Koolhaas houselife

Monday 29th September 08

A Maison à Bordeaux na perspectiva da senhora das limpezas, um projecto de Ila Beka e Louise Lemoine com mais trailers disponíveis em Koolhaas Houselife numa pechinca disponível ao preço de 55 euros, o meu exemplar chega a Londres até ao final da semana.

Deslumbrante, a perspectiva de Guadalupe.

Oma @ Roterdão

Sunday 28th September 08

Situado no centro da cidade de Roterdão, distrito de Coolsingel, o cubo, com 120.000m2 destina-se a uso misto – em números, 30.000m2 para comércioe os restantes para escritórios, habitação, cultura e lazer.

Quando publiquei o junk-park de Tirana do atelier MVRDV baseei a critica nas imagens com que foi ilustrada a divulgação do projecto. A ditadura do render torna-se, nesta fase da anunciação, o único factor de julgamento a que a obra se pode submeter, a par de todas as ferramentas acessórias de ilustração com que o edifício se anuncia. No caso albanês, o conjunto é francamente mau, das imagens cruas à maqueta em bruto, nada ali permite diferente opinião.

Koolhaas será eventualmente o melhor gestor de imagem que o panorama arquitectónico conheceu. Após anos agarrado à projecção semi clássica das obras que o OMA produziu (das ilustrações pop às maquetas académicas) herança, nas suas próprias palavras, que o periodo de pesquisa para Delirious New York lhe ofereceu, surge agora a nova face OMA, onde a categoria da visualização nos deixa desarmados.

A obra em si também se anuncia com generosidade e categoria. Apesar de se tratar de mais um Icon-Building, a verdade é que a integração no skyline se propõe que aconteça de forma generosa e cuidada e com o propósito de servir duas permissas fundamentais que, regra geral, dificilmente saem satisfeitas quando a genialidade do autor se pretende fazer sentir com critérios de espectacularidade – Implantação e Integração, sem menosprezo do espaço.

Na cobertura o promontório sobre a cidade e a envolvente imediata, sem recorrer a explosões de escala.

Aguardamos então a inauguração, prevista para 2013.

Dirão os optimistas -presentes nestas coisas da estatística como em tudo na vida – que isto ainda há casos piores que os de Portugal. É reparar no despautério Italiano ou na infelicidade Grega, e afinal nós por cá ainda estamos ligeiramente aquém dos verdadeiros níveis de crise que se registam por essa Europa fora.

A crueldade dos números não engana ninguém e a situação é a que se apresenta, em gráfico que nem sequer é recente e que se encontra assim bastante desactualizado, mas não deixa de ser preocupante que o mesmo não conste em nenhuma publicação que saia directamente para as bancas do nosso saturado Portugal.

Pela voz de Cypher, o personagem interpretado por Joe Pantoliano no primeiro filme da trilogia Matrix – “Ignorance is bliss”.

mvrdv on drugs

Sunday 14th September 08

É um dos hits do momento na blogosfera afecta à arquitectura, a proposta do trio holandês composto por Winy Maas, Jacob van Rijs e Nathalie de Vries para Tirana, na Albânia.

A coisa, que consiste num empoleirar de prismas rectangulares uns em cima dos outros, recolheu, de um modo geral, reacções muito positivas que resultam quase sempre em aclamação pelo arrojo ou lamentos pela ainda aparente timidez em levar o devaneio um pouco mais além.

E é um pouco nisto que a arquitectura mundial tende a transformar-se desde que o reconhecimento da iconografia da forma nos trouxe peças como a Casa da Música no Porto e a Biblioteca de Seattle, ambos pela marca oma.inc e que apesar de nos ter permitido finalmente cortar o cordão umbilical que ainda nos prendia ao pouco adequado pensamento modernaço, acabou por dar à luz esta disposição internacional ao despropósito – toma lá António.

Pessoalmente, cada vez mais tenho dificuldade em aceitar estes raciocínios formais, que não nos trazem nada de novo. Pelo contrário, após aquilo que as gerações do meio século passado nos permitiram evoluir, parece que actualmente se perdeu a genialidade. Deu lugar à Eu-genialidade.

