cigarros, não importa.

Como passa à fase seguinte?

Bem, vou fazendo vários esquissos e, já no ateliê, passo-os a um desenho mais geométrico e a seguir é elaborada uma maqueta. Mas, repare, tudo isto é feito com uma grande rapidez e velocidade.

Gosta de trabalhar a grande velocidade, está-lhe no sangue?

Está, pois, como tenho sempre tanta coisa para fazer, não descanso enquanto não fizer. É assim que trabalho. Mas, depois de ter a ideia já concebida, costumo demorar muito tempo, ponho sempre o projecto em forno lento e banho maria, à espera que entrem as várias solicitações de arquitectura.

E quais são as várias solicitações de arquitectura? Aliás, gostaria que definisse o que é, para si, um projecto de arquitectura.

São solicitações que entendo importantes. Em primeiro lugar, são as minhas, ou seja, só está concluído quando me sentir satisfeito com o projecto, quando achar que a construção do edifício ou do objecto vai transformar um sítio para melhor. Quando decido elaborar um projecto, pretendo corrigir a natureza, que não é perfeita. Acho que o interessante é acrescentar algo à natureza e proporcionar bem-estar e boa qualidade de vida ao cliente e ao utente. Para conseguir, tenho que criar um projecto que corresponda a três solicitações fundamentais: ser belo, estável e seguro.

Belo? Acha importante que a beleza seja uma componente principal num trabalho?

Sim, acho, pois é fundamental que um projecto seja elegante a nível estético. Quando digo belo, digo elegante, naturalmente.

Quando é que dá por si a pensar que o projecto está mesmo concluído?

Quando começo a ficar cada vez mais satisfeito com o trabalho e, aí, penso realmente que está na hora de rematar.

Costuma trabalhar sozinho ou em equipa?

Tenho uma equipa de 27 pessoas (arquitectos e estagiários). Acho que o diálogo é importante para o bom andamento de um projecto e são necessárias críticas e contrariedades da equipa. Um projecto de arquitectura é um projecto de equipa, de muitos colaboradores, de muitos arquitectos, engenheiros e agora, nos últimos tempos, também é necessário incluir um economista e um advogado.

Quais são os projectos que tem actualmente em execução?

Tantos, sei lá, mas lembro-me, por exemplo, de uma adega de vinhos na Mealhada, um prédio para divorciados, no Porto, a recuperação de um edifício no Príncipe Real, em Lisboa, e tenho vários em curso em Espanha, Bélgica e Dinamarca.

Como é, normalmente, o seu dia de trabalho?

Em princípio, só trabalho, só me sento ao estirador, ao fim-de-semana, isto é, só risco ao sábado à tarde e ao domingo. Não está ninguém no ateliê, o ambiente é calmo, sossegado.

E nos outros dias da semana?

Trabalho, mas ocupo o tempo a desempenhar um papel que também é muito importante para o arquitecto. Vai desde visitar obras a sucessivas reuniões aqui e ali com clientes ou futuros clientes, enfim, é a outra faceta de arquitecto, que é fundamental para a continuação da actividade.

Já alguma vez pensou em abandonar a arquitectura?

Todos os dias.

Todos os dias?

Sim, diariamente tenho aquele pensamento: e se eu não fosse e ficasse a desenhar o dia todo? E quando chego a Lisboa e tenho que ir para Nápoles e passa-me pela cabeça a ideia de não ir e ficar a tirar fotografias…

Já alguma vez não resistiu à tentação?

Já, claro e foi bom. Já tive essa tentação e já tive o prazer de não cumprir o dever e de ficar a fazer o que me apetecia naquele momento.

Se abandonasse a arquitectura, o que escolheria?

Olhe, gostaria de ter uma profissão em que o que acontece dependesse exclusivamente de mim, só de mim. Podia ser, por exemplo, na área da fotografia, da pintura ou da escultura.

Já fez incursões nessas áreas?

No desenho, sim. Aliás, o desenho é fundamental para a minha actividade, mas tenho-me ficado pelos esquissos de arquitectura. Tenho pensado muito na escultura, acho que gostava de conceber uma série de esculturas com cortes de edifícios e em materiais utilizados na construção, como a madeira, ferro, tijolo, plástico e vidro. É uma ideia de há já uns tempos, mas que não tenho conseguido realizar, nunca tenho tempo, mas que gostava, gostava…

Qual o projecto cuja concepção e desenvolvimento foram da sua responsabilidade mais o encantou?