O trabalho dos MVRDV, que exerceu tremenda influência no meu tempo de faculdade, conta no currículo com peças arrojadas e abordagens extraordinariamente interessantes que constituem verdadeiros passos em frente naquilo que é a linha de evolução da arquitectura nos dias de hoje (e obras como o complexo WOZOCO ou a Villa VPRO são testemunho disso mesmo), mas entretanto decidiu seguir o trilho de outros estúdios, que, encontrando a caixa de pandora aberta, aproveitou a oportunidade para a escancarar ainda mais.

O free-park de Tirana é, acima de tudo, um projecto de autor, onde a assinatura do estúdio se encontra espalhada por todo o lado. Das fachadas saturadas à demente proposta de implantação, ali se encontra um pouco de tudo para que nunca se venha a encontrar nada. E no final é isso que resta: Um gigantesco nada numa total ausência de estratégia. Uma gritaria desenfreada para dizer o próprio nome e ganhar atenção. Percebo a postura mas discordo do método.

Todos os dias vejo gente a gritar o seu próprio nome. A maioria consegue a acção dos interlocutores.

Raramente pelos melhores motivos.


Sobre o meio e o fim

Tuesday 2nd September 08

Ewha Womans University, Dominique Perrault

Recebi recentemente a notificação para linkagem nova ao Aspirina, relativamente a um post em que abordo o projecto de Pedro Tiago Lacerda Pimentel e Camilo Bastos Rebelo para o novo Museo do Côa.

Ao reler o artigo (coisa que, reconheço, muito raramente faço) lembrei-me da visita recente ao Daily Dose of Architecture onde recolhi mais algumas imagens do Campus Center for Ewha Womans University em Seoul na Coreia do Sul de Dominique Perrault.

Quase um ano e meio depois da primeira vez que escrevi sobre a falta de entusiasmo da arquitectura portuguesa pelos seus próprios edifícios, preferindo abordar o lugar como entidade sacro-santa, génese de toda a genialidade (ou pior, não fazer nada disto e agir como se o tivesse feito), o edifício do estúdio de Perrault vem confirmar a mais triste das observações: Haja ou não sinceridade na utilização do lugar como ferramenta única no processo de projecto, ainda há um longo caminho a percorrer até que se compreenda todo o potencial de exploração desse dito conceito mágico.

Apesar de uma muito positiva evolução natural de um quadrante jovem do nosso panorama arquitectónico (arrisco a dizer, todos os que feliz ou infelizmente continuam a viver para lá dos destaques infernais da capa da revista) que tem vindo progressivamente a operar “out of the box”, falta-nos apenas esta capacidade em dissecar o próprio conceito, retirando-lhe todas as noções básicas que acabam por anular todo o potencial de exploração de que a coisa está impregnada. Falta acima de tudo radicalidade, uma viagem à raiz das coisas.

Continua a haver a limitação em supor a recusa da aceitação.

Pessoalmente, acredito que até os mais opressivo censores agradeceriam a audácia.

A visita ao post do John é obrigatória.

O titulo do post não é inocente e tem uma explicação muito, muito simples.

No último ano de faculdade o meu Marco Lopes, um dos mais talentosos  e competentes jovens futuro-arquitectos com quem tive o prazer de privar naqueles 5 anos de pura demência propunha um museu no Jardim Real de Caxias um dos mais generosos projectos de finalistas daquele ano de 2006. A coisa consistia num edifício que surgia como consequência da sugestão fornecida pelo desenho barroco do jardim e pretendia ser rematada com uma fachada coberta por um manto vegetal que, tomando o tempo como elemento fundamental do processo de construção, se encarregaria de completar a obra.

Dois anos depois encontro no mui útil urbanarbolismo.es uma série de informações sobre a utilização de elementos vegetais no processo de desenvolvimento de projecto.

A visita é obrigatória a todos e a escrita em bom espanhol permite que os conteúdos se assimilem com relativa facilidade.

Entra directamente para os favoritos do Aspirina.