O que me encanta, o que me suscita um maior desafio é o chamado projecto completo, ou seja, aquele em que sou solicitado para conceber a obra, desde o puxador da porta até ao bosque que envolve o projecto.

E já teve alguns com essa responsabilidade?

Tive vários, mas destaco, sem dúvida, o estádio do Braga. Acho que o Monte Castro ficou muito melhor com o estádio do que ficaria sem ele. E confesso que gostei bastante de o ter concebido.

Sabe-se que está com vários projectos em mão. Algum deles é no Porto e é importante?

O que neste momento estou a realizar no Porto é um edifício, a que chamo “andar para divorciados”, ou seja, pessoas que vivem sós e que não necessitam de muito espaço. Mas, na verdade, acho que o Porto está numa fase de recessão, ou seja, não se investe na cidade e, portanto, não há muito trabalho para desenvolver.

Mas vai tendo em outras cidades do país, ou a falta de trabalho é generalizada?

A falta, para já, só se vai verificando no Porto, porque noutras regiões vai havendo. Neste momento, estou a trabalhar razoavelmente em Lisboa, no Alentejo e no Algarve.

Como surgiu a hipótese de construir a casa/fundação Paula Rego, em Cascais?

Foi a pintora que me escolheu. Neste projecto, tive também a responsabilidade de escolher o terreno e a liberdade total na concepção do edifício. É um projecto aliciante, que francamente me entusiasma.

Também no Arquitectua.pt

Parque Mayer – Update

Aires Mateus & Associados

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Arx

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Vão Arquitectos Associados

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Souto Moura Arquitectos

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Gonçalo Byrne Arquitectos

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Existem mais fotografias dos painéis das propostas que passaram à segunda fase do concurso de ideias para o Parque Mayer na página do anúncio da CM Lisboa.

Está ainda agendada uma exposição no final do mês de Março na antiga Faculdade de Ciências com apresentação ao público das propostas.

Sobre o reconhecimento do valor

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O desportivo Record online reservou hoje à secção fotogaleria uma imagem do chamado Bird’s Nest, o futuro Estádio Olímpico de Pequim que lá mais para o final do ano será um dos palcos das olimpíadas a oriente.

É uma das conquistas da arquitectura moderna. As grandes obras desportivas, outrora referenciadas pela magnificência da sua engenharia e respectiva envergadura, são hoje vistas como resultado conjunto da coordenação entre cálculo físico preciso e o desenho que envolve estas enormes estruturas. É aqui que a arquitectura assume finalmente o seu momento diferencial, como parte indissociável da forma como se faz cidade, e, sobretudo, na importância que o sentido estético confere a edifícios que até à relativamente pouco tempo eram considerados acima de tudo pela resposta que davam a um certo tipo de problema, sem maiores preocupações no que ao impacto da sua presença dizia respeito.

Em Portugal o processo de educação [ou sensibilização] iniciou-se em 1998, quando a exposição internacional de Lisboa serviu de plataforma para a credibilização do papel do arquitecto numa mega-estrutura urbana. Com o Porto 2001, consagrado em sucesso posterior após a inauguração da casa da música de Koolhaas e a entrada em funcionamento da rede de metro assinada sobretudo por Souto Moura, e, mais recentemente, com os estádios de Porto e Braga para o Euro’04, os portugueses tiveram a hipótese de finalmente conferirem em resultado prático o papel do arquitecto nas propostas a apresentar para as cidades de hoje, mas sobretudo, no planeamento que se exige para amanhã.

Ao invés de publicar uma foto em glória de Nelson Évora ou Vanessa Fernandes, ou de um qualquer outro atleta internacional em preparação para o certame olímpico, a redacção do record entendeu que uma imagem de arquitectura em ebulição ilustraria da melhor forma esta fase embrionária do evento desportivo mais visto em todo o mundo, pedaço comum à cultura da humanidade.

Devemos todos olhar com atenção para a importância do momento.

E apesar de hoje olharmos com algum desanimo para o que se fez no Parque das Nações, ou para o estado de abandono dos estádios de Faro/Loulé e Aveiro, resultados assustadores de incapacidade em acautelar o dia seguinte ou pura má gestão de activos que poderiam ser canalizados para outras áreas em carência da nossa economia, pelo menos poderemos avaliar a situação do ponto de vista de quem se dedica à prática com o mero sentido de fazer bem e ver assim reconhecida a capacidade e importância do arquitecto na cidade moderna.

Já ganhámos todos com isso.

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Masdar City – Preview

Foi em Junho que publiquei pela primeira vez o plano da Foster and Partners para Masdar, the next big thing a nascer em Abu Dhabi. Via NY Times foi disponibilizada uma viagem virtual pelo masterplan, uma boa forma de verificar como a grande intervenção se propõe acontecer, o milagre do instant-video-online permite a divulgação e partilha imediatas, com alojamento no youtube.

A verificar.

Carta aberta a Pedro Gadanho

Sempre quis escrever uma carta aberta, mas nunca encontrei causa para os meus intentos. Tenho visto algumas cartas abertas pela imprensa escrita e confesso que algumas são verdadeiras pérolas de semântica e bem escrever. Ainda as confundo com o chamado ‘direito de resposta’. Dever-se-íam definir ambos os conceitos, de modo a que quem queira escrever uma carta aberta não acabe por cair afinal no erro de accionar o respectivo direito de resposta.

Estimo que isso não esteja a acontecer comigo, neste preciso momento.

Leio via O Desproposito a carta aberta que escreve. Não possuía destinatário o que me parece lamentável, corre o risco de não chegar ao destino, e assim, não ser lida por quem de direito. Pior, de não ser interpretada com o cuidado que merece.

Bem escrita e assertiva, é uma espécie de herdeira natural do estilo curto e grosso com que a nossa literatura tão bem se tem vindo a tratar desde a revolução de 74. Uma espécie de mal estar permanente que não pressupõe nada de bom, um risco eminente de mudança e exultação do povo. Temo-nos vindo a debater com boas intenções do mesmo género ao longo dos últimos 34 anos, mas pecamos invariavelmente na forma como não conseguimos concretizar o ímpeto inicial e isso conduz-nos a sérios problemas de assumpção de identidade. Acabamos quase sempre por escolher o alvo errado.

O prazo do DL 73/73 desvanece aos nossos olhos, o tempo de discussão e aprovação da coisa começa a esgotar-se, e corremos o sério risco de vir mesmo a conseguir a aprovação do documento. Não me ocorre disparate pior. Uma espécie de catástrofe eminente à qual se não conseguirá escapar. Sobretudo porque esgotará o conceito de “bode expiatório” a que tantas vezes recorremos, é caso para nos questionarmos. E depois, de quem nos queixamos?

A discussão do 73/73 tem servido acima de tudo como um balão de oxigénio para a comunidade de arquitectos portugueses. Caso um dia, um documento idêntico, ou o mesmo, venha a ser aprovado, diz o Pedro, “simplesmente devolverá a competência de projecto àqueles com quem sempre deveria ter estado “, apesar de me sentir lisonjeado com a sua crença, acredito que o problema se encontra a jusante daquilo que defende. E no caso especifico o episódio de Sócrates é mera nota de rodapé no panorama de crimes urbano-paisagisticos com que nos temos vindo a deparar desde que o tema entrou em ponderação.

A aprovação sugerirá que pelo menos a competência no desenvolvimento de projecto estará entregue a quem de direito. Mas a história recente evidência que os arquitectos não perseguem esse objectivo como a maior das prioridades.

Não sou propriamente um acérrimo defensor do Decreto uma vez que acredito que muito boa gente sem formação no âmbito das artes estará dotada de melhor gosto arquitectónico do que a maioria dos licenciados em arquitectura que todos os anos iniciam o seu percurso profissional. E se reconheço culpa a alguém na morosidade do processo, então é dentro da própria classe, e todos os dias me deparo com as torres de Lisboa a lembrarem-me disto mesmo: ‘Que tudo é negociado’, e que dentro das prioridades de uma elite especifica, o 73/73 é episódio de somenos importância.

A parca imagem de cultura nacional que as obras de Sócrates nos transmitem é somente parte de um problema que os arquitectos não fazem questão de resolver acima de qualquer outra questão, e afinal, enquanto durar, é bandeira formidável para a luta da classe, conceito manhoso mas que serve perfeitamente os intentos dos demais. Pelo menos de alguns. Os que podem dar-se ao luxo de se não preocuparem com o passo seguinte.

Assim acontece em tantos outros lugares da nossa sociedade.