E o maior dos abraços ao Marco que é cliente deste vosso estaminé…

Back to business

Wednesday 27th August 08

Muito provavelmente deverei dar brevemente inicio ‘a escrita de posts em english language… nunca foi coisa que me interessasse por demais porque pelo google analytics vejo que uma gigantesca massa adepta deste sitio vem – alem de Portugal – de terras do Brasil e vejo com grande dificuldade o corte com a lingua materna, no entanto o facto de estar todos os dias agrafado a um teclado britanico impede-me de aproveitar os tempos livres para publicar toda a info que vai passando, hora a hora, pela minha caixa de email, e que julgo ser fundamental para partilha.

Dito isto, pretendo igualmente voltar a uma actividade digna disso mesmo, e se para isso tiverem de surgir uns textos na lingua de Shakespeare… que seja!

Novidades em breve, see you soon…

O que este país precisa

Tuesday 12th August 08

É de um Franjinhas em cada esquina…

(em resposta ao simpático e afável hatemail de Carlos Ramalho, cujo conteúdo me parece ser mais material para argumento hollywoodesco com direito a participação de um tipo rijo como o Chuck Norris do que para transcrição aberta ao público. E quanto a franjinhas e outras ratices fico-me por aqui porque já diz o outro que, pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita)

Serve tanto como desabafo sobre o desgaste que o tema já leva e a minha profunda falta de paciência para educar (o gosto de) quem quer que seja.

Numa fase em que se mantém a conversa (por vezes fiada) acerca d’El Raton, e, sinceramente, entre os puritanismos de quem insiste em defender o edifício por não-comparação com o Franjinhas, os que o atacam por comparação com o outro (e entre ambas as posturas, venha o diabo e escolha), quem invoca a teoria do mau render como desculpa para a má reputação da proposta e os que simplesmente se resguardam por trás daquele que é o costume mais abominável da divulgação/promoção da arquitectura portuguesa (não confundir com “da arquitectura em Portugal”), que são os hipnotismos de semântica, com exercícios de ilusionismo verbal a transbordar de smokes and mirrors (o que não deixa de ser caminho eficiente porque os portugueses sempre dançaram melhor do que a musica que tocam) e que no final nos deixam sempre com o peso na consciência de quem ousou desafiar o mestre – E agora dança – chega via EdgarGonzalez a entrevista de Jaques Herzog ao Der Spiegel, onde com a maior das sinceridades e dos pragmatismos salta borda fora da hipocrisia mundial em torno da questão Tibetana e assume sem rodeios que a possibilidade de construção do Estádio Olímpico de Pequim era peça demasiado fundamental no percurso do gabinete que gere em conjunto com Pierre deMeuron.

Fica o (longo) registo de quem opta pelo caminho da objectividade e não se exclui das opções que toma.

Absolutamente impossível de verificar num qualquer canto ibérico:

Star architect Jacques Herzog, the man behind the new Olympic Stadium in Beijing, tells SPIEGEL his arena is a subversive place where people can meet in locations not easily monitored by officials. He also defends his decision to build for a regime criticized for human rights violations.

SPIEGEL: Mr. Herzog, in the coming weeks billions of people watching the Olympics will be looking at your architecture. You can claim to have built the world’s most famous arena. Where will you be sitting during the opening ceremony in Beijing?

Herzog: I have no idea. Until a few months ago, we didn’t even know whether we would be invited to the festivities at all.

SPIEGEL: You can’t be serious! Your structure is one of the government’s favorite projects. The stadium is already being depicted on currency.

Herzog: It just happens to be the case that in China, you can never be quite sure how anything will turn out. Over the years, we were often completely perplexed, because we couldn’t gauge how our design was being received. What was missing was a clear response. But everything fell nicely into place in the end.

SPIEGEL: Your sports arena has been received with great enthusiasm, and with precisely the broad recognition that your clients were seeking. But what happens if a political scandal overshadows the Olympic Games? Couldn’t that ruin your reputation just as easily?

Herzog: That’s far too speculative. The question you are really asking is why we even accepted a commission in a country, a dictatorship, that doesn’t accept human rights. Should we be permitted to do this or not?

SPIEGEL: And, are you permitted?

Herzog: Yes. We are now convinced that building there was the right decision. We too cannot accept the disregard for human rights in any form whatsoever. However, we do believe that some things have opened up in this country. We see progress. And we should continue from that point. We do not wish to overemphasize our role, but the stadium is perhaps a component of this path, or at least a small stone.

SPIEGEL: But it’s also an important mosaic piece in the way the Chinese portray themselves.

Herzog: Who else but architects should be familiar with the effects of buildings? But there is also such a thing as an inwardly directed effect. The stadium is a good example of this. In fact, it achieves the maximum of what architecture can achieve.

SPIEGEL: Because it is so popular among the people?

Herzog: We normally don’t think in terms of symbols, but the stadium has become one. This building is literally adored. The Chinese themselves describe it as one of their most important cultural monuments, on par with the Great Wall of China. They identify with it and call it the bird’s nest. In essence, who built it is no longer relevant.

SPIEGEL: Well, that can’t exactly be in your best interest.

Herzog: Yes, it can, because it attests to a high degree of acceptance. For us, this stadium is more than just a building. It’s a part of a city. Vision is always such a big word, but our vision was to create a public space, a space for the public, where social life is possible, where something can happen, something that can, quite deliberately, be subversive or — at least — not easy to control or keep track of.

SPIEGEL: Your architecture as an act of resistance? Aren’t you exaggerating?

Herzog: No. We see the stadium as a type of Trojan horse. We fulfilled the spatial program we were given, but interpreted it in such a way that it can be used in different ways along it perimeters. As a result, we made everyday meeting places possible in locations that are not easily monitored, places with all kinds of niches and smaller segments. In other words, no public parade grounds.

SPIEGEL: They exist in front of the arena.

Herzog: But the stadium itself is more like a mountain with all kinds of different routes and paths where people can run into each other in unexpected ways. Although we have done similar things with museums in London and Barcelona, in a country like China these kinds of urban spaces acquire a different, almost political meaning. We think that many people in Beijing will understand it this way and use it for their pleasure, because the Chinese generally value public space — more, at any rate, than we have observed elsewhere.

SPIEGEL: You engaged the Chinese artist Ai Weiwei, known in Germany since the last Documenta art festival, as a cultural advisor. But he does not plan to attend the opening ceremony because, as he says, he cannot abide national self-congratulation.

Herzog: He also demonstratively refused to visit the construction site, even though he could hardly contain his curiosity. Ai Weiwei is deeply enthusiastic about the project. But I understand it when he, as an artist critical of the regime, keeps his distance from anything that could be seen as an endorsement of the regime’s policies.

SPIEGEL: These games are unique, precisely because they are taking place in a country with such a controversial regime like China’s. It’s obvious that the architect who creates the structural frame for this event will be in the global limelight. Did this make the commission so tempting as to override moral reservations?

Herzog: Only an idiot — and not a person who thinks in moral terms would have turned down this opportunity — would have said no. I know that there are architects who now claim that they would never have even considered building in China. This is both a naïve and arrogant position, one that reflects a lack of knowledge of and respect for the incredible cultural achievements this country has continuously provided over the last 5,000 years and still provides today.

SPIEGEL: Isn’t this an excessively positive standpoint, given the recent political turbulence? Some of your colleagues aren’t as charitable.

Herzog: In the last few years, in particular, we have experienced the emergence of a new generation of artists, architects and intellectuals, and they have the ability to change the society in a lasting way. Playing a role in shaping this new era is far more interesting and probably even more moral than taking part in a boycott from one’s desk. We aren’t just referring to architects in this regard, but also to other creative figures. Steven Spielberg agreed early on to be the artistic advisor for the opening ceremony, and then he withdrew, essentially at the last minute, because the regime was no longer to his liking …

SPIEGEL: … in February 2008.

Herzog: It just smells like cheap propaganda, first agreeing to take part in this sort of event and then cancelling for a current political reason that was predictable. China has not become less democratic and does not respect human rights less than it did before. China is still a long way from what we in the West expect, but the establishment of a broad, new intellectual class is a hopeful sign of change.

SPIEGEL: Really? The Tibetan conflict aside, critics are still harassed just as much as they were in the past, under the guise of a supposed liberalization.

Herzog: From our perspective, the society has in fact become freer and more diverse. But many refuse to see this, because they measure everything against our democratic conditions, which are unique and rare and, especially in central Europe, not even all that old. The interesting thing about architecture is that it exists, in a very physical and concrete way, becomes part of the history of a society and can help shape this society. Seen in this light, withdrawals and boycotts are less credible contributions.