As estratégias de desculpabilização adoptadas pelo nosso Primeiro atestam apenas o provincianismo nacional. Não justificam mais nada que não seja a incapacidade de reconhecimento do erro, preconceito fundamental para a manutenção de uma série de lacunas de principio que minam a nossa forma de estar e que assim comprometem o desenvolvimento sustentado de um país à beira da falência, que falha pela total descoordenação entre as partes, e dentro das partes em si. Quando não conseguimos concertar uma estratégia que sirva a todos dentro de uma ordem profissional, de que modo conseguiremos um dia vir a justificar o direito à defesa da classe que se representa?

Considero muito útil a carta que escreve, desde que remetida à Travessa do Carvalho, números 21 a 25, com meia dúzia de aditamentos.

The CH2 – Council House 2 Building

 

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É o primeiro edificio a receber a distinção de seis estrelas para o Green Building Council of Australia. Inaugurado em 2006 e com projecto a cabo do grupo Design Inc.

Situado em Melbourne, Austrália, o edifício distingue-se pela fachada ensombreada por painéis de madeira cujo controlo de abertura é feito de forma automática, dependendo apenas da intensidade da luz solar. A esta tecnologia cabe apenas uma percentagem dos 50 milhões de dólares Australianos destinados à concepção de um edifício com mais valias tecnológicas, que incluem também o uso de painéis fotovoltaicos, refrigeração de pavimentos e um sistema de tratamento de águas sujas dentro do ambiente construído.

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Absolutamente notável é o facto de se esperar que o investimento feito seja retornado pela sustentabilidade do próprio projecto num prazo de dez anos. Uma década para que o edifício se pague a si mesmo.

@ Architechnophilia

A paixão do povo pelo tema errado.

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É comum, no discurso de defesa do património arquitectónico, se invocar o conceito de ‘regionalismo critico’ para de repente se poder defender todo o tipo de intervenções que, pela sua especificidade ou mera abordagem ao lugar de intervenção, possam resultar como desvios aparentes do contexto. E aqui a sensibilidade é muita.

De resto, ao longo dos anos temos sido constantemente confrontados com a incapacidade, de governantes e governados, em lidar com este tipo de obras. As crises de aceitação, que já são crónicas, revelaram-se sempre que as intervenções envolviam uma maior quantidade de capital e um elevado sentido estratégico, das pontes do Tejo às grandes redes viárias, do CCB à Casa da Música.

Mas se a incapacidade em conjugar a tomada de decisão com a aceitação popular se revela na grande escala, também [ou sobretudo] no reduto mais particular se verifica a condição.

São várias as razões para que nos incompatibilizemos imediatamente com a audácia da renovação, ou com a mera ideia da recuperação. Em parte o devemos ao legado histórico da nossa arquitectura, que nos foi habituando a conviver bem com o que se foi tendo. E, regra geral, tivemos sempre muito pouco, o que é facto. Dos estilos antigos contam-se pelos dedos as obras nascidas de raiz para celebrar o esplendor do homem clássico [e as que assim surgiram, acabaram por sofrer mais tarde pequenas operações de estética, de modo a se adaptarem ao período novo, que substituía o antigo, mas que o país, por incapacidade financeira não conseguia celebrar com obra autêntica].

E assim aprendemos a arte do remendo, cuja mestria temos vindo a atingir nos tempos modernos.

A verdade é que deste modo se criam complexos em paralelo, a maior parte como mecanismos de auto-defesa do legado apodrecido com que de forma tão simpática fomos aprendendo a conviver, castrando desse modo qualquer iniciativa fresca.

E não fosse a malta do modernismo, aqueles futuristas…

Recentemente a discussão em torno de um edifício em Piódão motivou diversas opiniões no arquitectura.pt. Apesar de algum optimismo inicial, acabei por não me surpreender com o efeito global das críticas que, de um modo geral, se mostram contra a implantação de um edifício daquela natureza no centro histórico da aldeia.

E a natureza, é a mais generosa das arquitecturas. A polémica é a mera pigmentação da fachada. Invocam-se as paredes brancas e o desenho atrevido de um dos vãos que se faz notar em alçado. Defende-se o princípio do seguidismo da forma, e revelam-se manifestações de desagrado no que ao desvio histórico diz respeito. E a maior parte dos argumentos, preconceitos em boa verdade, surge pela voz dos arquitectos.

Mas também pela voz do senhor presidente da junta José Lopes, que se mostra desagradado com a modernice que ali está a mais:

“Eu acho que é uma modernice que está ali a mais para aquilo que se queria preservar do Piódão porque antigamente andou-se a patrocinar o retirar dos rebocos nas casas que estavam a branco e a tirar a telha vermelha e a pôr lousas portanto escuras e neste momento parece que os projectos estão a enveredar por um caminho oposto, não é?”