THE LONWAY #003

Monday 4th August 08

Viagem de sábado à tarde à Tate Modern, e surpresa absolutamente fantástica… à saída!

Com primeira passagem pelo Borough Market, o percurso de aproximação ao edifico foi feito pela rectaguarda (pelo lote onde em breve nascerá a versão londrina do Ratatuille de Mateus e Valsassina) e o ingresso feito pela magnifica nave que é imagem de marca para as instalações temporárias (onde por estes dias se encontra a H Box de Didier Fiuza Faustino). Esta inversão do processo, fugindo ao acesso pela Millenium Bridge, quebrou a hipótese de avistar a exposição que se encontra, literalmente, cravada na fachada principal do edifício.

Ponto prévio, para lá de todo o envolvimento que tenho com a arquitectura, vivi a minha adolescência no surgimento da cultura Hip-Hop em Portugal. Em 1997, quando a cultura era praticamente desconhecida pelos demais, andava eu a ouvir mixtapes do que de mais refundido se produzia nos estates e o que o Carlão escrevia com o Jay e o Virgul, nos áureos primórdios de DaWeasel.

Daí ao Graffiti, a distância foi demasiado curta, e o resto são retratos de cinco anos vividos entre a muito ténue linha que divide a arte do vandalismo.

Paradoxalmente, ganharam as paredes brancas…

De entre a vasta bagagem cultural que trago desse tempo, da dificuldade que existia entre encontrar material disponível com imagens e retratos daquilo que os mestres desse tempo produziam lá por fora (How & Nosm nos USA, Loomit por toda a América do Norte, Daim, Neck, Morritz e os demais CNS pela Alemanha) e o que, a custo, se encontrava pela internet a 56 kbps, ficou desde logo o fascínio pelo que produziam dois jovens brasileiros.

Os Gémeos, sempre foram, para mim, o expoente máximo do Graffiti a nível internacional. Pela capacidade artística e a beleza da mensagem que transmitiam e pelo duro retrato visual de um Brasil abandonado à sua sorte. As magnificas figuras amarelas, de traço tão belo quanto infantil, foram durante anos a razão pela qual acreditava (e ainda acredito) que a prática do graffiti pode surgir enquanto gigantesco potencial de composição da paisagem urbana.

Foi aqui em Londres que, à saída da Tate Modern, ao olhar para trás, para vislumbrar, mais uma vez, a magnifica peça que Jacques Herzog e Pierre deMeuron recuperaram com inigualável mestria, os encontrei. Do edifico, não ficou nada. Foi este gigantesco individuo amarelo a deixar-me aterrado:

Os Gémeos Otavio e Gustavo Pandolfo produziram esta grotesca (esta sim, verdadeiramente grotesca) figura na fachada da Tate Modern, onde também tiveram espaço para a sua arte BLU, Nunca (também brasileiro, e Sixeart, e ainda JR e Faile.

Curioso como num mundo onde a arte na parede é quase invariavelmente marginalizada (em regra geral, com razão, eu acredito que há espaço para a sua existência, mas o facto de ser impossível introduzir critérios de controlo e qualidade no que se faz, torna-me cada vez mais céptico), acaba por ser uma das mais distintas galerias de exposição a dar, literalmente, o corpo ao manifesto, numa iniciativa que surge como complemento à exposição de fotografia Street & Studio totalmente dedicada ao culto do movimento suburbano e aos retratos que este permite produzir sobre si mesmo.

Ainda mais curioso, o facto de planear um artigo sobre o trabalho de Otávio e Gustavo para os próximos dias, e, de repente, dar de caras com eles de forma totalmente inesperada.

O sítio web da instituição conta com uma secção totalmente dedicada à Street Art onde consta ainda um vídeo com o making of das peças, de visualização obrigatória.

Para mais informação relativamente ao trabalho d’Os Gémeos, sugiro a visita ao LostArt onde podem ver aquilo que são, na minha opinião, pedaços do que de melhor nos ofereceu a arte dos últimos 10 anos, e à qual, num misto de deslumbre e relutância vou dedicando sempre que posso, um pouco da minha atenção.