E a única questão que interessa à discussão é a da intervenção moderna. Não gostamos, sejamos sinceros.

Reconheço legitimidade a espanhóis, franceses e bretões na defesa da sua arquitectura antiga, pelo legado que carregam, mas também pela capacidade de ao longo dos anos ter sido sujeita a um convívio bem sucedido com a inovação, o que, no limite, resulta numa perfeita identificação entre as diferentes camadas de desenho que se reconhece em cada um dos países e respectivas cidades, antítese do que se passa em Portugal.

É regra, em passeio por Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, reconhecer a ancestralidade dos edifícios pelo profundo estado de degradação em que os mesmos se encontram, enquanto vão convivendo com obras pindéricas de legitimidade suspeita que, por fazerem favores ao contexto, não acicatam tanto os ânimos. Passam despercebidos, e aí está tudo bem.

Não pretendo fazer alertas de lucidez, até porque a educação neste tipo de questões demora muito tempo a se manifestar e as gerações modernas ainda se vão corrompendo pela opinião tacanha, mas, é absolutamente notável que no país onde obras estruturalmente megalómanas como o novo centro de artes de Sines, cuja inquestionável mais-valia para a região surge totalmente subvertida pela intervenção fotogénica de autor com um custo que deveria ser incompatível para a essência e propósito do objecto, andem os arquitectos e as gentes que tornam publicas as opiniões, a debater menos de 100 metros quadrados inofensivos em Piódão, que talvez carreguem mais história do lugar na sua modernice do que todos os edifícios vizinhos que, no seu falso vernáculo, surjam mascarados de efeito pitoresco.

Fundamentalmente não se tratam de 100 metros quadrados de arquitectura de autor, e é esse o outro lado da questão. Por cá, no que toca a seguidismo, a assinatura teria sido um bom argumento a favor. Há prioridades e prioridades.


J2 house – 3LHD

Desde a publicação do Sports Hall em Bale, Croácia, que o gabinete responsável pela concepção do projecto, 3LHD Architects, me tem vindo a enviar algum material sobre obras desenvolvidas por si, sem fazer questão de que o mesmo seja publicado. Deste modo tenho vindo a acompanhar à distância o desenvolvimento do trabalho deste grupo de jovens croatas que entre algumas obras mais comerciais acaba por desenvolver alguns raciocínios absolutamente magníficos, como este com que se inicia 2008 aqui no Aspirina.

O projecto data de 2004 e foi concluído a meio de 2007, consiste numa habitação unifamiliar, localizada na área residencial de Zagreb, Croácia, que surge no lugar em substituição de uma habitação datada de 1950. A antiga casa, que não correspondia nem ás exigências do lugar nem ás da família, dá assim lugar à nova intervenção.

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Novo Politécnico do Barreiro – ARX

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Situado na Quinta dos Fidalguinhos, junto a um aglomerado de pinheiros e sobreiros, o edifício é composto por vários blocos ligados entre si através de um corredor central. Para além das salas de aula, irá dispor de uma biblioteca, um auditório e diversos laboratórios. Na zona envolvente, o espaço de estacionamento terá capacidade para 300 viaturas. O projecto contempla, ainda, uma pequena praça para eventos culturais e um campo de jogos para actividades desportivas.

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Via Arquitectura.pt 

Serpentine Pavillion 2007, Slideshow

Pela voz de Amy Winehouse, o desenho é de Olafur Eliasson e Kjetil Thorsen, estrutura Arup.

O pavilhão de 2007, já aqui publicado, reveste-se de particular importância por conseguir, mais do que acontecera no passado, criar uma estrutura única na resolução do objecto anexo à Serpentine Gallery, e que, todos os anos completa a presença arquitectónica em pleno Hyde Park. Um momento de descompressão absoluta em relação aos tiques de desenho, num exercício de mero desenho estético que funciona.

O conceito de arquitectura itinerante torna-se um verdadeiro case-study, sobretudo para quem, como eu, passeou em pleno mês de Abril pelo lugar, onde se sentia uma tremenda atmosfera de expectativa. De repente existe um terreno, disponível para utilização, que se encontra em plena expectativa relativamente à instalação que, ano após ano, marca aquele lugar especifico. Com direito à memória das intervenções anteriores.

Meet the Jetsons!